Blog do Rafael Cortez

06/06/2008

Para Todo o Sempre

Em 2005 eu conheci uma bailarina. Chama-se Andrea Thomioka. Eu, bem leigo em matéria de balé, não sabia que ela era a grande Thomioka da dança clássica, a única brasileira a ganhar o importantíssimo prêmio em Varna, na Bulgária, a gigante que dançou Gisele, Lago dos Cisnes e tantas outras coisas mais como solista em inúmeras companhias, festivais, etc, etc. Enfim, a Thomioka é uma referência na área dela. Hoje dança Contemporâneo no Balé da Cidade de São Paulo - ato que lhe exigiu uma coragem fora do comum... E ela bancou e manda muito bem!

O fato é: conheci a Thomioka e ela me contou que estava dirigindo - junto com o ótimo Guivalde de Almeida - a Cia. Brasileira de Danças Clássicas. E que ela queria montar um balé em cima de músicas do Baden Powell, o notável violonista. Eu, por acaso, contei que tinha umas peças, compostas por mim mesmo, para violão-solo. Ela quis ouvir e isso mudou tudo. Ela curtiu as músicas e, porreta como sempre foi, me intimou: a galera dela ia dançar as MINHAS peças, não as do Baden.

Eu, claro, me amarrei. Seria tranquilo: gravar tudo em estúdio e ver o corpo de baile executando os movimentos coreografados pela Thomi de acordo com os acordes. Eis que ela me propôs algo ainda mais ousado: tocar as músicas ao vivo durante as danças.

E foi asssim que nasceu o balé "Para Todo o Sempre". Sete peças minhas, tocadas ao vivo por mim e dançadas por uma turma que fez de tudo: pas-de-deux, solo masculino, feminino, grupo, etc. Mudou minha vida. Foi por causa do balé que eu estudei mais a fundo minhas composições. Que voltei a fazer aula. Que resolvi gravar o CD para ter uma amostra do trabalho musical que o público pudesse levar para casa após as apresentações... E foi depois do balé que eu entendi qual era a minha praia com música: saquei que eu era violonista-compositor, que resolveria meus conflitos de identidade musical tocando as minhas peças e os meus arranjos para violão. Esse é o maior conflito de qualquer violonista - se encontrar no mercado musical. Serei recitalista? Arranjador? Compositor? Clássico? Contemporâneo? Me dou bem em música de Câmara? Etc, etc. Eu me achei e sigo a linha das composições e arranjos desde o trabalho com a Thomioka. Ainda que esteja meio enferrujado (mas isso é esfera de outro problema - de ordem técnica)...

O "Para Todo o Sempre" só rolou duas vezes. A gente pretendia viajar o Brasil - quiçá o mundo! - com o trabalho. Mas a equipe envolvia umas 20 pessoas, cada qual com uma agenda mais louca que a outra... e o balé exigia muita dedicação. A Thomioka pegou pesado e exigiu coisas virtuosísticas para os bailarinos e bailarinas. Releituras com o corpo de estados de espírito que eu pensei quando compus as peças. Em "Badica", só pra vcs terem uma idéia, ela fez dois homens mesclarem uma dança com duas mulheres para simbolizar a energia masculina e feminina que a Badi Assad passa nas músicas dela para mim - ela, a Badi que homenageei na composição. A Thomi se apropriou da idéia de cada uma das canções e soube bem o que cada representava. Deu forma a cada idéia através do corpo dos bailarinos. Muitas vezes se utilizou de uma licença poética, de uma liberdade de criação... Mas estava tão envolvida e consciente do que eu fiz, que acertou em cheio sempre. Parecia até que tinha composto as músicas comigo! 

Os artistas do balé sofreram muito para pegar as coreografias. A Thomi, como toda boa bailarina, era muito exigente. A galera tava muito acostumada com passos clássicos e delicados, e as leituras dela exigiam jogo de cintura: força, um pouco de virtuose, delicadeza, tudo junto. Alguns movimentos eram mesmo diabólicos de difíceis.

Foi tudo muito duro pra mim tbm. Tocar em balé significa tocar com orquestra. Os bailarinos precisam da precisão musical de um metrônomo, e vc como músico não deve usar um na apresentação (claro). Era preciso tocar tudo no andamento acordado e lembrar de pausa por pausa, respiro por respiro. Em cada nota havia uma perna subindo, um rodopio, um movimento de braço, etc. Foi a coisa mais difícil, desafiante e gratificante que já fiz na vida até hj. Vejo desafios recentes que são fichinha perto daquilo. Eu tive de estudar mais que nunca, fazer shiatsu, reeducação postural (tive vários problemas de tensão e quase uma tendinite na mão direita) e estar em cada um dos ensaios - muitos, todos bem cedo por sinal, e longe da minha casa. Fora que fiz as 02 sessões no Teatro Paulo Autran, em SP, para uma platéia seleta, lotada e criteriosa. E tinha de ser sempre com a precisão de um maestro... Sendo que qualquer músico solista tem o (mau) hábito de tocar tudo muito mais rápido ou devagar qdo se apresenta. Culpa do nervosismo.

A Rede SESC-Senac de TV filmou tudo e lançou um especial do trabalho na TV Fechada. Passa até hj na Net. Volta e meia alguém me diz que viu.

