Blog do Rafael Cortez

31/05/2008

Não posso explicar o que é isso...

... mas devo alertar:

não desgrude os olhos da Band no final de semana!  

Por Rafael Cortez às 03h18

30/05/2008

Elegia da Alma

Elegia da Alma é minha peça favorita, sem dúvida. Não é a que eu mais toque hj, pois exige um pouco mais de mim violonisticamente. Mas é a composição mais acertada do CD Solo, mais cheia de paixão, que melhor conta a história que me veio à cabeça.

Eu a compus em dezembro de 2004. Voltei do lançamento do livro da poeta e escritora Alma Welt, onde eu e meu tio Guilherme de Faria nos apresentamos: ele lendo os textos e eu acompanhando ao violão. Fiquei impressionado com a riqueza poética da Alma, e com o gás que meu tio e eu demos em torno desse recital. Não havia cachê, não havia grande público, mídia ou nada do tipo. Só nossa vontade de abraçar o projeto dela.

Nesse dia eu me dei conta de que os artistas vivem muito mais pela criação de uma obra de arte do que pela arte em si, realizada. Porque muitas vezes, nos dias atuais, a arte pronta está associada a uma série de "ruídos", como diríamos na Semiótica. É a necessidade de aprovação, o quanto pode render de grana, se tem "pedigree", etc, etc.

Em "Elegia da Alma" eu destrincho a peça em dois momentos: no primeiro, mais triunfal, como num balét, vejo um cara criando algo que muito o orgulha - pode ser um escultor às voltas com um bloco de mármore, um pintor com uma tela, um músico com uma partitura... não importa. Vem o tesão de criar. Depois, num segundo instante, a música fica bem melódica, o andamento é outro... e visualizo a excitação desse artista em ver a obra finalizada. Ou seja, é uma peça musical que explica o processo de construção e admiração de uma arte, onde a própria composição serve de exemplo disso tudo - ao menos para mim.

Não sei se me explico bem. Mas música é muito interior mesmo e quase não se pode explicar. Cada um que faça sua interpretação. Vamos a ela! 

             

Por Rafael Cortez às 22h06

Música - Naquele Tempo

Finalmente aprendí a colocar minhas músicas no blog. Não creio. Na verdade, quem me ensinou isso foi a Luciana Brandino, mais uma nova amiga do orkut. Paciente e carinhosa, escreveu um tutorial para mim no yahoo explicando passo a passo como fazer isso. Claro que eu, burraldo da tecnologia, não conseguí fazer nada... os arquivos tavam em wma... foi preciso esperar a hábil mana Thata chegar em casa para me ensinar a converter os arquivos. É... eu sou um merda em tecnologia.

Todas as faixas que colocarei a partir de agora são do meu CD independente de 2005 - "Solo", já esgotado (também, pudera... foram só 200 cópias!). Todas as composições são minhas e eu é que estou tocando violão em todas. Todas estão devidamente reconhecidas na Biblioteca Nacional como minhas crias... logo, nem tentem me plagiar! Hahaha!!

São 08 composições e 01 arranjo meu para violão-solo de uma peça de Francis Lai. Vou postar aos poucos aqui, certo? Vamos com calma. Claro, quem quiser pode ouvir o que já está salvo no site www.mp3tube.net. Procurem por Rafael Cortez e ouçam as músicas que estão indicadas como "arquivo certo" (já que os testes que fiz de publicação em arquivo wma ainda estão lá na minha pasta e eu não sei tirar). Recomendo que vcs ouçam as músicas aqui pelo blog, uma vez que é nesse espaço em que conto detalhes das peças, falo sobre cada uma, etc, etc.

A primeira faixa que coloco aqui se chama "Naquele Tempo". Foi composta em 2004, em homenagem a uma namorada da época. É uma das minhas composições prediletas. Se chamava "Tristeza" originalmente. Mostra de que o namoro já não ia bem. E era triste, sem suíngue, melódica demais. Com o fim do relacionamento, só ficaram as lembranças boas. Deu pra dar umas "suingada" na melodia e tudo ficou melhor.   

