Blog do Rafael Cortez

27/09/2008

CQCs e audiolivros

Foto de Verena Smit, do Glamurama  

 

Galera, simplesmente sensacional todo o acesso de vcs a esse blog. Ontem escrevi um texto sobre a Amy Winehouse e em um dia só tivemos 150 comentários! Demais!

Peço desculpas por ter dito que a Amy parece uma velha de 50 anos. As mulheres de 50 anos podem ter se sentido depreciadas com o comentário. Ao menos uma leitora daqui me chamou a atenção para isso - e peço desculpas em especial a ela. Minha mãe tem mais de 50 anos e não é nada velha. 

Ontem o Felipe Andreoli, Marco Luque, Salinas, Anita (mulher do Felipe), Diego Barredo, Pedrinho e eu fomos a uma balada sensacional do pessoal do Monobloco aqui em SP, na Vila Leopoldina. CQC dominando a festinha... o bestão do Warley perdeu - resolveu pegar o ônibus para o Rio de Janeiro à 1 da manhã... com isso, perdeu a noite do Rio e a de Sampa. Danilo Gentile ficou de aparecer e não foi, claro. Rafinha, Oscar e Tás são homens sérios e devem ter ido dormir depois do Globo Repórter, haha! 

Tá acontecendo uma coisa muito legal: nós do programa estamos bem amigos e curtindo muita coisa juntos. Semana retrasada demos uma palestra ótima na Semana de Comunicação da Faap e já sentimos essa irmandade. Aliás, sem ela seria muito difícil fazer um programa com o astral como o nosso. 

Pensando nisso, e vendo na prática a nossa amizade, sempre acho bizarro qdo leio alguma coisa depreciativa na imprensa sobre a relação que podemos ter nos bastidores. Não raro, querem especular possíveis richas entre nós - picuinhas, ciúmes, inimizades. Qta bobagem. A gente se gosta muito (significa?) e confirma isso na prática qdo sai junto, como ontem.

That´s it... e lembrando que terça agora, dia 30, tem mais uma noite de autógrafos e papo comigo por conta do lançamento dos meus audiolivros do Machado de Assis. Na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, 1731, das 19 as 22hs. O telefone de lá é (11) 3062-1063 - sei lá, vai que vcs precisam ligar para saber melhor como chegar, etc.

Espero vcs lá, ok? E espero mesmo poder levar esse trabalho a outras cidades e estados, mesmo. Estamos estudando maneiras de fazer esses lançamentos pra vcs de fora de SP (que, por sinal, sabem bem que quero - e muito - conhecer suas terras!)

Um abraço

Rafa

Por Rafael Cortez às 16h06

26/09/2008

Amy Winehouse

                       

 

 

Sexta passada, indo de São Paulo a Porto Alegre, comecei a folhear no avião uma revista de celebridades. Lá pelas tantas, me deparei com uma foto assustadora. Era a cantora inglesa Amy Winehouse, pele e osso, cara de velha de 50 anos, unhas sujas, cabelos desastrosamente dispostos, olhar perdido, chapada, loucona, fora de si. O título da nota: “Amy faz 25 anos”.

 

Fiquei chocado. Ela foi flagrada assim, completamente sem noção de nada, ao sair de uma apresentação catastrófica em um pub de sua cidade. E sequer conseguiu, poucos dias depois, ir à festa organizada por amigos: estava com tanta vergonha da própria aparência que não teve coragem de sair de casa.

 

Essa mulher é uma figura bizarra. A um só tempo, consegue ser uma das personalidades musicais mais interessantes de nossa era. Por outro lado, cava a própria cova em uma vida de drogas, escândalos, loucuras e solidão – e tudo isso assistido em tempo real por milhares de pessoas, em uma disputa acirrada para saber quem descobre antes o dia e hora em que a diva do caos sairá de cena.

 

Com apenas 25 anos, Amy já tem um enfisema pulmonar e é viciada em crack. Uma das drogas mais devastadoras da humanidade. Faz de tudo, para a alegria dos paparazzis: pode ficar louca de cocaína a qualquer momento e sair correndo só de lingerie pelas ruas. Pode dar umas porradas em um sujeito chato na calçada; aparecer na porta de casa com o nariz sujo de pó; tentar justificar pateticamente um vídeo que pintou no youtube onde aparece cantando temas racistas com uma amiga; enfim – tudo com ela rende. E, no entanto, ela é a mesma garota legal que leva chá e cerveja para esses mesmos abutres na porta de sua morada. A mesma menina que dá beijinhos nos fotógrafos e, não raro, pede a eles que lhe comprem cerveja ou algo fundamental para o bagunçado lar.     