Uma pena o trabalho ter sido tão exaustivo para só render duas sessões. Mas tenho tanto orgulho de mim, da Thomi e da galera que dança qdo revejo o vídeo... como demos conta, como ficou bom! E que legal ter o especial em DVD pra lembrar disso. Que bom ter essa experiência como referência de desafio. Já fui tão raçudo, posso ir muito além. Ah, e claro... uma coisa sempre puxa a outra: o balé acabou mas, em seguida, criei um duo com a Thomi. Para ela compus uma das minhas peças prediletas - "Quando Danço Com Seu Corpo". Eu tocava algo que era lido pelos movimentos dela... E isso nos levou a uma experiência única que teve seu ápice no XI Festival de Danças do Mercosul, na Argentina, qdo abrimos juntos a programação. 

O que vcs vão ver é o final do balé. Toco "Elegia da Alma" e o grupo todo se reúne. Notem como é bonita e expressiva a bailarina japonesa. Chama Priscila Yokoi. Tá fazendo carreira nos EUA. A emoção dela no close que a câmera captura ao término da peça é a expressão máxima de tudo que penso e que já disse aqui sobre essa minha composição. De bônus, vcs podem me ver no cantinho da tela, no fim, e nos aplausos com a turma toda - estou com um cavanhaque, por sinal.

Um abraço!       

Por Rafael Cortez às 15h39

TV Fantasia

Taí mais uma parte integrante da sessão "Seu Passado te Condena". Haha! Como resolvi disponibilizar na internet algumas amostras de coisas que fiz antes do CQC, não poderia deixar de incluir um trecho - pequeno, eu sei - de minha participação na série cômica independente "TV FANTASIA". Tratava-se de um programa semanal de humor - um sitycom - dirigido por Rubens Rivelino e com produção geral da Ases Produções Artísticas. Fiz um episódio só - o DNA O TIL, exibido em meados de 2003.

A série passava na CNT, acho que só em SP... evidentemente não era das melhores. Tinha muitos problemas de texto, produção e um ritmo impreciso... Mas foi uma delícia ter feito esse episódio. Todo mundo que contracenou comigo era amigo, do Mário Mathias que fez meu assistente, ao Evê, que me deu várias oportunidades de trabalho. Fora que era um empreendimento independente, corajoso, daqueles que chega ruim na TV... Mas que é resultado de muito mais atitude que pudor por parte da equipe. E eu sempre critiquei demais as pessoas que condenam o que os outros fazem na base da vontade e coragem... Sendo que esses mesmos críticos de elite quase sempre não produzem nada, não contribuem em nada para a tal qualificação artística e em nada ousam. Sou mil vezes mais os caras que mandam umas bagaceiras e dão a cara à tapa do que esse monte de gente que nunca produz nada - nem bom nem ruim. E justamente os que menos fazem, os que em nada acrescentam artisticamente, são os que mais se gabam do quanto fariam melhor. Risível.

Na cena que vcs verão, eu e o Mário contracenamos com a Márcia Real - atriz com mais de 50 anos de carreira. Muito gente-boa. Depois trabalhei com ela numa peça teatral e ela me ensinou muita coisa. Lógico, eu e o Mário estamos fazendo personagens altamente caricatos. Lembrem disso.

Bem, vamos ao vídeo!

 

                

Por Rafael Cortez às 11h43

05/06/2008

Curta-metragem - X

Já que estamos todos - eu e vcs - esperando a estréia do curta que gravei em fevereiro deste ano ("Torta"), proponho dispersarmos a ansiedade assistindo a uma raridade: o meu primeiro trabalho no cinema, tbm num curta: trata-se de "X", do meu amigo e multi-talentoso man Pedro Granato.

Gravamos quando éramos, ainda, uns moleques. O Pedro tava lá, no curso de cinema da ECA-USP e eu era um rebento, um "novilho" (como eu diria no CQC), ávido por fazer algo. E veio o convite do Pedronho, iniciando, com isso, meus trampos de ator. Um pouco depois, ainda com o Pedro, fiz minha primeira peça teatral - "Made in Brazil".

Hoje o Granato tá arrebentando como diretor teatral. Dirige o grupo IVO 60 e encerrou recentemente a temporada de "Navalha na Carne" - direção dele, com Gero Camilo, Paula Cohen e Gustavo Machado no elenco. Muito bom! Vejo tudo que ele faz e o acho do caralho! Fora que ele encarna, atualmente, o grande Berlam Belozo - que recentemente estreou um programa no IG. Vejam mais sobre o Berlam fazendo uma busca no Youtube com o nome dele.

Bem, lá vai "X". Não se assustem com meu corpo, eu era moleque. Não se assustem com o gelo. Pedro e eu sempre fomos loucos (mas a idéia da banheira foi dele, logo ele é pior que eu).

Abraços! 

Por Rafael Cortez às 13h08

03/06/2008

CQC

ATENÇÃO FÃS DO CQC!
Hoje (terça, dia 03) à tarde, a partir das 15:00, o programa ATUALÍSSIMA da Band exibe uma matéria sobre o CQC, onde todos nós aparecemos... vcs verão os bastidores do programa e nossa última sessão de fotos.

MAIS: Hoje, na madrugada de terça (3) para quarta (4), estarei no programa do Otávio Mesquita - A NOITE É UMA CRIANÇA - à meia noite e meia. Abraços!

Por Rafael Cortez às 11h46

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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