 

Por Rafael Cortez às 21h34

Revista Malagueta

Faz tempo que estou pra contar isso pra vcs e sempre esqueço... mas meu texto "Nara Está Viva!", publicado aqui no blog, entrou para a edição número 09 da Revista Malagueta. Tirando as informações do próprio site da revista, temos:

"A Revista Malagueta é uma revista literária brasileira com publicação exclusiva na internet. Nela são publicados artigos, resenhas, contos, crônicas, minicontos e poemas, além de colunas. Por enquanto, recebe colaborações de brasileiros e portugueses.

O idealizador da revista é Alex Sens Fuziy. Ele foi um dos editores até a sétima edição, quando decidiu se dedicar a outros projetos. Portanto, Renata Miloni passou a ser editora e pretende dividir a função com convidados.

A cada edição, uma nova foto do italiano Federico Ferrari será publicada na revista."

Ou seja, é um empreendimento bem legal ligado à Literatura. Corajoso isso, não? E a Renata Miloni virou minha amiga de orkut, fiel frequentadora desse blog e curtiu o texto da Nara. Fez o convite e eu, claro, me amarrei!

O endereço da Malagueta é http://revistamalagueta.com. Confiram tudo e aproveitem, pois há muita qualidade no trabalho.

 

    

Por Rafael Cortez às 20h53

29/05/2008

Dorothy

Para Dorothy, minha velha vizinha do passado

A velha bruxa acordou ainda mais cansada naquela manhã. Manhã que parecia mais soturna, desprovida de azul no céu. Inimiga de uma beleza que há muito tempo abandonara seu corpo cansado, carregado por suas vestes rôtas e mofadas.

Na sala, as mesmas cortinas pesadas, úmidas. O limo no chão, a gordura nas maçanetas. O cheiro da carne cozida contrastando com as plantas amigas em cima da geladeira. E esparramadas pela casa toda.

As tossidas da bruxa revelavam o mal-estar de uma vida inteira de cigarros ordinários, de fumo de palha. Nos dentes destruídos, histórias de décadas de cafés fortes. As chinelas desgastadas mal conseguiam transportar o corpo que denunciava o fim em sí mesmo.

E foi assim, passo por passo, cada qual mais ralentado, que a velha seguiu de seu quintal à guarita da vila. Alí, ancorada na bengala feia, rogou suas últimas pragas, teceu as derradeiras maledicências, lamentou o passado dos vizinhos amigos, da gentileza dos acenos nas manhãs, da visita do homem estranho a todos mas íntimo a ela, do filho que poucas vezes veio... até mesmo se lembrou de que tinha sido boa, que decerto fora bela um dia, que soube ser doce e gentil em meio às palavras de ordem gritadas aos moleques, em meio às fofocas intercaladas com varridas no chão.

Uma última regada nas plantas. O adeus ao abacateiro, que se despedira dela muito antes. Ligar a TV para iluminar a casa, que mal soube, neste tempo todo, o que é uma cor. Ver as fotos do passado, dar mais um trago no cigarro, e se preparar mais uma vez para um novo ciclo do fim.

A bruxa se deitou um pouco mais cedo. Estava com sorte, pois dessa vez morreu.

Por Rafael Cortez às 11h15

25/05/2008

Kazuhito Yamashita

Aproveitando ainda esse raro momento em que o blog tem muitos acessos, aproveito para recomendar a vcs que conheçam outro ídolo do autor dessas linhas: falo do excepcional violonista JAPONÊS Kazuhito Yamashita.

Pouca gente sabe, mas é no Japão que se encontram alguns dos maiores músicos do mundo. Eles parecem transcender os limites previstos para a execução e interpretação musical. Falamos de um povo altamente disciplinado, estudioso, moderno, que não se conforma em trabalhar apenas nas esferas conhecidas e limitadas das produções artísticas, herdadas de povos do Oriente e Ocidente. Eles se debruçam em instrumentos como o violão e estudam tudo o que já deu certo. Depois, reinventam tudo, vão além do que se espera e trazem novidades fenomenais para o dito-cujo. E ninguém, atá agora, fez tudo isso melhor que o Yamashita.

