Blog do Rafael Cortez

30/10/2007

Tim Festival

  Domingo fui ao TIM Festival. Não sou muito de ir a mega-shows, com platéias enormes e filas colossais para se comprar uma água. Fora que, nessas ocasiões, sempre me pergunto como farei se precisar mijar no ápice do show - e se entendo alguma coisa do novo pop-rock.

  Bem, mas a Lia - sempre ela! - me deu um ingresso de aniversário... e tinha a Bjork na programação. Não dava pra faltar...

   Devo dizer que a Bjork foi a melhor atração daquela noite. Eu não gostava muito dela até assistir a Dançando no Escuro, do Lars Von Trier. Como alí ela se mostrou uma atriz excepcional, desconfiei que a moça tinha caldo. Ninguém sobrevive à experiência de fazer (bem) um filme daquele sem ser bom. E ela estava primorosa.

   Depois, fui ouvindo algumas coisas dela. E gostei demais quando, no tapete vermelho do Oscar em que ela cantou, ela parou na frente dos fotógrafos... fez pose... e "colocou" um ovo! Ela estava com um vestido que a assemelhava a um cisne, ou coisa do tipo. Aquilo me pareceu genial. Um tipo de afronta àquela baboseira glamorosa.

  Depois, me dei conta de que a Bjork é uma das poucas artistas que realmente faz alguma coisa criativa e revolucionária na música de hoje. Gostar da voz dela e de seu jeito de cantar respirando é outra história... mas admirar sua inventividade e energia é coisa de bom-senso.

   No show de domingo no TIM Festival ela foi a única a pensar no conceito-show. Show é show. É espetáculo para ouvidos e olhos, buscando ao máximo o máximo de sensações dos espectadores. A apresentação da Bjork foi um tesão porque ela entrou muito bem no palco. E entrou com um monte de cantoras-instrumentistas esquimós, num show à parte. O cenário era simples e tinha bom-gosto em tudo. Um laser especial criava uns efeitos maravilhosos, e alguns truques simples - um lance com um tipo de fitas que a Bjork levou pela mão - funcionaram de modo eficaz.      

    Tem mais: ela se preocupou em mostrar músicas com nuances diversas, independente das mesmas serem dançantes e cheias de energia. Foi a única que criou momentos singelos e intimistas, como quando cantou cercada das moças tocando apenas instrumentos de sopro. Foi muito bonito. Foi a certeza de que ela pode ser criativa sem cair no chavão do "pão e circo" junto ao grande público.

    Depois teve Juliette and The Licks. Impressionante ver como essa mulher tem fãs. E ela só falta rodopiar no palco para chamar a atenção. Mas é fato que ela tem carisma de sobra, ainda que eu não tenha gostado de seu som.

    Artic Monkeys foi uma grata surpresa. Música simples, mas gostosa. Todos os integrantes são muito jovens, mas descobriram alguma fórmula tranquila de dar o recado com bastante musicalidade. Foi um show bem equilibrado e gostoso, daqueles que vc não vê o tempo passar.

    The Killers. Argh... A Lia adora. Eu não. Sei que isso pode desagradar os fãs dos caras - a Lia, em especial - mas não deu... pode ser culpa da performance deles lá, que foi bem prejudicada pelo horário e pelo cansaço de todos (inclusive deles). Mas achei o som High-School demais, muito chavão... e com um tecladinho pavoroso! Aliás, o tecladinho devia ser abolido do cenário do rock mundial!

   Enfim... valeu mesmo pela Bjork, que foi demais. Acho que vou virar fã. Aliás, acho que já virei. E claro... valeu muito por ser o presente que a Lia me deu. E pela Lia estar tão bonita e feliz naquela noite.    

     

Por Rafael Cortez às 12h15

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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