Blog do Rafael Cortez

04/04/2008

Amo muito essa menina

 

Por Rafael Cortez às 21h48

Léo

Muita gente me pergunta se sou o irmão do Léo Cortez. Tem gente que nunca me viu antes e que me adiciona no orkut, etc, e que vem com essa questão. Ou, mais engraçado, acham que eu sou o próprio Léo. Parabenizam pela novela e depois falam que sou eclético já que, em seguida, faço o CQC. Há, também, as (poucas) pessoas que me perguntam se a gente compete. E fazem o mesmo com ele. Chegaram a perguntar ao manolo se ele estava chateado com o fato dele terminar a novela na Band ao mesmo tempo, praticamente, em que começa o CQC na mesma emissora.

Bem, eu digo a todos - e com muito orgulho - que o Léo é meu irmão. E que é o meu melhor amigo, meu parceirão e que o amo demais. Sinto muita pena das pessoas que não sabem o que é ter um irmão amigo de verdade, e que desconhecem a qualidade de uma relação como a nossa. Mais pena ainda tenho de quem pensa que uma relação como a que o Léo e eu temos pode ser afetada por mesquinharias de uma área comum. O manolo tem o trabalho dele, que é sensacional e conhecido, e eu tenho o meu, que ainda estou trilhando... mas que tbm não começou ontem. E, em tudo que ele e eu fazemos, temos o outro como maior apoiador, maior crítico e maior fã.   

É bom ter um Léo na vida. Que bom que eu tenho o meu!

Por Rafael Cortez às 21h19

Breve reflexão

A Maysa, uma das minhas novas amigas de orkut (apresentada a mim via CQC, claro), me pediu um favor: escrever um texto acerca do caso daquele menino de oito anos que passou num vestibular para Direito em uma universidade particular... e que, claro, depois da cagada de sua aprovação, foi impedido de cursar a sonhada faculdade. Sendo que os pais QUEREM vê-lo no curso! 

O assunto tá meio batido já, e eu não me dei muito ao trabalho de googlar o resulto do impasse ou as novidades do caso. Não me ative às exatidões do episódio em sí, mas o tomei como base para uma reflexão mais abrangente... coisa que há tempos não faço nesse blog, que passou a ser auto-referente demais!        

Sei que, depois que mandei o e-mail, decidi postar a reflexão aqui no meu blog e dividir isso com vcs. Não é nada muito apurado ou profundo demais. Leva uns minutinhos só pra ler. Manda ver!

Abraços    

O fato: Menino de oito anos de idade passa no vestibular para Direito e seus pais querem que ele curse.

Por Rafael Cortez, jornalista, ator e músico

Bem, o que dizer? Situação duplamente patética. Um garoto de 8 anos que é aprovado em um curso universitário, seja ele qual for, é caso grave. Que instituição aprova uma criança dessas, seja ela genial ou não?

O que entra em discussão não é o fato de termos uma inteligência em potencial. Esse menino poderia ser o Einstein ou um Da Vinci. Isso não tira o foco do problema que está associado aos critérios de universidades públicas e privadas para seleção de seus alunos: as públicas adotam provas excludentes que em nada possibilitam o ingresso de camadas menos abastadas da sociedade. Com provas altamente difíceis, alunos de colégios fracos - justamente os que não tem dinheiro para pagar uma universidade - precisam estudar em instituições fracas - e caras. Isso todo mundo sabe. E todos sabem que esses alunos desencadearão, com isso, um processo de endividamento e martírio financeiro - para eles e para as instituições que os "acolhem". E que isso se extenderá a outros setores e pessoas ligadas direta ou indiretamente a eles. E por aí vai. 

Ainda na lógica do vestibular de uma universidade particular, sabemos que - com as mensalidades exorbitantes que algumas instituições oferecem - ter uma seleção de alunos realizada através de uma prova notoriamente criteriosa seria um tanto complicado. Aos "maus-alunos", os de escolas fracas e de ensino duvidoso, cabe ter a mensalidade das universidades que farão como desafio - e não o processo de seleção. Já será um tanto penoso honrar mês a mês o valor acordado. Que ao menos seja fácil passar no vestibular, por favor!

É o que acontece. Hoje em dia não é difícil entrar em uma faculdade menos conceituada e que tanto precisa de cobaias. Logo, pessoas que mal sabem escrever e falar podem cursar Letras na faculdade X. Homens e mulheres que sempre foram ignorantes em matemática se tornam profissionais em Engenharia na universidade Y. E até mesmo uma criança de oito anos de idade é admitida em um curso de Direito em outra instituição qualquer. Com o perdão da expressão popular, "mata-se cachorro a grito"!

O outro lado patético da história: independente do processo de seleção ser legítimo ou não (o que nem se questiona), os pais do menino de oito anos de idade aprovado em Direito querem que ele faça o curso. E reinvidicam esse direito de todas as formas - legalmente e com farto uso do veículo da Imprensa.

Esses cidadãos sequer deviam ter deixado esse garoto fazer a prova. Quanto mais insistir nessa bobagem. Se ainda fosse uma maneira de criticar a falência do ensino nesse país, vá lá... Mas não. Os pais do jovem futuro-advogado querem seu bem... e, para tanto, desejam ardentemente que o rebento abdique da única fase em que terá alguma inocência e poesia na vida para chafurdar em livros e em neuróticas discussões do mundo adulto.

A história está aí para provar que as coisas precisam acontecer em suas devidas fases: que crianças não devem interromper subitamente a evolução de suas conquistas e direitos mais ingênuos em prol de ambições que são, logicamente, de seus pais. Criança que não vive a infância na hora certa vira um problema. Vide Michael Jackson, que era Jackson Five ainda pirrallho e hoje anda como um... Michael Jackson! Precisa dizer mais? 

Triste tudo isso porque a discussão esbarra em problemas estruturais que não vão ser resolvidos com devaneios e filosofias mil. Como resolver questões como essa? Isso seria um assunto ainda mais abrangente e um tanto elocubrado. Parece interessante que as coisas no Brasil permaneçam decadentes, como o sistema escolar. A quem isso beneficia é outra história... e é deveras triste saber que, no mundo de hoje, o peso de um diploma em Direito seja tão grande na vida de um moleque e de seus pais - eles, que deviam embasar suas existências na regra do "um dia de cada vez" e em causas mais nobres e poéticas... contrariando essa premissa burra de criar, desde cedo, um potencial competidor do mercado de trabalho brasileiro ou um novo Frankenstein.  

Por Rafael Cortez às 20h50

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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