Blog do Rafael Cortez

09/08/2008

Show - Nancy Alves - PARTE 2 - FINAL

Foi isso. Foi muito bom ter voltado a tocar. Deu vontade de fazer mais. Deu aquela sensação deliciosa dos meus recitais diabólicos de 2001 e 2002... de que dói demais toda a preparação, de que minutos antes de subir ao palco vc só quer desaparecer dali e, na hora agá, vc ama cada segundo. E quando termina vc só quer mais! E o melhor é saber que toda essa descrição de atividade artística, com seus altos e baixos, é a mesma para todo mundo. A Fernanda Montenegro descreveu em uma entrevista que sente todas essas coisas... e há mais de 50 anos! Bom, não?

 

Pra encerrar, melhor que escrever e contar pra vcs é deixar vcs com os vídeos de ontem. Gravados pelas meninas do orkut, claro. Combinei de pagar 10 reais para cada uma delas gritar e aplaudir bastante entre uma música e outra. Reparem nisso. Foda é que elas gritaram muito na hora que fiz algumas piadas – de desgosto, não de prazer. Por isso que nem paguei ninguém no final. Sacanagem!

 

Ta um pouco longe e vcs precisam relevar a qualidade sonora. Digo do áudio, não a minha. Ah, e agradeçam à Débora Tomaszewski pelos vídeos, ok?

 

Um abraço a todos!

 

Ah, antes de ir... uma coisa: fui excluído do orkut. Pelo próprio orkut, por um vírus, hacker, ou sei lá o que. Eu é que não me mandei. Fui mandado. Fiquei puto pq esse direito de largar aquela bobagem tem que ser meu, e não de um terceiro. De todo modo, para manter as relações com vcs – chavecos, trocas de idéias e contratações para festas infantis – eu já fiz um profile novo. Me encontrem e me adicionem.  

 

 

 

 

 

 

 

Por Rafael Cortez às 19h59

Show - Nancy Alves - PARTE 1

Ontem rolou a minha apresentação com a Nancy Alves aqui em São Paulo, na Vila Mariana. Foi a primeira vez que toquei para um público desde maio do ano passado, quando apresentei umas 30 peças violonísticas durante um almoço para funcionários da Fersol, uma indústria de agroquímicos. Foi foda. Ninguém ouvia nada e eu ainda toquei de graça porque estava apostando numa experiência de fazer recitais em refeitórios de empresas e precisava dar uma “amostra-grátis” do meu trabalho. Ah, eles me deixaram comer lá depois de tocar e deram transporte de ida e volta...

 

Dessa experiência pra cá, toquei com outros músicos na peça do meu irmão Léo – um “Violonista no Telhado”, com seus alunos portadores de Síndrome de Down. Me apresentei tbm tocando uma ou outra coisa como trilha sonora de peças e eventos que fiz com a Alejandra Pinel, e por aí vai... mas essa coisa ritualística de sentar sozinho, ajeitar o violão e mandar peças solo, introspectivas, fazia tempo mesmo que não rolava.

 

Aí veio a Nancy. Uma cantora bacana que conheci um dia no busão. Tava loucão no meu mundo; olhando as coisas da janela e cantando, falando sozinho, fazendo mil barulhos com a boca. Eu geralmente faço isso qdo ando na rua, estou no trânsito ou quando tomo banho. Quem me viu em qualquer uma dessas situações ficou um pouco assustado.

 

A Nancy puxou assunto comigo naquele dia e perguntou se eu era cantor. Haha! Cantor? Ri muito... conversa vai, conversa vem, e descobri que ela sim era cantora... e era pesquisadora das influências da música brasileira na francesa, e da francesa na brasileira. Professora da Aliança Francesa, fã de Pierre Barouh e Francis Lai... opa! Aí eu gostei: eu tbm sempre fui fã desses caras... tanto que um dos filmes da minha vida é “Um Homem e Uma Mulher”, do Claude Lelouch, trilha do Lai... e adoro o documentário do Barouh no Brasil que tem a Bethânia novinha e o Baden muito feliz tocando com o cigarrão pendurado no dedo mindinho. Chama “Saravah!”.

 

Troquei e-mails com a Nancy. Mandei minha gravação de “Vivre pour Vivre”, do Lai, e outras coisas mais. Ela tbm mandou gravações, expôs idéias e ficamos amigos virtuais.

 

O tempo passou e a gente perdeu contato. Até que ela me reviu na TV e me escreveu de novo. Arriscou me convidar para fazer parte do seu show sem ter idéia se eu lembraria dela. Não deu outra: eu já tava afim de tocar de novo, ela tava afim de me colocar com ela tocando o “Vivre”... e topei. O que eu de fato não esperava era ser convidado a CANTAR junto – justo o “Samba de Verão”, de Marcos e Paulo Sérgio Valle... puta clássico, pra ser feito por cantor mesmo... e não por mim, que só me arrisquei a soltar o gogó nas minhas peças teatrais!

 

Buenas, o show foi ontem. Tivemos só dois ensaios, um em cada sábado. Em ambos cheguei absurdamente atrasado por causa das minhas gravações. E em ambos eu gelei: os músicos da banda da Nancy eram muito feras! João Parahyba na percussão... esse cara é um monstro! Rudy Arnaud na guitarra e arranjos – um tremendo diretor musical. Piano de Beto Bertrami, um cara que pode acompanhar qualquer um fazendo solos maravilhosos.... e o baixo de Giba Pinto. E eu adoro baixo. Tocaria, se pudesse....

