Amigos: reitero que estou digitando num teclado onde desconheco onde ficam varias coisas. Please, tenham paciencia com acentos, digitacao e essas coias mais.
Nao me canso de achar que essa cidade eh a mais bela que ja conheci ate hj. A gente tem uma visao caricatural de Veneza. Hollywood, o turismo e outras industrias grandes nos ensinaram a crer que essa eh uma cidade romantica, intimista... por isso talvez a gente a associe a uma pequenina rede de ruas cortadas por corregos, onde gondolas fazem do cenario sentimental algo pra se curtir so a dois...
Nao... Veneza eh grande pacaz. Claro, nao se comparada a SP... mas grande em relacao ao que eu pelo menos lembro de ter visto na TV. Grandes canais, muitas e muitas obras de grande impacto visual; ruas grandes divididas por corregos pequenos... por mares enormes... muita, muita gente... e tudo muito mais belo que nas telas de cinema!
Fiquei muito feliz pq fui a Lido e passei em frente ao Hotel des baines. La o grande Luchinno Visconti filmou o excepcional Morte em Veneza. O filma da minha vida. Eh demias estar nos lugares que ele escolheu para imortalizar. Reconheco cada ponto e nao paro de tirar fotografias!
As mulheres aqui sao as mais belas da Europa. Italianas mil, com caras perfeitas... mas todas sem bunda, haha! Mas muito novas - em Lido parece que abriram as portas dos jardins da adolescencia. Todas as lolitas estao la, enfeiticando olhos e coracoes dos homens.
Comemos muita massa, claro. Eh tudo delicioso. mas vem muito, muito pouco. Pedrinho, nosso camera, esta inconformado. Tem fome a toda hora. E nossa grana t'a acabando. As coisas sao bem caras. Isso eh cidade de gente fina da Europa, galera...
Estamos num mesmo quarto. Pedro, Gonchi e eu. Um banheiro. Foda... de noite faz muito calor e nosso ar condicioinado da uns paus as vezes... as 19hs, nao se vive em Lido sem repelente de insetos. Mil;hares deles te comendo vivo. E nem a cerveja eh das mais geladas. Mas tudio eh tao bonito e legal que compensa!
O trabalho? Nao posso falar. Mas acreditem: estamos nos esmerando pra levar um negocio maravilhoso pra nossa terra. E ontem foi bem puxado, bem duro... mas foi sensacional!!!! Quase me envolvi numa grande encrenca, mas v'a l'a... na real me envolvi... mas so vendo o programa vcs saberao mais!
To em Veneza e to puto pq escrevi varias coisas e o computador perdeu tudo.
Falei que to bem... que a cidade eh linda demais... que tem muitas mul;heres maravilhosas e t'a um sol de verao europeu... que nao sei usar esse teclado - vcs viram!
E que amanha tem muito, muito trabalho. E que internet aqui eh coisa rara.
Bem, eu nem podia estar aqui agora... mas como amanhã vou viajar, nada mais justo que deixar uma atualização no blog... dar as caras, mandar uns abraços e reiterar meus agradecimentos por vcs estarem fazendo desse blog um lugar tão badalado!
Essa semana - ontem, mais especificamente - definí umas coisas que serão bem legais. Em breve esse blog estará disponível para vcs com outra cara - novo design, mão de uns caras de internet e maior visibilidade. Aguardem! E começamos ontem a construir meu site - em cerca de um mês ele deve estar no ar. Mais: o encartre do meu finado CD independente "Solo" vai ser refeito. E juro que o relanço ainda em 2008! Farei um esquema legal de vendas e distribuição aqui pelo blog. Vcs terão prioridade, ok?
Que mais? Prometi falar de Gramado... mas a semana correu e o assunto ficou velho. Vcs viram a matéria que fizemos lá? Taí:
Mas posso lhes dizer uma coisa? Comemos bem pra caramba... provamos os melhores chocolates... ralamos muito... vimos as mulheres mais gatas do Sul (bem, o Roberto e o Tutú são comprometidos... logo, eles só viram)... e fomos - nas noites de sexta e sábado - a festas incrível no Hotel Serrano. Foi bem legal.
João Gilberto: muita gente me parabenizou pela matéria que fizemos com ele. Não podemos esquecer que o mérito é da equipe toda, não meu. O Salinas foi muito inteligente numa estratégia de abordar o João contrariando a lógica da segurança. Ponto pra ele! O Daniel conseguiu as imagens no meio de uma muvica desgraçada. Sério: qdo o João chegou (atrasado pacaz) no show, mais parecia o Hugo Chávez na Cúpula de Chefes de Estado no Peru. Muita gente em volta, muito fotógrafo; coisa de louco.
Aí rolou o show: e aí entra o fã aqui. Muitos podem não gostar do João Gilberto. Minha mãe o detesta. Dizem que ele é excêntrico demais, chato demais, canta muito baixo, reclama de não sei quê a não sei qtos anos... mas não se pode negar o papel desse homem na MPB. Há 50 anos já... e que ele é um show de conhecimento musical, harmonia, beleza e bom-gosto. Está com o que, 76 anos? E eu ví uns 4 shows dele ao longo de uns 15 anos. E poucas vezes ele cantou tão bem qto naquela noite. Voz de veludo, sustentando muito bem cada nota, mantendo a afinação e apoio de cada uma delas... e com mais de 70 anos. Um violão um pouco baixo demais, menos bem tocado que no passado... mas que sabe ser gordo e ter volume nas horas certas... mas que pode ser um complemento baixinho à suavidade que ele cria em temas mais introspectivos.
Numa época de cantoras performáticas, sons altos pra caramba, mega produções pops e loucuras mil em cima de um palco, esse cara consegue criar climas solenes e tocar por uma banda toda - e sozinho. E ele vai morrer um dia - e não deve demorar - e vai ficar pra história. Bem, ele já está nela. A coisa é: quem viu, viu. Como rolou com Tom, Vinícius e esses outros monstros (e o João é o último dessa safra de personagens seculares da nossa música, ao menos da Bossa-Nova, que ainda está vivo).
Uma coisa última sobre ele: muita gente me falou - "cara, ele tava dando a entender que queria mesmo falar com vc... como vc manda uma pergunta dessas e perde ele?" Ora... era o João, gente. Ele tava lá de pé ao meu lado comos vcs viram. Mas vcs não viram o monte de jornalistas em cima das grades a seu lado, prontos pra atacar... bem como o povo dentro do carro dele puxando-o pelo terno para entrar... na dúvida, melhor mandar uma pergunta CQCística logo. E mais: quer coisa melhor que questioná-lo com algo que ele nunca imaginou? O resultado é a cara que ele manda e a sensação de incredulidade... isso não aconteceu. Mas rolou sim! E ainda é melhor que puxar o saco do papa da Bossa-Nova como outros poucos que já o entrevistaram antes, não?
Bienal do Livro: rolou minha palestra na quinta. Foi ótimo. Me acho sempre muito prolixo nessas horas de falar livremente. Mas curti pacaz. Ainda mais pq alguns de vcs apareceram lá e mostraram um interesse que entusiasmou a Sandra, nossa editora da Livro Falante, e eu ainda mais. Vamos fazer mais dessas, ok?
Amigos gravaram a parte em que mostro minha adaptação de "O Velho Diálogo de Adão e Eva", de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Vale ver.
Por fim: amanhã estréia o oitavo integrante do CQC. Vcs estão loucios para saber quem é. Mas em poucas horas terão a resposta.