Pra vcs terem uma idéia, esse japa quarentão apavorou quando era moleque ainda. Na década de 80, com áureos 20 anos, transcreveu para um único violão músicas consagradas para grandes orquestras. Falo de "Sinfonia do Novo Mundo", de Antonin Dvorak. E do ballet "Pássaro de Fogo", de Igor Stravinsky. Ambas peças de grande virtuosismo e força, que nunca haviam sido pensadas antes para execução em um simples violão. Seria preciso reproduzir uma por uma das vozes orquestrais, cada melodia de cada naipe de cordas, etc, etc. E o Yamashita fez isso, e bem demais. 

Já em "Quadros de Uma Exposição", do russo Modest Mussorgsky, o cara fez história. Trata-se de uma suíte escrita para o piano em 1874, de grande complexidade e beleza. O Yamashita fez um arranjo onde todas as melodias que soam juntas na extensão de um piano se encontram em apenas seis cordas de violão. Para isso, ele reinventou todas as técnicas usadas por violonistas nas mãos direita e esquerda. Trêmulo no mindinho da direita. Tocar com a polpa dos dedos, paralelamente ao uso da unha. Usar rasgueados novos, efeitos de metralhadora, ataques rápidos em meio a escalas dedilhadas com ou sem apoio, mesclando com bordões melódicos pesados, leves, em velocidades impressionantes! Foi tudo tão, mas tão intenso, que só ele gravou isso. As partituras estão à disposição do mundo todo - dificílimas, claro - mas só ele gravou a obra na íntegra. Um ou outro cara muito, mas muito bom, se aventura a tocar algum dos movimentos mais simples. Mas, que eu saiba, só o Kazuhito encarou de frente o próprio arranjo e o imortalizou.

E olha... fazer o arranjo disso já é complicado pacaz... tocar então, nem se fala. E fazer isso na velocidade dele então, nem pensar! 

Os anos se passaram e o mestre japonês fez de tudo um pouco com o violão. Fez arranjos de outras peças clássicas e complexas para o instrumento. Com isso, ajudou - e muito - a superar parte do problema que intimida diversos violonistas a seguir a carreira de concertistas: o repertório limitado ligado à essa caixa de madeira (coisa que o lendário Segóvia resolveu bem em sua época, estimulando compositores como Villa-Lobos e Ponce a criar peças novas, dedicadas, quase sempre, a ele). Além disso, Yamashita fez centenas de recitais ao redor do mundo. Apaixonou milhares de novos estudantes e músicos. Gravou tudo, mas tudo que vc possa imaginar do repertório violonístico. E, de uns tempos pra cá, passou a se apresentar em formações camerísticas com os filhos - japinhas virtuoses que comem um violão por dia, que nem o pai.

Deixo pra vcs uma amostra do talento sem precedentes do Yamashita. Trata-se de uma peça curta e impressionante. Falo de "As Bodas de Luiz Alonso", peça de Geronimo Gimenez, também em arranjo para violão-solo. Notem como ele toca rápido e como ele é vibrante, musical e apaixonado. Coisa de artista mesmo.

Abraços!

        

Por Rafael Cortez às 19h58

Brasília

Uau. Tantos recados, tantas visitas aqui. Viva!! Nem dá mais pra responder todo mundo... às vezes nem dá pra responder ninguém - e isso é o mais chato, eu sei.

Espero mesmo que vcs entendam isso. E que entendam qdo eu demorar tbm um pouco a mais para atualizar esse blog, escrever algo novo, essas coisas. Na real, eu devia ligar esse computador mais para trabalhar, ler notícias, me atualizar, etc... mas fico vendo por horas o que vcs escrevem, (eu leio tudo, sempre) os blogs que vcs indicam, a galera do orkut e tudo mais. E nada me agrada mais que esse blog bombando, depois de uma fase inicial tão discreta.