 

O som que ela faz ainda é uma das coisas mais legais dos últimos tempos. Sua voz é interessantíssima, e ela tem um suíngue, um jeito cool, uma força – e um talento! – musical de tempos remotos; de épocas em que o mercado musical produzia artistas, e não a Britney Spears.

 

No entanto, é claro que sua figura bizarra rende mais. É claro que a extravagância de seu visual é motivo de curiosidade. Seu cabelo, suas roupas, suas tatoos, sua cara blazé, seu corpo magro, tudo é interessante e contribui demais para que olhemos mais para ela. Mas o que a gente vai lembrar ultimamente na artista nem é sua voz, musicalidade, estética e pensamento. Todo mundo está mais interessado em presenciar sua destruição.

 

Como bem colocou o jornalista Ademir Correa na última edição da revista Rolling Stone brasileira (que traz Amy na capa), “... a sociedade fatalista “escolheu” acompanhar sua queda (de Amy), e não sua ascensão...”.

 

É isso, pessoal. Amy é a típica pessoa pública que muita gente pode invejar por ter o talento que pouca gente pode ter... mas na condição de dependente química, é mortal. Como qualquer um de nós. E a identificação com o que fragiliza o ser humano é aquilo que o conforta – que traz para o plano cotidiano, simplório e gratuito alguém que, assim como eu e vc, também vai ao banheiro, come e dorme.

 

É triste a lógica que impera nessa história. Como é interessante ver a queda de uma figura pública, não? Como há gente fazendo figas para ver logo o teto desabar em cima de pessoas famosas... Que vontade de aproximar ídolos dos mortais através das mesmas mazelas dos mortais – sendo que ídolos são e sempre serão... mortais! Aliás, a própria condição de estrelato é mais vazia que a vida entendida como maravilhosa por boa parte das pessoas comuns, apesar de ninguém acreditar nisso.

 

Por outro lado, é óbvio que toda essa situação não tem como ser vista de modo normal. Uma vez que temos uma cantora como Amy Winehouse “causando” tanto, toda hora, e sempre publicamente, como não achar interessante? Mesmo os mais críticos do comportamento da mídia sensacionalista nessas horas também vão recorrer aos jornais para ver as fotos convidativas desse caos. Sem hipocrisia, podemos criticar à beça os segmentos de imprensa que banalizam e mostram o fim de carreiras sólidas de artistas como ela... mas não conseguimos deixar de consumir os periódicos que nos mostram tudo isso. Está na natureza do homem, no nosso sangue. Essa nossa morbidez que nos aproxima uns dos outros.

 

Meu receio é de que não haja uma compreensão exata por parte das pessoas do que realmente está acontecendo com a Amy Winehouse. Essa mulher é uma dependente química, não uma maluca. Sem entrar no mérito de analisar as drogas e dizer coisas demagogas ou politicamente corretas, é FATO que elas possuem um poder de destruição sem igual. O que me preocupa é ver que uma grande parcela de pessoas – os adolescentes, em geral – podem atribuir os excessos da musa triste a um comportamento cool, uma opção sombria e excêntrica de viver, umas peculiaridades de diva pop. Nada disso. Ela é uma mulher doente, muito doente. Não tem nada de vagabundice, boemia, descolada loucurinha e opção moderna e transgressora de viver. Aliás, demorou para a sociedade contemporânea enfiar na cabeça que o Alcoolismo e a Dependência Química são doenças – isso quem diz é a Organização Mundial de Saúde, não eu.

 

Mas pode ser que não vejam a Amy como uma mulher doente. Pode ser que todo seu drama encoraje fãs a comportamentos e hábitos parecidos, todos atribuídos a uma postura pop transgressora. É aí que mora o perigo. Será que a moçada tem discernimento para acompanhar de camarote e em tempo real a queda de um ídolo? Essa é a questão mais delicada. Quem vai dar esses critérios de compreensão? Como se forma a cabeça de uma pessoa que vai ler, ver e ouvir tudo que é colocado na imprensa hoje? O dilema está lançado. E é fato que tudo vai ser devidamente noticiado e vorazmente consumido por todos nós.