Pra vc, meu amigo muito bem-vindo nesse time - que eu sei que lê esse blog - todo meu carinho, meus votos de sucesso e toda munha amizade! Vc já faz diferença aqui, e vc sabe. E sabe que já sou teu fã, ok?
Última coisa: estarei fora de 25-08, amanhã, até a quarta da outra semana. Não devo aparecer muito por aqui. Mas a causa é boa... as águas seculares de VENEZA me esperam para mil novas aventuras!
Dia da minha palestra na Bienal do Livro 2008. Como bem diz o site da Livro Falante (www.livrofalante.com.br):
A Livro Falante vai estar na Bienal do Livro de São Paulo que acontece de 14 a 24 de agosto no Parque Anhembi, das 10h00 às 22h00. Participe do evento Machado Digital, bate-papo com Rafael Cortez sobre Machado de Assis, que acontece no dia 21 de agosto, quinta-feira, das 20h30 às 21h30, no Auditório A da Bienal.
É isso, galera. Pequena palestra comigo falando sobre o processo de transformar 4 clássicos do Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Alienista e Quincas Borba) em audiolivros. Devem rolar pequenas canjas ao violão... e, depois do meu falatório, abriremos para perguntas da galera.
Todos vcs são muito, mas muito bem-vindos!
A propósito: 3 dos audiolivros já estarão à venda lá. Rolam autógrafos, hehe... e dia 30 de setembro tem a noite de lançamento exclusiva dos títulos na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo.
Uma coisa boa: tem ônibus gratuito para quem quiser ir à Bienal. Eles saem do Terminal Rodoviário do Tietê - estação Tietê do Metrô, linha azul - e te deixam na porta da Bienal.
E a Bienal é no Anhembi, e não no Ibirapuera. Ok???????
Ah! E são poucos lugares. Não se atrasem. E é de graça.
Li tudo que vcs me mandaram sobre meu último post. Recebi diferentes tipos de feedback - de gente puxando minha orelha e dizendo que "quem tá na chuva é pra se molhar" até múltiplos recados de solidariedade.
Agradeço a todos, todos mesmo que se pronunciaram. A grande maioria optou por se aprofundar bastante no tema e contribuir com ótimos textos. Textos que, inclusive, continuaram chegando no meu e-mail pessoal, orkut e pessoalmente. Até mesmo em Gramado, onde estive no final de semana, veio gente me procurar para falar do meu desabafo.
Lamento não me aprofundar mais no assunto. Cheguei a responder alguns de vcs em e-mails pessoais e em mais discussões acaloradas no meu e-mail. Mas sinto que agora precisamos partir pra outra; mudar o foco. Muitos de vcs acharam que estou de saco cheio, de mau humor, p. da vida com a galera que me prestigia, que me escreve, etc... não se iludam. Vcs ainda fazem parte de uma das grandes novidades de 2008 - sem todo tipo de carinho, assédio e motivação de vcs, não haveria esse blog como é hj... nem a repercussão do meu trabalho!
O fato é que teremos momentos para tudo. Foi preciso dar o toque e, mais que tudo, propor a discussão que tivemos. O saldo foi bem positivo e estou feliz de perceber que continuo reunindo gente motivada, crítica, contestadora e inteligente nesse espaço. Agora que já tratamos bem do tema, passemos a nos divertir.
Fui para Gramado gravar, como já citei. Vale um relato completo. Tento fazer isso amanhã, ok?
Por enquanto, deixo vcs com algumas fotinhos da viagem.
Um abraço
Rafa
Tutú e eu - cuidado, cidade...
No tapete vermelho com Eliana Pittman
Equipe - Roberto, eu e Tutú
... E todas as fotos aqui são de Marcelo Hausham... irmão do Roberto, nosso produtor, além de cara gente-boa e fotógrafo talentoso. Preservem o crédito, por favor.
Há algum tempo quero escrever sobre um assunto: a maneira com que as pessoas espectadoras de trabalhos televisivos, teatrais, musicais e artísticos de alguma projeção se comportam com quem faz parte dos mesmos.
Quem lê bem esse blog ou me conhece um pouco já sacou que tenho uma visão crítica acerca das pessoas que buscam a fama como finalidade, e não como conseqüência. Há quem saiba bem que uma das coisas que menos topo no mundo da mídia é o afã dos que querem ser famosos a qualquer custo.
Vcs já leram meus artigos sobre o povo que procura reality-shows na busca de uma vida fácil - à custa da promoção de trabalho artístico nenhum e bunda de monte. Já sabem que detesto a exposição desenfreada de egos nas festas populares, especialmente no Carnaval. E que sempre, sempre critiquei aqueles que chegam na grande mídia sem embasamento para contribuir com trabalho no meio; sem conteúdo, com cara bonita, corpo bom e nada mais.
Vcs sabem que sempre achei um porre as pessoas que estão no meio artístico sem ter nada a dizer – sem ter trabalho, sem ter cabeça, convencendo os outros que a vida no “show-business” é uma vida de glamour, de festas, de pegar geral e ganhar muita, muita grana (sendo que não é assim)...
Vcs sabem que acho que toda pessoa que passa a ser conhecida em rede nacional com um trabalho pretensiosamente artístico deve, antes de tudo, ser formadora de opinião. Que nos nossos tempos e na nossa terra é preciso se conscientizar que a maior parte da população não tem nada e vive na miséria... e que alardear uma vida de baladas, viagens caras e “bunda-lelês” de celebridades é um desserviço a muita gente – a menos que isso seja feito sob nova abordagem (de preferência crítica) .
Hoje parece que vale mais à pena tentar a vida no meio dos famosos do que cursar uma faculdade, levar adiante uma carreira de estudos, ser doutor ou ter uma excelente qualificação profissional. Ainda mais qdo há terreno para se fazer tanta apologia de fofocas, namoricos com gente gostosa, salários enormes e regalias mil, que é o que mais querem esses “artistas”... ainda mais quando a desigualdade social nesse país convence um pai da periferia de que seu filho pode ganhar muito mais jogando futebol profissional do que indo à escola... o que, de fato, não deixa de ser verdade.
Ainda que eu tenha críticas mil à mídia, ela é minha terra agora também. Aliás, antes de ser famoso eu já era jornalista. Formado e tudo. Logo, a imprensa já me é conhecida. E entendam: meu bode não é com a imprensa, ainda que parte dela não seja mesmo “do bem”. E, claro, por eu ser jornalista, tenho a tendência de defender a profissão e o meio. Não me irrita o segmento de revistas que fazem apologia de celebridades e sensacionalismo em cima dos egos – tenho amigos que precisam desses veículos para viver; eu mesmo já trabalhei com isso e sempre fui tratado com atenção e respeito por esses colegas... pq me coloco de forma atenciosa e respeitosa para conviver com quem me procura.
Para mim, o problema ainda é com as celebridades. Não com quem as divulga. Só existem veículos especializados em fazer apologia da vida besta de famosos porque há famosos querendo levar vidas bestas – e isso no Brasil, onde a vida do povo não é nenhuma brincadeira. O cara tem a opção de querer viver com princípios e cuidados ligados à própria imagem e ao público que o prestigia qdo chega lá em cima. E pode, sim, sobreviver com dignidade. Aliás, podem ver: os caras que mais permanecem ativos na profissão – e até mesmo na mídia - são os que sabem se preservar ou lidar maduramente com o meio. Mas há sempre a predominância do cara pop que não sabe ter bom senso como figura pública, querendo reproduzir a vida de astros internacionais sem ter a realidade dos países internacionais em sua própria terra.