Buenas, vamos parar de pedir desculpas e escrever alguma coisa.

Brasília...

Estive na cidade durante esse feriado. Fui na quinta bem cedo e voltei hj de manhã. Nunca tinha pisado na terrinha antes e até estava achando estranho não ter ido ainda pelo CQC. Bem, mas fui. A missão era cobrir mais uma cúpula de chefes de Estado - dessa vez, a Unasul: União Sul Americana de Países.

Não vou falar muito da pauta. Só adiantar que amanhã tem mais empreitadas presidenciais no CQC. E que - de novo - foi tudo exaustivo, duro mas gratificante.

Bom, mas Brasília. Gostei da cidade, mesmo. Quem mora em São Paulo tende a ter o "rei na barriga". Porque aqui temos serviços muito bons e as coisas acontecem debaixo do nosso nariz o tempo todo. É preciso se abrir para o novo e viajar disposto a apreender o melhor do local visitado - e não ficar nessa de absorver tudo de acordo com o nosso referencial de comércio, transporte, atrações culturais, etc.

Achei muitas coisas bem funcionais na cidade. Bons atendimentos, serviços legais, ótima comida. Aliás, nenhuma palavra sobre o quesito comer. Preciso voltar a nadar para poder comer sem culpa. Mas tenho frio, não tenho tempo, rola uma preguiça FDP e outras coisas mais. Nessa semana vou tomar uma providência.

Ficamos num hotel bacana da cidade. Terracinho, acomodações confortáveis, etc. Só não entedíamos porque as paredes estavam tão esfoliadas e porque tudo parecia estar em obras, sendo que não havia nenhuma alí. Só no último dia é que soubemos que o edifício em sí fora construído pela empresa do famoso Sérgio Naya, aquele cara do triste episódio do Palece II. Deu medo, juro, apesar de estar exagerando um pouco aqui na descrição do imóvel.

Entre uma gravação puxada e outra, deu pra aproveitar um pouco Brasília. Fui num lugar muito legal, cheio de bares, à beira de um lago, dentro de um condomínio. Pontal, era isso? Cidadãos locais, refresquem minha memória porque ela é uma merda. Fui duas vezes tomar chope num mesmo lugar - algo como Bier, sei lá o que. Era isso? Comí numa churrascaria mais irregular chamada Chamas Grill. E, claro, tomei alguns bons táxis para percorrer pontos distintos da quase cinquentenária terrinha. Mas, como o trabalho era grande, e era em nome dele que a gente se deslocava, coube-me absorver muita coisa da janela do carro mesmo, na base da câmera digital pegando tudo. Mais turista, impossível.         

O bacana é que, pra mim, pro Salinas (nosso produtor e um amigo querido) e pro Tutú (outro câmera maluco do CQC), rolou a sensação de que a cidade inteira está ligada no programa. Em Brasília rolou um lance que eu não vejo acontecer aqui e que não ví com a mesma intensidade no Rio de Janeiro, onde tenho ido bastante. As pessoas me reconheciam e até chamavam pelo nome. E sabiam comentar ítens muito específicos do programa, como a expulsão do Danilo do Congresso e nosso impedimento de retornar ao local. Vindo da cidade onde o poder político se concentra, foi sensacional absorver isso.

Um ítem legal pra fechar o relato. Escreví no orkut dizendo que estaria na cidade e que gostaria de conhecer as pessoas de lá que me escrevem sempre no orkut. Devo ter uns cinco contatos novos na minha lista de amigos, pelo menos, residentes em Brasília, com quem passei a falar com regularidade.

A Suely mandou o telefone por depoimento e foi bem bom conhecê-la. Gente-boa e bem bonita.

 

Gravação de parte da matéria - eu e Tutú, na cidade do poder   

Por Rafael Cortez às 23h49

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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