 

Fora que a Nancy é foda. Quanta presença de palco, sutileza, bom-gosto. Gente-fina demais. Não deixou de me motivar um minuto sequer. Ah, e teve a participação de uma atriz e cantora que já conhecia de uma matéria excepcional da Revista Piauí – Anna Toledo. Vai ter carisma e ser boa assim aqui em casa, haha!

 

Ontem fiz a passagem de som com a Nancy e o pessoal lá pelas 15:30. Levei a Carla, uma garota bacana que conheci pelo orkut e que tava afim de ver o negócio todo. De lá, fiquei na casa da Clau, minha prima e grande amiga. Passei de novo as peças e entreguei pra Deus.

 

Confesso que estava mais nervoso do que em outras ocasiões. Ainda mais qdo eu soube que  parte da platéia – já lotada e cheia de cadeiras extras desde 10 dias antes – era de gente que me escreve no orkut, blog e que me conhece pelo CQC. Pra mim, que sempre fiz recitais para poucos amigos íntimos, familiares e transeuntes, é um tanto esquisito ver que agora tem gente è beça querendo me ouvir. E eu ando mais enferrujado tecnicamente, apesar de achar que tenho tocado com mais maturidade e sentimento. E rola aquele troço: será que as pessoas vão querer me ver tocar agora pq esperam que eu faça piadinhas, pq querem mais é tirar fotos, me ver de perto e pouco se lixam pro meu som? Será que querem ver se, como músico, sou um bom repórter do CQC?

 

Tenho muito pé atrás com essa recente afinidade das pessoas com minha parcela musical. Tô sacando bem qualé do povo que me escreve e me elogia, ou me pilha pra tocar e relançar o CD, pra ter certeza de que esse interesse é genuíno, é musical, e não norteado pela relação oportunista que a TV às vezes pode criar. A sorte é que até agora o saldo tem sido bom: tenho visto muita verdade no feedback do povo, no que falam das minhas músicas, no que acham do meu som. Melhor assim. Isso só me motiva mais a querer dar um recital completo antes de novembro.

 

Em resumo: a galera do orkut foi sim. Mas foi pra mandar axé, pra lançar coisas boas no palco, pra me acolher carinhosamente. O barato é que algumas pessoas foram dar mais que energias positivas (sem malícia, pervertida galera!). Recebi presentinhos, cartas e até um pedido de beijo, haha!

 

Quando a Nancy anunciou minha participação e me chamou pra subir ao palco, nem ela sabia se eu estava mesmo presente. Como de praxe nessas ocasiões em que toco, fiquei recluso e concentrado antes de ser chamado. Sem povo, sem auê, respirando bem no meu canto, aquecendo minhas mãos e pedindo proteção pros meus amigos do plano espiritual. Tudo isso faz parte de um ritual que sempre me foi sagrado; que é tão ou mais importante que o ato de me apresentar. E é sensacional e funciona.

 

Uma das coisas de que mais gosto quando toco é a sensação de subir no palco e sentir uma energia acolhedora. Ela vem das pessoas e de algo que não é desse mundo, que não é humano, que tem relação direta com os nossos anjos da guarda, com os espíritos de luz que protegem os artistas, com as vibrações que emanam dos tablados cheios de história e da vibração de outros artistas. Já passei por situações malucas em apresentações musicais e teatrais. De subir pra fazer “Os Saltimbancos” sem um fio de voz, com o corpo quebrado, com o saco na lua... e virar um gigante! De travar os dedos de frio na hora de tocar um Bach e sentir um calor interno movimentando tudo.... e até de ter grandes brancos em passagens musicais difíceis e, sem ter nenhuma idéia do que fazia, tocar tudo lindamente. Quem vai me dizer que não são os protetores do outro lado e a energia do povo que dão o tom nessas horas?

 

No entanto, essa proteção energética a que me refiro é legítima e não pode ser menosprezada. Tem que levar a sério. Fazer a sua parte e subir pra tocar e atuar com verdade, com interesse, com comprometimento. Ontem eu saquei toda essa vibração assim que me sentei e toquei “Vivre pour Vivre”. Saiu como eu queria e me senti inspirado. No entanto, antes de tocar minha música “Naquele Tempo” me empolguei em fazer piadinhas (ruins) com a platéia – que tava receptiva – e estudar uma porção “stand-up comedy” da minha pessoa (ora, se o Danilo faz e é tão mediano, pq não eu? Hahaha!!). Não deu outra: saí da esfera que eu mesmo tinha criado e pedido para mim e comecei a tocar sem aquela verdade e energia de antes. Isso pq esse manto de vibrações a que me refiro não é bobo: sabe que, se usado oportunamente ou sem paixão, não serve de nada. E vai-se embora e não volta.... e coitado do cara que fica ali no palco.

 

No entanto, acho que recuperei a música. E depois a Nancy subiu e cantou comigo – e fez a parte dela tão bem que convenceu aquela coisa solene e boa toda a voltar pra cena. Bem, e eu posso dizer – sem falsa modéstia – que até que não cantei mal... rolou afinação e presença, apesar de alguma timidez vocal. E como não tê-la? Minha referência é a Nara, que chegou a se apresentar de costas para a platéia. Logo, tô no lucro! (CONTINUA...)

Por Rafael Cortez às 19h57

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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