Puxa, esse é o Brasil. É preciso ter cuidado antes de mostrar que se tem tanto e que se pode ser tão feliz, deslumbrado e esbanjador. Olha como as pessoas passam fome aqui, caracas!!!
Em resumo, minha visão é a mesma. Antes de criticar a imprensa, de criticar o sistema, de criticar o governo, sempre critiquei o cara que se utiliza da vida pública para se fragilizar e fragilizar o bonito da profissão do ator/ músico/ artista. Nesse ponto continuo o mesmo. A diferença é que minha forma de criticar hoje se vale do que faço no meu trabalho. E a diferença é que agora a bucha é maior, uma vez que tbm virei um cara público. E chegou a hora de dar o exemplo e não cair nos mesmos erros. E é aí que fica difícil pra caramba.
Logicamente minha vida mudou. Logicamente tbm erro. Vcs podem dizer que tive ou vou ter ainda comportamentos deslumbrados e extravagantes na vida pública. Mas eu vou errando e me corrigindo, que é um direito meu. Só que sem perder o foco no que eu acredito – por isso esse texto hoje.
Retomando o rumo da minha reflexão: o que eu quero abordar hoje aqui é um pouco diferente. Não mais o cara na vida das pessoas, mas as pessoas na vida do cara – que ajudam a justificar o que ele se torna.
Relações são construídas o tempo inteiro entre pessoas públicas e entre o grande público. Há um peso enorme no papel que o povo desempenha na vida dos que estão em evidência – esses mesmos que eu disse que podem ou não optar por um caminho sem inteligência, da fama pela fama, da extravagância e insensibilidade social.
Logo, o público tbm é responsável por construir seu artista. Público raso constrói artista raso. Público inteligente constrói coisa inteligente. Portanto, quero muito pedir aos amigos que já passaram a fazer parte da vida desse blog que reflitam sobre isso tbm. E, para tanto, vou dar dois exemplos de acontecimentos recentes que mexeram muito comigo.
Primeiro: há muito tempo uma garota me escreve no orkut, yahoo e aqui. Ela começou com essa coisa de “eu te amo”, “vc é lindo”, etc, etc. Confesso que acho esse papo meio estranho e não topo viver desse culto. Pode até me fazer bem às vezes ou fazer bem ao meu ego, mas não mexe comigo... não permite nascer uma amizade e enfraquece meu potencial de auto-crítica e ilude minha auto-estima. Eu não posso ficar “me achando”, e nunca criei uma relação que valorize só o chaveco... há espaço para chavecos sim, uma vez que isso é da minha pessoa e eu sou um cara solteiro, emancipado e tbm quero curtir. Mas tem horas em que a gente saca se o santo bateu ou não... e parte pra outra, não é?
Bem, essa garota me escreve todo dia. Sempre as mesmas coisas. Um dia eu parei de responder o de sempre – “valeu”, “obrigado pelo carinho”, “um beijo” – e lancei outra frente de relacionamento: coisa do tipo – “olha, não vai rolar... mas podemos ser amigos. Me conta de vc? Eu sou assim, assado, gosto disso, vamos falar de X e Y, etc, etc”... ou seja, dei abertura para que pudéssemos ser amigos. Vcs pensam que ela mudou? Acho que ela sequer leu o e-mail. Tanto que até hj não mudou uma vírgula. Continua agindo daquela maneira que convencionou como a mais ideal para ela – bajula, manda frases feitas, baba ovo, etc. Nunca mais respondi e nem leio mais. Me perdeu. E olha que coisa: eu dei abertura para mais que o que ela queria. A gente podia ser próximo, como hj de fato sou de algumas pessoas que conheci pelos cyber-meios e CQC. Tem quem possa hoje freqüentar as minhas rodas e contar com a minha cumplicidade. Mas tem gente que, assim como essa garota, não quer nada além da relação vazia da tietagem e das frases feitas.
E é justamente essa relação que prepara o terreno para o cara exposto ter uma postura de futilidade e descaso com seu papel de formador de opinião. Há um consenso de que as pessoas devem se comportar de maneira fanática algumas vezes, um tanto superficial em outras. O que une uma coisa a outra é uma trava em se criar mais do que o que todo mundo conhece nos contatos que foram ditados por alguém, um dia, não sei quem nem como e qdo, mas que valem como regra de conduta com gente pública.
Percebem? Onde começa o problema? Pq eu devo querer dar mais à garota que só quer me dizer frases feitas qdo eu quis abrir outra frente de relação? Outro cara pior pode se aproveitar muito mais disso do que eu... e é aí que começam os comportamentos criticados por mim.
O outro caso. Outra menina. Escreveu várias vezes, foi um dia ao CQC, tiramos fotos juntos, etc. Passamos a ter mais contato via orkut. Tava indo bem, conquistando um pouco mais minha confiança, etc. Ontem brigamos por e-mail porque ela leu coisas de mim que divergiam das que queria receber. Expôs-me um problema e eu dei minha opinião. Respondeu me dizendo que estava decepcionada, que não esperava aquela resposta... que eu parecia uma pessoa legal.
Aí escrevi uma resposta longa e contundente dizendo que ela precisava parar com essa história de idealizar... de idealizar a relação que a gente poderia ter, por eu ser da TV... de idealizar o homem e amigo que deveria me tornar para lhe dizer apenas as coisas que ela quer ouvir. E disse mais: que tenho certeza que enquanto eu tiver toda a paciência do mundo com as pessoas e fizer o que elas esperam de mim, lindo. Eu sirvo. Mas qdo entrar com minha opinião, contestar algo ou não me tornar disponível para algo, correrei o grande risco de ser muito mais lembrado como o cara ruim do que como alguém que tentou se impor tbm – ou mudar o trivial dessa relação empobrecida que se cria nos limites artista – público.
O problema é: existe uma expectativa idealizada em torno de algumas pessoas que parecem “inatingíveis”. Deve ser terrível ter de mudar sempre a opinião só para não magoar aqueles que acham que o cara só deve ser agradável, demagogo, solícito e simpático.
Se acredito tanto no papel de formador de opinião que defendi aqui, faço a minha parte pensando que posso ajudar a formar um pouco as pessoas. Através do meu trabalho, hoje com visibilidade... ou mais intimamente, com vcs desse blog, no orkut, no mundo da net. Poderia não ter gasto todo o tempo que gastei para escrever essas linhas e toda essa reflexão. Mas penso que o tema é bem propício pra se debater e que eu não poderia ficar em paz comigo mesmo se não fizesse meu papel. Espero que isso nos ajude a construir relações melhores daqui pra frente. E isso é mais abrangente do que o estabelecido nos limites desse blog.
Foi isso. Foi muito bom ter voltado a tocar.
Deu vontade de fazer mais. Deu aquela sensação deliciosa dos meus recitais
diabólicos de 2001 e 2002... de que dói demais toda a preparação, de que minutos
antes de subir ao palco vc só quer desaparecer dali e, na hora agá, vc ama cada
segundo. E quando termina vc só quer mais! E o melhor é saber que toda essa
descrição de atividade artística, com seus altos e baixos, é a mesma para todo
mundo. A Fernanda Montenegro descreveu em uma entrevista que sente todas essas
coisas... e há mais de 50 anos! Bom, não?
Pra encerrar, melhor que escrever e contar
pra vcs é deixar vcs com os vídeos de ontem. Gravados pelas meninas do orkut,
claro. Combinei de pagar 10 reais para cada uma delas gritar e aplaudir bastante
entre uma música e outra. Reparem nisso. Foda é que elas gritaram muito na hora
que fiz algumas piadas – de desgosto, não de prazer. Por isso que nem paguei
ninguém no final. Sacanagem!