 

Por Rafael Cortez às 14h57

22/09/2008

Mais de Porto Alegre

Passando muito, mas muito rápido mesmo por aqui... a Lan House vai fechar!

Porto Alegre: tô gostando, mas confesso que queria voltar logo pra SP. Qdo não gravamos eu fico muito só e não tenho mais saco de ver TV. Fora que sábado aqui foi feriado, depois teve domingo com tudo fechado... logo, sair, ir a lugares legais, etc é mais complicado dessa maneira - até pq o tempo livre é restrito mesmo.

Pedro e Roberto são dois malucos... mas são os caras mais divertidos para se viajar.

Que mais? Conheci uma das maiores fãs do CQC no Sul... ela ajuda a gerenciar uma das nossas comunidades no orkut e é bem gente-boa. Claudia. Gostei de vc, maluca.

Muita gente nos conhece aqui. Aliás, é louco sacar a audiência do programa fora de SP. Parece que nosso público tá mais no Sul; tá mais no RJ; mais em Brasília... ou então, é o comportamento do povo desses locais que se difere - e muito - da pseudo-frieza dos nossos paulistas, hehe...

Amanhã tô de volta. De noite - vou chegar bem cansado, acho.

É isso - passei só pra dar um oi mesmo... e pra ler os comentários de vcs nos posts anteriores. Reafirmo que leio tudo sempre... e tenho respondido a alguns de vcs por e-mail, qdo vcs deixam o adress.

Uma coisa só: tem um perfil meu na revista QUEM dessa semana - a que tem a Sandy casando na capa. Tá respeitoso e não é mico - lá eu apresento algumas das coisas que mais gosto.

Um abraço

Rafa

(Hj vi a Mulher Melão no programa da Sônia Abrão de tarde, no SBT... ela dizia que era tão gostosa que até a Lacraia, aquela/ aquele dançarina (o)-performer do Funk, poderia ter tesão por ela. Para isso, disse que estava "regeneralizando" a Lacraia... qdo queria dizer "regenerar"... vê se eu posso com uma coisa dessas...)

Por Rafael Cortez às 20h39

21/09/2008

Porto Alegre

Estou em Porto Alegre numa lan house... meio cansado por conta do dia de hj. Mas feliz. A cidade parece bacana e ainda tem muito a se conhecer por aqui. Saímos ontem - eu, Pedrinho e o Roberto Haushan, nosso produtor - para beber umas cervejas e ver a mulherada - haha! Porto Alegre ainda está me devendo uma impressão melhor no quesito cerveja - de resto, foi aprovada.

Daqui a pouco vamos num lugar chamado Parafernália. Tomara que não faça juz ao nome.

Bem, hj gravamos uma matéria que vai ao ar na segunda: festa da Revolução Farropilha. Foi bem legal. Mais ainda porque entrevistei a atual governadora do Estado, dona Yeda Crusius. Confesso que queria falar com ela. Trata-se da maior pedra no sapato dos tucanos atualmente. Sua gestão sofre com denúncias de corrupção e até mesmo um suposto mensalão teria sido realizado com desvio de verbas do Detran. Amada e odiada, a governadora tem muito o que explicar... e olha... fiquei impressionado com o modo como ela encarou bem nossas perguntas e como me pareceu espirituosa. Ela me lembrou um pouco daquele jogo de cintura de alguns políticos de SP, que se dão melhor encarando de frente as perguntas estilo CQC que mandamos do que fugindo da parada. Isso vale muito. Inocente ou culpada, o fato é que a dona Yeda nos encarou de frente.

Depois, fizemos a cobertura do desfile de militares e gaúchos típicos. Foi um barato ver o pessoal com suas roupas e costumes tão regionais. É um povo que tem muito orgulho de sua história e de suas tradições. E tem de ter mesmo: falamos de uma das mais belas culturas de todo país. Fora que todos nos receberam muito bem e eu senti com entusiasmo a popularidade do programa em todo canto.

O mal da história - altos churrascos. No Acampamento Farropilha, por exemplo, pega mal não aceitar uma carninha da galera. Fora que em todo canto se vê churrasco e mais churrasco. Não consigo mais olhar uma vaca na rua sem imaginá-la temperada rodando num espeto...

Amanhã tem mais trabalho. Idem segunda e terça. Mas entre uma pauta e outra podemos engordar mais um pouco, beber mais uns litros e curtir mais essa cidade e sua galera.

Nos falamos mais depois!

Um abraço

Rafa

Por Rafael Cortez às 00h05

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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