Blog do Rafael Cortez

22/02/2007

O Mágico de Óz

No feriadão de carnaval, fizemos quatro sessões do Mágico de Óz. Sábado, domingo, segunda e terça, uma por dia. A Quatro na Trilha, meu grupo teatral, já teve agendas bem mais puxadas na vida, com Os Saltimbancos. Mas, qdo se trata de O Mágico de Óz, é preciso lembrar que uma sessão por dia, por 4 dias seguidos, não é bolinho não.

 

Essa peça é um desafio. Difícil e exaustiva, nascida de um processo longo e igualmente difícil e exaustivo. Eu faço 5 personagens e tenho um trabalhão técnico: algumas trocas de roupas, violão p/ tocar em alguns momentos e muitas manipulações de cerca. Logo, o trabalho fica um pouco mais estafante do que divertido, ao menos para mim, ao menos por enquanto.

 

No entanto, é louvável ver a unidade do grupo e o comprometimento de todos em fazer uma peça boa. Muita coisa pode ser dita do meu grupo e desse trabalho, mas é fato que ele é composto de gente muito empenhada, talentosa e envolvida. As vezes isso é o que mais cansa, em outras é o que mais estimula. Que cada um tire a sua conclusão ao ver o nosso trabalho - que é, por sinal, um trabalho de gente envolvida.

Por Rafael Cortez às 19h57

Carnaval

Graças a Deus acabou o carnaval. Sim, sei que muitos lamentam quando a folia acaba, mas não é o meu caso. Há algum tempo o carnaval deixou de ser divertido para mim. A bem da verdade, tive uns poucos carnavais realmente legais, onde menos sempre significou mais. Por ex, um dos últimos carnavais bons pra caralho mesmo, foi o de 2004. Passei numa casa confortabilíssima num condomínio poderoso do Guarujá, ao lado de uma boa amiga e de uma namorada por quem eu morria de amores. Não teve folia, samba, bloco, alalaô, etc. Tinha paz, mulher amada e sossego. Menos é mais quando no carnaval vc foge do samba e da euforia desesperada.

 

Pq toda essa histeria em torno do carnaval? Pq diabos eu, que sambo como um elefante no cio, deveria sair atrás de um carro que toca música alta pra caramba, com a língua pra fora o tempo todo e a inquietante necessidade de ser feliz?

 

Não entendo o carnaval. Eu só o respeito pelas pessoas que dão o sangue por ele, pelas escolas de samba que fazem da festa um trabalho seríssimo e cheio de credibilidade. Respeito, principalmente, as pessoas que preservam a memória do bom carnaval dos velhos tempos, que é a cultura autêntica de um povo e não um espetáculo p/ inglês ver. Nesse carnaval, por ex, onde o grande compositor Braguinha faria 100 anos (ele foi o autor da maior parte das boas marchinhas que vc conhece e canta desde moleque), não vi o povo falar dele. Pode?

 

Agora, não entendo – mesmo – o que querem essas pessoas que vêem o carnaval como os últimos dias da existência na terra. Que fazem da festa um relato do Marquês de Sade ou um Deus-nos-Acuda danado. Que se afogam na festa sem pensar em mais nada, sem lembrar de ter o mínimo bom-senso e cuidado com os outros. Como esses malditos playboys que fazem da folia apenas mais um pretexto p/ encher mais a cara e sair atropelando mais gente, provocando mais porrada e aumentando mais as estatísticas ruins da festa.           

 

Bem, deu pra perceber que eu não gosto do carnaval... principalmente porque os carnavais de hj servem como pretexto para que ignóbeis emergentes idiotas, globaizinhos estúpidos e popozudas de plantão sem nenhuma massa cerebral se joguem na lente dos paparazzi por dias a fio. Depois, ficamos dias e mais dias vendo a Suzana Vieira tentando dar uma de gostosa na passarela ou esses ex-Big Brothers tentando alguns minutos a mais de fama – fama essa que eles nem merecem, pois são apenas... Big Brothers! Quer coisa mais degradante?

 

O carnaval do ano passado só valeu pela vaia coletiva que o Dado Dolabella recebeu quando foi expulso do Sambódramo. Ele deu um “pití” e tomou a dele. Que delícia foi ver aquilo.

Por Rafael Cortez às 19h47

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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