Ta um pouco longe e vcs precisam relevar a
qualidade sonora. Digo do áudio, não a minha. Ah, e agradeçam à Débora
Tomaszewski pelos vídeos, ok?
Um abraço a
todos!
Ah, antes de ir... uma coisa: fui excluído
do orkut. Pelo próprio orkut, por um vírus, hacker, ou sei lá o que. Eu é que
não me mandei. Fui mandado. Fiquei puto pq esse direito de largar aquela bobagem
tem que ser meu, e não de um terceiro. De todo modo, para manter as relações com
vcs – chavecos, trocas de idéias e contratações para festas infantis – eu já fiz
um profile novo. Me encontrem e me adicionem.
Ontem rolou a minha apresentação com a Nancy Alves aqui em São Paulo, na Vila Mariana. Foi a primeira vez que toquei para um público desde maio do ano passado, quando apresentei umas 30 peças violonísticas durante um almoço para funcionários da Fersol, uma indústria de agroquímicos. Foi foda. Ninguém ouvia nada e eu ainda toquei de graça porque estava apostando numa experiência de fazer recitais em refeitórios de empresas e precisava dar uma “amostra-grátis” do meu trabalho. Ah, eles me deixaram comer lá depois de tocar e deram transporte de ida e volta...
Dessa experiência pra cá, toquei com outros músicos na peça do meu irmão Léo – um “Violonista no Telhado”, com seus alunos portadores de Síndrome de Down. Me apresentei tbm tocando uma ou outra coisa como trilha sonora de peças e eventos que fiz com a Alejandra Pinel, e por aí vai... mas essa coisa ritualística de sentar sozinho, ajeitar o violão e mandar peças solo, introspectivas, fazia tempo mesmo que não rolava.
Aí veio a Nancy. Uma cantora bacana que conheci um dia no busão. Tava loucão no meu mundo; olhando as coisas da janela e cantando, falando sozinho, fazendo mil barulhos com a boca. Eu geralmente faço isso qdo ando na rua, estou no trânsito ou quando tomo banho. Quem me viu em qualquer uma dessas situações ficou um pouco assustado.
A Nancy puxou assunto comigo naquele dia e perguntou se eu era cantor. Haha! Cantor? Ri muito... conversa vai, conversa vem, e descobri que ela sim era cantora... e era pesquisadora das influências da música brasileira na francesa, e da francesa na brasileira. Professora da Aliança Francesa, fã de Pierre Barouh e Francis Lai... opa! Aí eu gostei: eu tbm sempre fui fã desses caras... tanto que um dos filmes da minha vida é “Um Homem e Uma Mulher”, do Claude Lelouch, trilha do Lai... e adoro o documentário do Barouh no Brasil que tem a Bethânia novinha e o Baden muito feliz tocando com o cigarrão pendurado no dedo mindinho. Chama “Saravah!”.
Troquei e-mails com a Nancy. Mandei minha gravação de “Vivre pour Vivre”, do Lai, e outras coisas mais. Ela tbm mandou gravações, expôs idéias e ficamos amigos virtuais.
O tempo passou e a gente perdeu contato. Até que ela me reviu na TV e me escreveu de novo. Arriscou me convidar para fazer parte do seu show sem ter idéia se eu lembraria dela. Não deu outra: eu já tava afim de tocar de novo, ela tava afim de me colocar com ela tocando o “Vivre”... e topei. O que eu de fato não esperava era ser convidado a CANTAR junto – justo o “Samba de Verão”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle... puta clássico, pra ser feito por cantor mesmo... e não por mim, que só me arrisquei a soltar o gogó nas minhas peças teatrais!
Buenas, o show foi ontem. Tivemos só dois ensaios, um em cada sábado. Em ambos cheguei absurdamente atrasado por causa das minhas gravações. E em ambos eu gelei: os músicos da banda da Nancy eram muito feras! João Parahyba na percussão... esse cara é um monstro! Rudy Arnaud na guitarra e arranjos – um tremendo diretor musical. Piano de Beto Bertrami, um cara que pode acompanhar qualquer um fazendo solos maravilhosos.... e o baixo de Giba Pinto. E eu adoro baixo. Tocaria, se pudesse....
Fora que a Nancy é foda. Quanta presença de palco, sutileza, bom-gosto. Gente-fina demais. Não deixou de me motivar um minuto sequer. Ah, e teve a participação de uma atriz e cantora que já conhecia de uma matéria excepcional da Revista Piauí – Anna Toledo. Vai ter carisma e ser boa assim aqui em casa, haha!
Ontem fiz a passagem de som com a Nancy e o pessoal lá pelas 15:30. Levei a Carla, uma garota bacana que conheci pelo orkut e que tava afim de ver o negócio todo. De lá, fiquei na casa da Clau, minha prima e grande amiga. Passei de novo as peças e entreguei pra Deus.
Confesso que estava mais nervoso do que em outras ocasiões. Ainda mais qdo eu soube que parte da platéia – já lotada e cheia de cadeiras extras desde 10 dias antes – era de gente que me escreve no orkut, blog e que me conhece pelo CQC. Pra mim, que sempre fiz recitais para poucos amigos íntimos, familiares e transeuntes, é um tanto esquisito ver que agora tem gente è beça querendo me ouvir. E eu ando mais enferrujado tecnicamente, apesar de achar que tenho tocado com mais maturidade e sentimento. E rola aquele troço: será que as pessoas vão querer me ver tocar agora pq esperam que eu faça piadinhas, pq querem mais é tirar fotos, me ver de perto e pouco se lixam pro meu som? Será que querem ver se, como músico, sou um bom repórter do CQC?
Tenho muito pé atrás com essa recente afinidade das pessoas com minha parcela musical. Tô sacando bem qualé do povo que me escreve e me elogia, ou me pilha pra tocar e relançar o CD, pra ter certeza de que esse interesse é genuíno, é musical, e não norteado pela relação oportunista que a TV às vezes pode criar. A sorte é que até agora o saldo tem sido bom: tenho visto muita verdade no feedback do povo, no que falam das minhas músicas, no que acham do meu som. Melhor assim. Isso só me motiva mais a querer dar um recital completo antes de novembro.
Em resumo: a galera do orkut foi sim. Mas foi pra mandar axé, pra lançar coisas boas no palco, pra me acolher carinhosamente. O barato é que algumas pessoas foram dar mais que energias positivas (sem malícia, pervertida galera!). Recebi presentinhos, cartas e até um pedido de beijo, haha!
Quando a Nancy anunciou minha participação e me chamou pra subir ao palco, nem ela sabia se eu estava mesmo presente. Como de praxe nessas ocasiões em que toco, fiquei recluso e concentrado antes de ser chamado. Sem povo, sem auê, respirando bem no meu canto, aquecendo minhas mãos e pedindo proteção pros meus amigos do plano espiritual. Tudo isso faz parte de um ritual que sempre me foi sagrado; que é tão ou mais importante que o ato de me apresentar. E é sensacional e funciona.
