Muita gente me pergunta se sou o irmão do Léo Cortez. Tem gente que nunca me viu antes e que me adiciona no orkut, etc, e que vem com essa questão. Ou, mais engraçado, acham que eu sou o próprio Léo. Parabenizam pela novela e depois falam que sou eclético já que, em seguida, faço o CQC. Há, também, as (poucas) pessoas que me perguntam se a gente compete. E fazem o mesmo com ele. Chegaram a perguntar ao manolo se ele estava chateado com o fato dele terminar a novela na Band ao mesmo tempo, praticamente, em que começa o CQC na mesma emissora.
Bem, eu digo a todos - e com muito orgulho - que o Léo é meu irmão. E que é o meu melhor amigo, meu parceirão e que o amo demais. Sinto muita pena das pessoas que não sabem o que é ter um irmão amigo de verdade, e que desconhecem a qualidade de uma relação como a nossa. Mais pena ainda tenho de quem pensa que uma relação como a que o Léo e eu temos pode ser afetada por mesquinharias de uma área comum. O manolo tem o trabalho dele, que é sensacional e conhecido, e eu tenho o meu, que ainda estou trilhando... mas que tbm não começou ontem. E, em tudo que ele e eu fazemos, temos o outro como maior apoiador, maior crítico e maior fã.
É bom ter um Léo na vida. Que bom que eu tenho o meu!
Por Rafael Cortez às 21h19
A Maysa, uma das minhas novas amigas de orkut (apresentada a mim via CQC, claro), me pediu um favor: escrever um texto acerca do caso daquele menino de oito anos que passou num vestibular para Direito em uma universidade particular... e que, claro, depois da cagada de sua aprovação, foi impedido de cursar a sonhada faculdade. Sendo que os pais QUEREM vê-lo no curso! O assunto tá meio batido já, e eu não me dei muito ao trabalho de googlar o resulto do impasse ou as novidades do caso. Não me ative às exatidões do episódio em sí, mas o tomei como base para uma reflexão mais abrangente... coisa que há tempos não faço nesse blog, que passou a ser auto-referente demais! Sei que, depois que mandei o e-mail, decidi postar a reflexão aqui no meu blog e dividir isso com vcs. Não é nada muito apurado ou profundo demais. Leva uns minutinhos só pra ler. Manda ver! Abraços O fato: Menino de oito anos de idade passa no vestibular para Direito e seus pais querem que ele curse. Por Rafael Cortez, jornalista, ator e músico Bem, o que dizer? Situação duplamente patética. Um garoto de 8 anos que é aprovado em um curso universitário, seja ele qual for, é caso grave. Que instituição aprova uma criança dessas, seja ela genial ou não? O que entra em discussão não é o fato de termos uma inteligência Ainda na lógica do vestibular de uma universidade particular, sabemos que - com as mensalidades exorbitantes que algumas instituições oferecem - ter uma seleção de alunos realizada através de uma prova notoriamente criteriosa seria um tanto complicado. Aos "maus-alunos", os de escolas fracas e de ensino duvidoso, cabe ter a mensalidade das universidades que farão como desafio - e não o processo de seleção. Já será um tanto penoso honrar mês a mês o valor acordado. Que ao menos seja fácil passar no vestibular, por favor! É o que acontece. Hoje em dia não é difícil entrar em uma faculdade menos conceituada e que tanto precisa de cobaias. Logo, pessoas que mal sabem escrever e falar podem cursar Letras na faculdade X. Homens e mulheres que sempre foram ignorantes em matemática se tornam profissionais em Engenharia na universidade Y. E até mesmo uma criança de oito anos de idade é admitida em um curso de Direito em outra instituição qualquer. Com o perdão da expressão popular, "mata-se cachorro a grito"! O outro lado patético da história: independente do processo de seleção ser legítimo ou não (o que nem se questiona), os pais do menino de oito anos de idade aprovado em Direito querem que ele faça o curso. E reinvidicam esse direito de todas as formas - legalmente e com farto uso do veículo da Imprensa. Esses cidadãos sequer deviam ter deixado esse garoto fazer a prova. Quanto mais insistir nessa bobagem. Se ainda fosse uma maneira de criticar a falência do ensino nesse país, vá lá... Mas não. Os pais do jovem futuro-advogado querem seu bem... e, para tanto, desejam ardentemente que o rebento abdique da única fase em que terá alguma inocência e poesia na vida para chafurdar em livros e em neuróticas discussões do mundo adulto. A história está aí para provar que as coisas precisam acontecer em suas devidas fases: que crianças não devem interromper subitamente a evolução de suas conquistas e direitos mais ingênuos em prol de ambições que são, logicamente, de seus pais. Criança que não vive a infância na hora certa vira um problema. Vide Michael Jackson, que era Jackson Five ainda pirrallho e hoje anda como um... Michael Jackson! Precisa dizer mais? Triste tudo isso porque a discussão esbarra em problemas estruturais que não vão ser resolvidos com devaneios e filosofias mil. Como resolver questões como essa? Isso seria um assunto ainda mais abrangente e um tanto elocubrado. Parece interessante que as coisas no Brasil permaneçam decadentes, como o sistema escolar. A quem isso beneficia é outra história... e é deveras triste saber que, no mundo de hoje, o peso de um diploma em Direito seja tão grande na vida de um moleque e de seus pais - eles, que deviam embasar suas existências na regra do "um dia de cada vez" e em causas mais nobres e poéticas... contrariando essa premissa burra de criar, desde cedo, um potencial competidor do mercado de trabalho brasileiro ou um novo Frankenstein.
Por Rafael Cortez às 20h50
Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.
Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.
Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...