Blog do Rafael Cortez

23/05/2007

Badi Assad

 

 

Ontem fui ao show da Badi Assad no SESC Vila Mariana. Até aí, muitos podem dizer: grande novidade. Eu, que acompanho o trabalho dessa cantora e violonista desde 1992, já devo ter assistido a uns 30 shows dela. Nas mais diversas situações. Nos mais diversos locais. Já vi a Badi no Teatro Municipal, com a Orquestra Experimental de Repertório. Já a vi com a família Assad em peso, tocando contra-baixo no meio dos irmãos violonistas. Com a Simone Soul, no Teatro do Centro da Terra. Com a Rosi Campos, no CCBB-SP. Com os Barbatuques. Na Nau de Ícaros. Com o Chico César. Com o Carlinhos Antunes. No Supremo Musical. Em Floripa, com a Thatiana Cobett. No MIS. Em diversos SESCs, muitos. No Bem-Brasil. No Parque do Ibirapuera. E por aí vai.

 

Sou fã da moça. Já fui mais, é verdade. Na época em que ela parecia mítica para mim. Era como se ela não fosse real. Era muito deusa, porque tocava violão muito bem. Tocava umas coisas complicadíssimas. E era muito bonita. Dava vontade de namorar. E cantava pouco ainda, mas quando o fazia arrebatava corações. Mas, acima de tudo, eu era muito fã porque ela me parecia – como parte dos nossos maiores ídolos – inacessível. A gente endeusa mais quando não pode ter a pessoa por perto. Quando ela vira pessoa da mídia, e não sua. Mesmo sendo a Badi uma artista ultra-simpática e atenciosa, ela me parecia distante. Morava nos EUA e fazia muito mais sucesso por lá do que por cá. Era descolada demais, cidadã do mundo. Demais para mim.

 

Do primeiro show dela que vi, no SESC Pompéia, em 92, até hoje, muita coisa mudou. Fui aluno dela. Aluno de violão. Ela mudou meu modo de ver o instrumento. Depois, virei amigo. Daqueles que vê pouco, mas que gosta bastante. Dei uma força no que pude, como na comunidade dela no orkut, site, cadastros, pessoal, etc. E vi que ela era de carne e osso mesmo, de modo que a coisa do fã caiu um pouco. E, em paralelo, ela mudou algumas coisas no trabalho que fazia. Passou a cantar mais e a tocar menos violão solo. E a apresentar composições próprias, etc. Gostei de umas coisas novas, não gostei de outras. Mas nunca deixei de ir aos shows e acompanhar de perto tudo – com curiosidade, carinho e emoção.

 

De uns tempos pra cá, estava me acostumando a assistir seus shows mais para compreender melhor sua presença de palco, carisma e versatilidade. Da música mesmo, estava gostando menos. Coisa de quem não curtiu tanto o seu último trabalho quanto os anteriores. Mas gosto é pessoal e não se discute. E – é óbvio – tive muitos momentos nos shows que citei agora em que ela me amarrou mesmo musicalmente, de modo apaixonante. Mas confesso que estava estudando sua porção-atriz para tentar assimilar algo valioso para a minha parcela-ator.

 

No show de ontem (inédito) ela estava tocando coisas que marcaram seu modo de entender a música que faz. Coisas de compositores e amigos que ela pode ou não ter gravado ou tocado antes, mas que foram – e são – as suas influências. Foi demais.

 

Começa pelo fato dela estar grávida de oito meses já. É muito bonito ver uma mulher bonita tocando violão colado no barrigão. E, por conta da gravidez, ela estava mais calma, mais zen. Fez o show sentada. Praticamente o tempo todo. Com músicos ótimos ao lado. E esteve sozinha, com o violão, por outros preciosos minutos.

 

Ela tocou coisas que eu não a via tocar por muito tempo. Fez peças-solo no violão. Cantou Dolores Duran lindamente, doce, sem afetações e exageros. Fez seus virtuosismos, alguns muito bons, por sinal. Como quando toca A Bela e a Fera, do Edu Lobo, tocando violão com a mão esquerda, caxixí com a direita e percussão vocal e canto... tudo ao mesmo tempo!  Estava linda e sorridente. E proporcionou aos admiradores mais antigos, como eu, um “revival” dos melhores shows, em seus melhores momentos.

 

Boa demais a Badi!

Por Rafael Cortez às 18h49

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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