Uma das coisas de que mais gosto quando toco é a sensação de subir no palco e sentir uma energia acolhedora. Ela vem das pessoas e de algo que não é desse mundo, que não é humano, que tem relação direta com os nossos anjos da guarda, com os espíritos de luz que protegem os artistas, com as vibrações que emanam dos tablados cheios de história e da vibração de outros artistas. Já passei por situações malucas em apresentações musicais e teatrais. De subir pra fazer “Os Saltimbancos” sem um fio de voz, com o corpo quebrado, com o saco na lua... e virar um gigante! De travar os dedos de frio na hora de tocar um Bach e sentir um calor interno movimentando tudo.... e até de ter grandes brancos em passagens musicais difíceis e, sem ter nenhuma idéia do que fazia, tocar tudo lindamente. Quem vai me dizer que não são os protetores do outro lado e a energia do povo que dão o tom nessas horas?
No entanto, essa proteção energética a que me refiro é legítima e não pode ser menosprezada. Tem que levar a sério. Fazer a sua parte e subir pra tocar e atuar com verdade, com interesse, com comprometimento. Ontem eu saquei toda essa vibração assim que me sentei e toquei “Vivre pour Vivre”. Saiu como eu queria e me senti inspirado. No entanto, antes de tocar minha música “Naquele Tempo” me empolguei em fazer piadinhas (ruins) com a platéia – que tava receptiva – e estudar uma porção “stand-up comedy” da minha pessoa (ora, se o Danilo faz e é tão mediano, pq não eu? Hahaha!!). Não deu outra: saí da esfera que eu mesmo tinha criado e pedido para mim e comecei a tocar sem aquela verdade e energia de antes. Isso pq esse manto de vibrações a que me refiro não é bobo: sabe que, se usado oportunamente ou sem paixão, não serve de nada. E vai-se embora e não volta.... e coitado do cara que fica ali no palco.
No entanto, acho que recuperei a música. E depois a Nancy subiu e cantou comigo – e fez a parte dela tão bem que convenceu aquela coisa solene e boa toda a voltar pra cena. Bem, e eu posso dizer – sem falsa modéstia – que até que não cantei mal... rolou afinação e presença, apesar de alguma timidez vocal. E como não tê-la? Minha referência é a Nara, que chegou a se apresentar de costas para a platéia. Logo, tô no lucro! (CONTINUA...)
Estou escrevendo da Band porque meu computador está na Assistência Técnica... sim, peguei um vírus de alguém que me mandou alguma coisa pelo orkut... eu, bestão, abrí várias porcarias... mas agora vou radicalizar: não abro mais nenhum anexo, link, etc, etc!! Argh!
Bem, isso explica meus sumiços. Isso e as pautas, viagens pelo CQC e ensaios. Ah, e acho que o fato de eu estar escrevendo daqui da Band responde uma dúvida que muita gente me lança pelo blog: venho no Ao Vivo sempre que posso. Assisto da platéia qdo dá, mas nem sempre consigo e nem sempre sei qdo é que estarei presente.
Três coisas breves e importantes:
- Quem quiser assistir ao show da Nancy Alves precisa correr: o lugar é pequeno, intimista, e dos 80 lugares disponíveis só tem mais 30. Liguem lá e tentem reservar. Sei lá se dá... mas tentem mesmo, pois não haverá outra canja como essa... Ensaiei com ela sábado e achei bem duvidosa minha parcela cantor, hehe... o tel do lugar é (11) 5572-5363. Site: www.erealizacoes.com.br
- Tive de remanejar a data de minha palestra na Bienal do Livro. Não será mais dia 23 de agosto, sábado, e sim dia 21 de agosto, quinta, às 19:30. Mil desculpas a quem já tinha se organizado. Foi preciso, por conta de uma pauta sensacional do CQC. Que não conto qual é. Nem a pau!!!
- Por fim... galera... esse lance do Danilo cobrir minha noite de autógrafos em 30 de setembro era uma brincadeira... achei que vcs iam entender isso, poxa... haha! Dei boas risadas vendo a expectativa de vcs. Mas, que eu saiba, o CQC não vai cobrir meus lançamentos não...
Que mais?
Ontem fui ao teatro e estou morrendo de vontade de escrever mais sobre essa bela arte.
Mas farei isso de casa, assim que meu virulento computador regressar são e salvo!
Como prometido, começo a divulgar algumas coisas legais que estou fazendo paralelamente ao CQC. Bem, coisas que vcs já estão cansados de ler por aqui, mas que - até então - ainda não tinham se concretizado em apresentações.
Tenho três convites imediatos a vcs. Darei mais detalhes de cada um à medida que as datas forem se aproximando:
08 de agosto, sexta, 21hs, no Espaço Cultural É Realizações - canja minha no show da cantora Nancy Alves. Ela tem um trabalho bem bacana que mescla a música brasileira (bossa-nova em especial) com a música francesa. Lá, depois de séculos sem me apresentar publicamente, tocarei uma peça solo ao violão: meu arranjo de "Vivre pour Vivre", de Francis Lai. Em seguida, mando o "Samba da Benção", de Baden e Vinícius - solo no começo, com a banda depois... e, pra deleite de quem apostou que eu nunca cantaria em show, termino dividindo a canção "Samba de Verão", de Marcos Valle, com a Nancy. Só no gogó. Haha!!
23 de agosto, sábado, 19hs, na Bienal do Livro de São Paulo - minha palestra, seguida de debate, com foco nos audiolivros de Machado de Assis. Tema: "Adaptando Machado aos Novos Tempos". Vale destacar que tocarei algumas de minhas peças, ao violão, ao longo do papo.
30 de setembro, terça, 19hs, na Livraria da Vila da Alameda Lorena - noite de autógrafos por conta do lançamento dos áudiolivros. Deve ter até coquetel e o Danilo Gentili cobrindo tudo pro CQC, haha!
E, em outubro, prometo: antes de completar 32 anos darei o tão prometido recital de violão.
Esse blog passou da marca de 100 mil visitas. Sim... acabo de ver: foram 100.444 entradas aqui.
E pensar que, de março de 2007 - qdo ele nasceu - a março desse ano, tive 1000 acessos. E as coisas eram lidas mais pelos mesmos amigos de sempre, pelo meu pai e familiares... e hj, quem diria: é tanta gente aqui que eu mesmo nem dou conta mais. Volta e meia entro e vejo como vcs mesmos já se apossaram dessa página como ponto de encontro, chat e local de papos e fofocas. Nada disso me irrita; pelo contrário. Que bom mesmo que vcs aparecem aqui em casa e fazem a sala mesmo qdo o anfitrião desaparece!
Domingo último eu reencontrei grandes amigos que atuaram comigo em uma peça que fiz no ano de 2003 – Francisco e Clara, o Musical.
Algumas pessoas já me perguntaram aqui e no orkut porque ainda não comentei dessa peça. Vale o fato de que não tenho muito a dizer sobre ela... ela era o produto do tesão de muito mais gente do que eu só, e não consegui me relacionar com tudo o suficiente a ponto de criar uma identidadegrande com a mesma ou a ponto de valer um relato completo nesse blog.
Fora que tem outra... não falo muito para preservar alguns dos grandes amigos que fiz em cena com o trabalho - uma vez que - é fato, e eu sempre assumi - não gostava da encenação como um todo. Já coloquei que sempre achei o texto fraco, a direção incompleta, vazia, e as atuações – minha inclusive – sofríveis. Mas de nada adianta ficar falando mal artisticamente do trabalho, uma vez que ele cumpriu muito bem tudo a que se propôs realizar – agregou pessoas, comoveu muito a Melhor Idade e fez nascer amizades enormes, daquelas que a gente não esquece. Bem, e parte desses bons amigos se reuniram para um jantar daqueles na véspera da segundona.
