Blog do Rafael Cortez

15/02/2007

Gianfrancesco Guarnieri

Como já disse aqui, aluguei a minissérie Anos Rebeldes, da Globo, em DVD. Estou revendo em doses homeopáticas. A edição da Globo traz um compacto dos capítulos. Isso irrita um pouco às vezes, pois há muitos cortes abruptos bem quando vc começa a se envolver com as cenas... bem, mas um momento em especial chamou minha atenção. É uma cena em que o grande ator Gianfrancesco Guarnieri descreve como foi a repressão da polícia aos estudantes que saíam da missa de sétimo dia do estudante morto no Rio de Janeiro em confronto com PMs (o jovem Edson Luis, de 18 anos... lembram disso?). Ele fala dos padres que saíram na frente tentando proteger as pessoas... e dos militares montados nos cavalos, que batiam os cascos no chão. É coisa de mestre. O Guarnieri fala e começa a ficar com os olhos marejados. O lábio inferior dele treme e vc se arrepia da cabeça aos pés com sua interpretação. Qualquer um pode estudar teatro e se esforçar para fazer uma cena dramática... mas o lábio que treme espontaneamente é do artista, e não do ator. Muitos são atores, muitas são atrizes. Mas artistas são poucos. O Guarnieri era um dos melhores. Sempre fui muito fã dele. Na minha pré-adolescência, ele estava sempre na tela da TV Cultura, fazendo o carismático avô do Lucas Silva e Silva, no Mundo da Lua. Depois, mais velho, eu vi Eles Não Usam Black-Tie, o filme, no vídeo-cassete. E fui descobrindo primeiro a produção musical do mestre, herança de muitos trabalhos teatrais, e, depois sua contribuição mais que significativa para as artes cênicas. Ainda não conheço bem a obra dele, mas sou muito fã. Meus amigos da Nau de Ícaros tiveram o privilégio de trabalhar com ele na Belíssima, sua última novela. Lembro que eu morria de inveja deles por causa disso, e sempre perguntava como estava “o velho”. E eles traziam notícias cada vez mais tristes do estado de saúde do Guarna, até que um dia, por fim, ele saiu de cena. Lamento tanto não ter conhecido antes o artista... e conhecer apenas tantos atores e atrizes.

Por Rafael Cortez às 16h03

Anos Rebeldes

Aluguei a minissérie Anos Rebeldes, da TV Globo, em DVD. Eu tinha escrito um monte de coisas nascidas do paralelo que fiz entre a série, exibida em 1992, e o impeachment do Collor (sendo que eu fui nas principais passeatas). Depois, fiz uma análise da juventude daquela época (onde eu mesmo tinha 15 anos) em comparação com a atual e a da época dos meus pais, em plena ditadura militar. Meti o pau na nossa juventude de hj (que eu já nem faço mais parte) e tbm meti o pau na juventude de 92, a minha, e no estereótipo que foi criado em torno dos "caras-pintadas".... adolescentes que diziam amar demais o país a ponto de pintar as cores da bandeira nacional na cara, apesar de ignorar a história real do país - aceitando a versão tradicionalista e burra dos colégios - e aceitar todo tipo de enlatado consumista americano. Eu falava, no texto, que a minissérie tinha manipulado a juventude, e que muitos amigos meus eram hipócritas ao fingir que estavam nas ruas sabendo exatamente o que era o impeachment, o que estava acontecendo, pelo que estávamos brigando... ignorando o fato de que havia todo um jogo político, toda uma manobra de interesses, e que a juventude burra era, como sempre, cobaia. No texto, eu reiterei que era A FAVOR do impeachment, CONTRA o Collor e OTIMISTA com as manifestações e mudanças. Mas admiti que eu mesmo não tinha muita consciência das coisas mas que, mesmo assim, me senti idiota ao ser rotulado de "cara-pintada". No texto, tbm, descrevi como odeio as adolescentes imbecis da Vila Madalena, onde moro, que transam antes dos 14 mas demoram um século para ler um livro ou dizer algo significativo. Por fim, tbm no texto, lamentei o fato de não visualizar nenhuma inteligência juvenil, bom-senso ou produção de conteúdo válido hj. E atribuí isso ao fato de que a moçada de hj parece receber tudo fácil demais, num mundo onde não parece haver nada pelo que brigar (e há tudo pelo que brigar), muito menos valores de verdade ou qualquer bom-senso. Em comparação com o que a juventude de meus pais fez, é uma pena (pois eles sim tinham pelo que brigar... e a gente vive endeusando essa geração com uma nostalgia boba, pois o que eles viveram não foi fácil). Ah, claro... encerrei o texto falando um pouco da minissérie: da beleza da Malu Mader, das interpretações soberbas do Guarnieri e da Claudia Abreu e da minha afinidade com a trilha sonora. Tbm ataquei a visão romatizada e caricata que eles traçaram dos jovens de então. E aproveitei para destacar algumas coisas bem ruins da produção da Globo, assim como outras bem boas. Bem, mas o que aconteceu? Deu pau nesse computador! Perdi todo o texto! Obra provável de um hacker teen que sei lá como viu o texto antes e se ofendeu. Ou obra do destino que não queria que eu dividisse isso c/ vcs. Que saco! Fica a lição: falar da juventude de hj dá tanto azar que até o computador percebe...

Por Rafael Cortez às 15h41

14/02/2007

Pois é, um blog

Sim, meus amigos... também aderi à onda do blog. Antes, eu pensava que isso era algo meio adolescente demais, ou um tanto vago... depois, sei lá, aderi. Na verdade, desde muito moleque sempre gostei de escrever coisas do dia a dia e - não raro - tive alguns diários. Depois, fiz a faculdade de jornalismo e passei a escrever mais e mais. Na verdade, fazer um blog é dar vazão à vontades maiores de fazer jorrar as idéias e, assim, acalmar um pouco o espírito. Não tenho grandes pretensões aqui. Quem acessar já deve me conhecer e eu não vou precisar contextualizar muitas coisas ou me apresentar. Em resumo, esse é meu blog e é aqui que eu vou colocar o que eu penso.

Por Rafael Cortez às 14h27

Olá amigos! Esse é meu blog!!

Por fariacortez às 13h06

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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