Blog do Rafael Cortez

27/06/2008

Escombros

Galera, é o seguinte:

Eu não vou estar em Santos pra conhecer os amigos da cidade... mas estou mandando meu amado irmão Leonardo Cortez no meu lugar. E, melhor ainda, com uma peça de extrema qualidade - Escombros, de sua autoria, com um elenco formidável, direção afiada e competência de sobra.

Sério, não é porque é meu irmão não... mas o texto de Escombros é uma das coisas mais interessantes que já vi no teatro. É o ponto alto da carreira de dramaturgo do Léo, em um espetáculo onde ele, a Glaucia (sua esposa, minha cunhada) e outros amigos nossos detonam como atores. E fora que dá pra rir pra caramba, mas sem perder o foco nas reflexões sobre a hipocresia da classe média e as contradições do sistema capitalista - sempre presentes nos textos do manolo.

Já vi a peça diversas vezes, e cada vez gosto mais. Uma pena que não poderei ir com ele até a cidade... mas eu se fosse vc que mora em Santos não perderia essa por nada... 

Um abraço!

Por Rafael Cortez às 18h01

26/06/2008

Pauê

 

 

Ontem estive no Rio de Janeiro gravando uma matéria. E, conversa com o povo daqui, puxa papo de lá, conheci uma figura especial. O cara se chama Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, mas todo mundo o conhece como Pauê.

Talvez vc já tenha ouvido falar dele. É o jovem que perdeu parte das pernas em um acidente de trem em Santos, quando tinha só 18 anos. Na época o Pauê frequentava academia, era todo esportista e levava uma vida absolutamente normal. Daquela data pra cá, muita coisa mudou. Mas não é que as coisas tenham mudado neste sentido clichê que nos leva ao pieguismo do drama pessoal, da auto-comiseração humana, do fatalismo exagerado ou coisa do tipo. 

Hoje o Pauê é conhecido por ser um tremendo exemplo de superação pessoal. Leva uma vida quase normal e faz muito mais coisas do que eu ou vc. Nada de muletas: ele tem duas próteses de alta tecnologia no lugar das pernas e anda bem pra caralho. Surfa, nada, corre, faz triathlon, integra a seleção brasileira paraolímpica de ciclismo, tá terminando a faculdade de Fisioterapia, realiza palestras motivacionais por todo o país, etc, etc. Mais ainda: bebe com a galera, vai na balada que quer, faz o que dá na telha e não lembra em nada o estereótipo da dor que muita gente pode querer associar a quem passa por algo parecido.

A gente ficou no mesmo hotel no Rio. Depois de participarmos do evento em comum, ele desceu pro nosso quarto e a gente ficou trocando idéia. Eu, ele, Tutú e Roberto, nossa equipe de filmagem. Tomamos umas brejas e ainda colamos no bar do lado do hotel, na Cinelândia. O cara tinha que acordar cedo pacaz pra voltar pra Santos mas nem por isso mediu o bom papo com a gente. Revelou uma personalidade incrível, onde a crítica à sociedade de espetáculo em torno de portadores de deficiências físicas era latente. Criticou os programas de TV que tentam fazer um circo em torno da sua história, bem como a acomodação de quem vê na nova realidade um fim, e não um novo começo. Manteve a simpatia o tempo todo. E fez com que a gente simplesmente esquecesse do que o tornava fisicamente especial para nos atermos só a um fato: ele é um cara especial por completo. De bom caráter, boa onda, simples. Um puta exemplo.

Daí vem a questão, de novo... que tremenda mesquinharia a nossa. A gente reclama de amores não correspondidos, conflitos bestas entre amigos, isso ou aquilo no trabalho, etc, etc... faz uma tempestade em copo d`água por qualquer coisa, se vê como mártir da sociedade, a última azeitona da empada e por aí vai... sempre com a sensação de que o nosso problema é maior que o dos outros. Aí conhece um cara como o Pauê, que - ele sim - teve um problema concreto e poderia se guiar por mil flagelos e crises... e esse cara toma cerveja com vc, ri das mesmas merdas que todo mundo, bota o olho nas mesmas gostosas que qualquer outro e, de quebra, ainda vira esportista renomado, palestrante e exemplo de muita coisa muito maior. Muito maior que as nossas coisinhas pequenas.

A viagem valeu por esse encontro. Voltei pra São Paulo bem mais otimista com o ser humano e comigo mesmo.

Abraços!

P.S - Ah, e pra quem quiser conhecer o site dele, vale a visita:

http://www.paue.com.br/home.html

 

Por Rafael Cortez às 22h33

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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