Aí me contaram o seguinte: o Philipe Levy morreu.
Coitado do Philipe. Ele era um ator das antigas mesmo; daqueles que começou a carreira qdo eu nem estava no saco do meu pai ainda (como diria o Rafinha Bastos). Nenhum de vcs deve saber quem ele era. Mas se vcs verem uma foto dele, certamente dirão: ah, tá! Eu o conheço! E pode ser através dos Trapalhões na década de 80 e algumas reprises da década passada... pode ser através da série televisiva Bronco, que ele fez ao lado do Golias e da Nair Belo. Ou talvez quem se lembre mesmo dele sejam seus pais – algum deles deve ter visto uma das dezenas de atuações do cara entre os anos de 1971 e 1999 (que são os que foram mapeados pela wikypedia, onde ele aparece com o nome de Felipe Levy e nem consta ainda que ele já faleceu). Em resumo, o Philipe fez coisa pra caramba na TV, Teatro e Cinema. E eu atuei com ele e posso dizer: ele se amarrava nisso.
Quando eu o conheci, em 1998, ele já estava cansado, velho e um pouco esquecido. Um pouco não. Bem esquecido. E justiça seja feita – quem lhe dava trabalho e ainda resgatava sua dignidade era o diretor e ator Evê Sobral.
O Philipe tinha um quadro de piadas dentro de um programa de TV do Evê que ia ao ar pela Rede Mulher e TV Gazeta. Era engraçado. Ele contava as piadas e as terminava com uma cara séria e meio incrédula. E eu e outros estagiários da produtora tínhamos de ficar no estúdio rindo de tudo, pra reforçar o coro de risadas que ia ao ar. Nada maus o trabalho. Mas o Philipe terminava de gravar e ia embora ainda mais sizudo, ainda mais introspecto. Parecia um ser mal-humorado demais. Mas era um cara amável qdo conhecido de perto – e um tanto calado e sério porque já tinha tomado porradas demais na carreira de ator.
Um cara como ele, que viu as coisas no apogeu, que viveu o cinema de pornochanchadas da década de 70, foi um quinto ou sexto Trapalhão, conviveu com os grandes da Sétima Arte no passado, etc, etc... era natural vê-lo sempre um pouco frio, amuado e rancoroso com a realidade de seu esquecimento. Ele sempre foi uma prova viva de que tudo na carreira de um ator passa – e pode passar rápido. Que todo glamour vivido na base do reconhecimento do público pode esvair-se em questão de poucos meses ou anos depois. Basta que a poeira da mídia baixe. O ciclo do artista entra em outro movimento.
É com base na história de pessoas como o Philipe que sei que não posso me deslumbrar com nada; que não posso acreditar em nada – e que sei bem que poucos de vcs estarão aqui comigo quando eu mesmo entrar na outra fase do meu ciclo de ator para, em seguida, voltar à atual... e assim por diante, como sempre foi na nossa profissão.
O Philipe fumava muito. Isso o envelhecia demais. Mas ele não parecia ter muitos prazeres além desse e além de encenar. Era colocá-lo pra gravar ou subir em cima de um palco e a coisa mudava de figura.
Lembro quando atuamos juntos no Francisco e Clara. O Philipe já tinha envelhecido ainda mais, e precisava de bengala pra andar. Tinha os gestos trêmulos, os passos lentos, um cansaço existencial. Mas na cena em que contracenava com o Joilton Costa – ator de 23 anos de idade – era ele que parecia moleque. Corria, se equilibrava, fazia caras e bocas e arrancava risos de todo mundo – até mesmo dos mais críticos e mais chatos, como eu.
Era impressionante a vitalidade dele em cena. Lembro que vi “O Avarento”, última peça do Paulo Autran, já beeeem velhinho... e lembrei do Philipe. Que danado o teatro! Como ele pode fazer com que as pessoas rejuvenesçam tanto quando sobem em seus metros de tablado... de onde vem essa energia que transforma os corpos cansados em acrobatas quando há uma platéia?
O Philipe adorava improvisar. Era um barato – mas ao mesmo tempo arriscado para ele. Em pouco tempo, sua capacidade de criar cacos e propor novas situações começou a ofuscar alguns egos em cena e a criar inseguranças no elenco: o que esse cara é capaz de fazer? Pode comprometer o texto e o andamento da peça...
Um dia ele fez uma coisa maluca: sem prévio aviso, em plena cena que fazia com o Joilton, trocou de personagem com ele. Pegou o microfone do cara e cantou sua música. O Jô, que sempre foi bom ator e era espirituoso, entrou na brincadeira. A platéia veio abaixo, e o elenco tbm. A gente correu das coxias para o canto do palco e ficou assistindo e rindo. Que genial o Philipe!
Mas a brincadeira custou caro para ele. Teatro é coisa séria e tem regras; foi nessa que o Philipe dançou. Ele já vinha se indispondo com a direção e acabou saindo da peça. E a gente, do elenco, ainda tomou uma carcada geral do diretor no day-after da brincadeira. Forma de evitar novas criatividades mal-vindas ao longo da encenação.
Lembro que um dia o Philipe foi sozinho ver a gente. Ele já não estava no elenco, e sequer havia sido convidado a assistir lá no dia. Sentou na primeira fileira e criou uma sensação hiper tensa para todos nós. Ele está no teatro, está triste, que fazer? E o cara que o substituía então? Que barra para ele. Fomos orientados a agir naturalmente e dar até uma ignorada no velho ator, uma vez que tudo parecia ser uma forma de chantagem emocional dele para com a direção da peça. Mas foi bonito, porque nós todos – elenco e músicos da peça – combinamos de fazer o espetáculo daquela noite para ele, ainda que não pudéssemos textualizar nenhuma forma de homenagem. Foi lindo, porque cada fala de cada personagem – exceto um ou outro – procurou por ele na fileira A do Teatro, de onde ele assistia tudo com lágrimas nos olhos. Em uma ou duas vezes, principalmente na cena do seu solo, ele chorou de verdade.
Depois disso eu tbm saí da peça e nunca mais soube do Philipe. Exceto o que sempre nos vinha à tona: o Philipe está desempregado, sem grana, e agora está com problemas ligados a um dos filhos. Nem cabe comentar aqui. É fofoca, e é menor do que a grandiosidade do que aquele ator podia ser. Menor do que ele era quando mostrava que podia ser um menino travesso no palco. Tudo era menor quando o Philipe atuava porque ele amava demais tudo aquilo – ele só queria, como qualquer um de nós, seu devido respeito e reconhecimento.
Aprendi coisas bonitas com o Philipe Levy. Quem diria, ele? Tinha tudo pra ser encarado só como um fanfarrão. Como o cara que ficava brincando de gemer atrás de mim na cena mais triste e silenciosa da peça, onde todos atores estavam em cena e era preciso mostrar uma tristeza fora do comum. E eu parecia sempre o mais afetado com a situação, já que vivia chorando compulsivamente. O que ninguém sabe é que eu estava tendo crises homéricas de riso, já que o filho da mãe do Philipe ficava gemendo e cochichando coisas atrás de mim só pra me fazer rolar de rir. Logo, eu disfarçava as gargalhadas histriônicas com falsas crises de choro, haha!
Pobre Philipe Levy. Um beijo grande pra vc e mil palcos mais na imensidão do seu céu de ator!
Tenho um pedido pessoal a fazer a cada um de vcs nesse blog - ou, ao menos, para os que moram na cidade de São Paulo.
Vcs DEVEM assistir aos espetáculos da Cia. Cênica Nau de Ícaros. A Nau de Ícaros é um grupo de Circo/ Teatro e Dança Contemporâneo; uma reunião de gente criativa, vibrante, multimídia e especial. Eles estão com dois belos trabalhos em cartaz na capital, no Shopping Eldorado... e completaram recentemente 15 anos de uma pesquisa muito séria e especial, onde ganharam um monte de prêmios, se apresentaram em diversos países e criaram uma assinatura especial no mercado das (boas) artes do Brasil.
Falar da Nau não é nenhum sacrifício para mim. Como sei que meu blog agora está sendo bem visitado e que foi selecionado para discutirmos assuntos como arte, não posso perder a oportunidade de apresentar o grupo para vcs. E de reiterar meu amor pelo trabalho que essa trupe faz; reiterar minha gratidão por tanta coisa boa que eles me deram ao longo de 10 anos - e falo dos trampos, das festas, das oportunidades artísticas e dos amigos pra vida toda.
Trabalhei com a Nau de Ícaros nos anos de 98 e 99. Depois, voltei para eles em meados do ano 2000 e continuei por mais 3 anos. Foi com eles que conhecí metade das coisas que gosto hj - até porque essa metade vem deles, do esforço e talento de cada um, da criatividade e direção do Marco Vettore, do amizade do Alvinho... e por aí vai.
Na Nau eu era produtor. Mas ataquei várias vezes como músico. Não esqueço das festas Ultreya que produzimos juntos, e das múltiplas canjas que dei lá... do sapateado flamenco de um dos atores no teto do Galpão deles, enquanto eu tocava altos rasgueados... do meu solo de violão ilustrando as performances no trapézio e tecido do casal europeu Vega e Lôla, junto com um guitarrista de rua... e de tantas coisas mais.
Ainda que hoje eu não esteja em cartaz como ator ou músico, digo com o maior orgulho que a Nau de Ícaros é o meu grupo de coração. Sou integrante também e sei que eles me acolhem com o maior carinho sempre - e que são os meus maiores fãs e grandes amigos. Em resumo, colegas, a Nau é do caralho... e eles estão em cartaz com um espetáculo infantil e outro adulto.
Poderia dizer muitas coisas sobre ambos trabalhos, uma vez que assisti cada um várias vezes e contribuí um pouco em cada um. Mas quero que vcs tirem suas próprias conclusões vendos trechos deles nos vídeos que estão abaixo:
O espetáculo adulto, "De Um Lugar Para o Outro" tem direção de José Possi Neto. Coreografia de Miriam Druwe. É um show para os olhos e ouvidos. Do caralho!
De 04 a 27 de julho - Quinta a sábado, às 21hs. Domingos, às 20hs.
Duração: 60 minutos
Idade Mínima: Livre
IMPORTANTE: A temporada do espetáculo "De um Lugar para o Outro" é patrocinada pela Viação Cometa. Há uma baita promoção pra quem tá fora de São Paulo. A Cometa te leva "De um Lugar para o Outro". É só apresentar uma filipeta de divulgação juntamente com uma passagem Cometa (de junho ou julho) na bilheteria do teatro, com uma hora de antecedência ao início do espetáculo, e trocar por um par de ingressos gratuito. Essas filipetas estão disponíveis nos pontos de venda da Cometa no Estado de São Paulo.
Ainda no mês de julho: "Cidade dos Sonhos".
Sábados e Domingos, às 16hs - espetáculo para toda a família
Os dois trabalhos estão em cartaz no Teatro Copa Airlines (800 lugares) - Shopping Eldorado (3o piso).
Avenida Rebouças, 3.970 - São Paulo - SP/ telefone - (11)4003-2330
Pois é, mas voltemos à Paraty. Toda essa coisa de refletir sobre a Flip, que me levou a falar sobre inteligência, nasceu de um único fator: estava em Paraty e a cidade estava em festa – uma festa culta, por isso a reflexão.
Os audiolivros estavam à venda na Livraria da Vila que foi montada na cidade. Não deu pra fazer nada por eles – nem um eventinho com o intérprete (eu), nem um papo com o público, nem um encontro com a editora. Em parte, a culpa é minha. Eu só soube que iria à Paraty na própria sexta. Não deu tempo de organizar nada com a Sandra Silvério, de criar qualquer buchicho. Ok, mas isso só nos motiva mais a fazer bem os lançamentos em São Paulo.
O fato de não poder fazer muito pelos meus títulos em Paraty não brochou em nada a viagem. Começa que eu estava bem acompanhado: fui de ônibus com o Diego Barredo, diretor do CQC (olha a puxada de saco, chefe!! Haha!!) e com a Carol, namorada do André Rodrigues, roteirista do programa.
Lá, nos reunimos com o André. Ele já tinha descolado um lugar bacana pra gente ficar. E encontramos o Tas, claro. Foi gostoso conviver um pouco com ele fora do programa e aprender ainda mais coisas a seu lado. Nem vou me estender porque vai parecer babação de ovo, sendo que nem é. Ele merece cada elogio. O Tas estava com a Luiza, sua filha mais velha. Uma figura. Toda engajada, inteligente e fanática por seu celular. Em Paraty ainda estava o André Mascarenhas (outro produtor do programa) e a Thais, sua namorada. Foi com essa turma boa que nos reunimos numa mesa de bar no meio da rua e passamos parte da tarde.
Essa foto de Marcos Serra Lima saiu no site do EGO na Globo.com. Diz assim: "Marcelo Tas e seu companheiro do programa “CQC” Rafael Cortez reuniram amigos na tarde deste sábado, 5, numa mesa animada na Rua do Comércio. Depois de mediar a mesa “A Mão e a Luva” com Neil Gaiman e Richard Price, Tas encontrou com a turma para um almoço descontraído na rua mais agitada de Paraty." O engraçado é que a foto registra o único momento em que nenhum de nós parece descontraído, haha! Na imagem vcs tem, em sentido horário: eu, Luiza (filha do Tas), Tas, Diego, André Mascarenhas, Thais, casal de amigos do André Mascarenhas, André Rodrigues e Carol
Foto: Marcos Serra Lima
Noite de Paraty e breve reflexão correspondente
A noite de Paraty; que maravilha... coisa que não acontece mais em nenhum lugar de São Paulo, ainda que a gente tenha aqui a Vila Madalena e sua boemia. Gente bebendo, cantando, tocando e dançando nas ruas. Me lembrou uma fase rara da década de 90, quando eu era adolescente, quando ainda se podia celebrar a vida noturna no meio das calçadas do meu bairro. Agora há a Lei Seca. Os bares fecham 01 da manhã. Só se entra na vida louca das madrugadas se o local tiver o devido isolamento acústico – o que poucos tem. Em resumo: se o Vinícius de Moraes estivesse vivo hj ele estaria ferrado.
Eu adoro eventos de rua. Pra mim, baladas nas calçadas sempre foram as mais tentadoras. Essa coisa que tinha no Morro do Querosene, a Festa do Boi, em Sampa. Que não sei mais se tem em algum lugar da Lapa ou em Santa Tereza, no Rio, uma vez que não tenho mais freqüentado a vida noturna carioca. Isso que eu conheço como Ultreya, festa que produzi na Cia. Cênica Nau de Ícaros, tbm na minha cidade, por alguns anos – começava na rua com Maracatu e depois culminava numa balada que ninguém mais viu igual dentro de um grande galpão. Que saudade.
Não sei do resto do Brasil. Talvez vcs possam me contar. Mas me dei conta de que São Paulo não pode mais, ainda que queira, incorporar os emaranhados da cidade às manifestações culturais que querem viver nela. Não dá mais. Antes vc podia contar com um Cortejo de Maracatu na Pompéia no final de semana, ou com uma balada onde uma rua era fechada pra galera dançar. Tudo mudou demais. A megalópole cresceu muito e todo mundo precisa se respeitar – até porque tudo envolve gente demais hj, uma vez que se descobriu que toda e qualquer coisa mais descolada da cidade é... a coisa mais descolada da cidade!
É óbvio que, à medida que uma cidade cresça, ela incorpore novos hábitos e disciplinas. Mas a identidade cultural da minha cidade mudou demais. Ela, que viu as festas de rua; as marchinhas carnavalescas da década de 40; os blocos de samba que minha mãe descreveu na juventude. Hoje SP confina gente em casas noturnas apinhadas de gente, sem personalidade, sem carisma. E sem democracia nenhuma, já que não é todo mundo que pode pagar uma entrada de 20 reais ou uma consumação mínima (proibida por lei, inclusive) de mais 15 ou 30 pilas. Em resumo, que pena.
Mas em Paraty deu pra curtir um pouco do que era referencial de baladinha boa pra mim quando eu tinha entre 16 e 23 anos. Eu me senti com uns 18 anos novamente. Comprando cerveja dos ambulantes, entrando em rodinhas de galera, cantando junto com o povo e flertando com as mulheres do sambinha. Teve até historinha boa pra contar depois.
Por fim...
Por fim é isso. Menos é mais ainda, lembram? De um simples final de semana em Paraty dá pra extrair tanta coisa. Que bom que eu terei muitos outros dias assim ao longo da vida.
Quinta-feira já. E eu tenho coisas a escrever desde a outra semana. Vontade de falar como fiquei feliz de ver a cara da Ingrid Betancourt soltinha da silva, gorducha e feliz... ainda que tenha, como tantos outros, dúvidas grandes acerca da operação que a libertou. Vontade de comentar e-mails e críticas que recebi... de falar de um show que fui na terça, etc, etc... e por aí vai. Mas vamos por parte, como diria Jack, o Estripador (essa é velha).
O que mais me deu vontade de dividir com vcs foi a viagem maravilhosa que fiz à Paraty no último final de semana. Como vcs sabem, dois de meus audiolivros (“Dom Casmurro” e “O Alienista”, de Machado de Assis) já saíram. E foram lançados na Festa Literária Internacional de Paraty sem maiores alardes. Mas beleza... isso serviu de pretexto pra dar um pulo na cidade.
O mais difícil agora é conseguir garantir dias livres pra viajar ou fazer qualquer coisa que envolva o tal “papo pro ar”. Vcs sabem que o CQC é um programa jornalístico, de abordagem cômica, e que – como qualquer trabalho de jornalismo – envolve matérias quentes. Logo, a gente raramente sabe o que vai gravar e quando o fará. Por isso é difícil viajar de boa, tirar uma folguinha, agendar isso com antecedência, etc.
Mas deu certo. Consegui ir à Paraty na noite de sexta última. Saí de lá domingo no fim da tarde. Apenas uma noite lá. Mas foi sensacional!
Paraty
Sim... isso é Paraty!
Começa que a cidade é uma das mais lindas, mais incríveis e de melhor astral entre as que já conheci. E que com o grande evento literário que abriga uma vez ao ano só melhora. O que já é bom engrandece. As pessoas ficam num astral ótimo, em meio a uma coincidência de belezas e energias boas. Fazem um contraponto às casas antigas e bem conservadas, erguidas em ruas de pedra que sempre te dão a sensação de que vc bebeu mais do que devia (experimente se equilibrar nos paralelepípedos depois de tomar umas cachaças ou depois que chove... haha!). Há montanhas em volta da cidade, daquelas bem verdes mesmo... e elas ficam bem equilibradas com aquele marzão de um azul que só as águas cariocas tem, de onde se pode ir a outras praias sensacionais. É o caso de Pouso da Cajaíba, lugar que me obrigo (como se fosse obrigação, hehe...) a visitar uma vez por ano, pelo menos.
Paraty tem dezenas de lugares que fazem a festa de pessoas de todas as idades. A Melhor Idade se encanta com os cafés coloniais deliciosos. As mães se apaixonam pelas casas de artesanato. Os pais, pelas belas outras mães que por ali passeiam. Os jovens podem ter certeza que vão tomar umas geladas magníficas assim que quiserem... bem como paquerar à vontade. E as crianças tem parques, praias, casas temáticas e brinquedos nas ruas. Ou seja, é uma das cidades mais democráticas que já vi.
Flip
A Flip ainda é um pouco seletiva sim. Ao menos se considerarmos que o custo de uma viagem à Paraty num final de semana do evento não é dos mais convidativos... ainda que a programação seja “ecumênica”, o que acaba arrastando mais a classe média do que o povão ainda é o que se paga pela rede hoteleira e gastronômica da cidade. Vi no blog do Tas um cara reclamar que a Flip é elitista; que não representa o povo mesmo. Falou, por exemplo, que o Ferréz nunca iria ao evento; que nunca o Ferréz tinha ido lá (o que, por sinal, não é verdade). No caso desse comentário específico, o cidadão se queixava da programação do evento e do distanciamento que impõe às camadas mais simples da sociedade. Mas só indo à Flip mesmo para entender que não é ela em si que cria abismos entre as classes sociais... mas o fato de acontecer em uma cidade que vive do turismo e que se caracterizou por receber turistas mais abastados.
O evento literário de Paraty é bem democrático. Há livros de todos os gêneros e com diferentes abordagens e erudições. A menos que a pessoa tenha problemas com livros ou que não goste mesmo de ler, a Flip é o que há de inteligente e é o que há quando se fala em conquistar essa inteligência. Para mim é um pouco raso dizer que o evento é elitista por reunir uma nata pensante e uma gama de autores contemporâneos mais inacessíveis ao povão. É preciso que se diga que o homenageado deste ano na Flip foi o Machado, nosso maior autor brasileiro. E que os livros do Machado são lidos até mesmo nas escolas de periferia do nosso país.
Agora, quanto ao cenário atual da literatura mundial, é outra coisa. Se vcs quiserem um panorama detalhado do que foi esse evento, quem são os caras, o que abordam seus livros, como foram as mesas na cidade com eles, etc, aconselho que leiam o Blog do Tas. Ele foi um dos mediadores convidados e fez a cobertura pelo UOL em seu blog. Ele sim pode falar sobre o novo cenário e criar as devidas reflexões. Já eu... não me envergonho em dizer que estava na Flip assumindo minha ignorância em relação à escrita dos dias atuais. Não me envergonho em assumir que sou um fã ardoroso dos clássicos, que gosto de reler os livros da minha infância e juventude, que trabalho com Machado de Assis, que sempre curti os mesmos filmes, livros e músicas. Mas o que vale é que não me distancio deles; não sei muito sobre Neil Gaiman e Stoppard, mas não me distanciei da literatura que conheço e que me encanta. E essa, como outras, estava na Flip. Logo, lá se pode reunir gente de todos os tipos de inteligência – desde que a maior delas seja a afinidade com livros.
Breve tratado sobre a inteligência
E por falar em inteligência... quero dizer a vcs que eu percebi bem minha ignorância na Flip. Haha, engraçado isso... eu me gabo às vezes de ter uma pegada mais elaborada nesse blog, de querer falar bonito, de me sentir culto e t