Blog do Rafael Cortez

19/11/2008

Brasília, Latin Grammy e um pouco mais

 

Já em Brasília foi outra história: participei de um debate promovido pelo Correio Brasiliense e pela Imprensa Nacional. O tema: Jornalismo de Entretenimento. Parte integrante de uma atividade intitulada “A Imprensa Discute a Imprensa”.

 

Olha, só o fato de terem me convidado para integrar uma mesa com jornalistas tão gabaritados como Eduardo Chauvet, Manoel Henrique Tavares Moreira, Clara Arreguy e Fernando Tolentino de Sousa Vieira, já foi um tremendo negócio. Falou-se muito da velha questão: o CQC é jornalístico ou não?

Bem, parte da resposta se deu no ato da minha participação no evento. O grande público desconhece o que eu fiz como jornalista antes do CQC. Portanto, se sou um cara conhecido hj é porque integro o CQC. E, como tal, fui convidado a integrar uma mesa de jornalistas refletindo sobre o Jornalismo brasileiro e suas nuances. Quer maior reconhecimento que esse?

Debate em Brasília: tremenda responsabilidade ao participar de um grande evento

No debate a coisa foi mais solene. Menor participação de moçada-fã, mas entusiasmo na mesma medida. Muita gente questionando o conceito de Jornalismo somado a humor. Senti uma responsa enorme, pois havia pensado em fazer uso da palavra mais como um cara que faz parte dessa corrente de profissionais que critica a sociedade através da ferramenta do riso... e menos como um representante do CQC na cidade, o que acabou por se configurar.

Uma coisa interessante rolou lá. E, na minha opinião, foi algo sensacional. Como havia abertura para a participação da platéia e internautas, recebi um e-mail que foi lido ao vivo ali – e não era nada elogioso. O cara se apresentou como alguém que não entende o programa em que trabalho e que, acima de tudo, não me entendia, não curtia a minha cara e me achava um bobo. Disse que eu não era jornalista e até mesmo partiu para algumas ofensas mais pesadas.

Foi bom isso. O cara que se expõe criticando alguém que - gostem ou não - aborda as notícias de uma maneira menos convencional, deve ter muito a apresentar como exemplo. Falei a ele o que digo hj a qualquer um que critique meu trabalho de forma mais depreciativa do que construtiva: nesse meio louco em que vivemos, e onde nos habituamos e ver jornalistas dando notícias de modos cada vez mais tendenciosos, caretas e/ou antiquados, é preciso ao menos conhecer quem se propõe a fugir do lugar comum. Acho que esse é o meu caso, e para a minha sorte o CQC é o meu ganha-pão e se encaixa no que eu acredito.

 

O que será que aquele cara, cujo nome não me lembro agora, faz de melhor que isso? O que as pessoas que tanto criticam aqueles que fazem algo novo oferecem de melhor no lugar?

 

Buenas, foi isso. A semana passada ainda fechou comigo e o bobalhão (haha!) do Danilo no Latin Grammy, numa pegada diferente da que a gente costuma fazer habitualmente. Foi bem legal pra nós dois. E foi muito bacana ver a Band num evento com tanto gás, em meio a tanta gente, fazendo algo com tanta garra. A Band é raçuda! Muita gente trampando, muito trabalho, muito tesão. Agora... erros rolaram, é verdade. Mas aqueles que só procuram enaltecer os erros de um trabalho grande como aquele não devem ser os caras mais amigos do planeta. Não são os brothers que tantas vezes procuram se mostrar, ao menos aqui, ao menos para mim, os amigos do peito...

 

Pra terminar,o lance da Uninove. Felipe Andreoli e eu fomos à faculdade Uninove da Barra Funda, aqui em Sampa, na última sexta. Batemos um papo sobre nossas carreiras e visões acerca do Jornalismo junto com uns 150 alunos. Foi bacana fechar a semana assim. A turma trouxe questões proveitosas e eu e o Felipe afinamos mais um humor que temos juntos e que pode nos render uma visão divertida das coisas... nos palcos! Pois é, imaginaram? Deve sair alguma coisa boa dessa nossa sintonia. Ponto pra mim: sendo o Felipe um brother tão querido e tão talentoso, vou ficar feliz de fazer mais coisas ao lado dele (não, não "significa", tá seus leitores maledicentes? haha!)

 

Um abraço!

 

Rafa

Por Rafael Cortez às 19h23

Teresina

Estou numa maratona daquelas ultimamente. Semana passada foi incrível: papo com estudantes da Semana de Comunicação da CEUT em Teresina, Piauí, na terça... participação em um debate sobre Jornalismo de Entretenimento em Brasília na quarta, CQTest e Latin Grammy na quinta, papo com estudantes da faculdade Uninove sexta, matéria domingo... e hoje, quarta, voltei de um evento de 3 dias fora de São Paulo, no meio da jornada da segunda quinzena do mês.

 

Tudo tem sido bem gratificante. Vou começar aqui falando de Teresina: foi sensacional. Encontrei pessoas que me trataram muito bem na comissão organizadora. A Samila foi minha “anja da guarda”. Ao lado da Maria Helena, coordenadora da faculdade, da Rosa e da Cris, amigas do curso, me deu um tratamento muito especial.

 

 

Eu e a galera que ralou muito pra fazer a Semana de Comunicação da CEUT em Teresina

Fiquei muito impressionado com a receptividade e carinho das pessoas da cidade. Fui tratado como uma celebridade, o que me assustou muito... mas me diverti. Observei uma coisa curiosa em Teresina. Ao contrário do que eu pensava originalmente, as pessoas me abordavam entusiasmadas sabendo muito bem quem sou e o que é o meu trabalho. Eu cheguei a achar que, de acordo com minha visão caricatural de quem nunca foi ao Nordeste direito (exceto o estado da Bahia), as pessoas da região não assistem muito ao CQC.


Considerei inicialmente que o “oba-oba” em torno da minha ida se daria como um “auê” ligado a um cara que tá na TV e vai visitar a cidade. Mas quem é ele?

Bem, em Teresina as pessoas todas sabiam muito bem quem eu era e o que é o programa. Fiquei muito feliz com isso. Volta e meia comentavam comigo sobre matérias passadas, já bem antigas... e sabiam detalhes. Sabiam de coisas bem específicas do Oscar, Danilo, Tas... um barato.

 

 

Peixe do Seu Alfredo com a galera de Teresina e da CEUT... bom demais...

Tá certo que o propósito inicial da minha ida a cidade era bater um papo abrangente sobre carreira, Jornalismo e desafios da profissão antes e depois dos 30 anos... mas, claro... a galera só queria saber de CQC. Ainda assim, foi bem legal ver os estudantes da CEUT entusiasmados, as meninas da cidade cheias de presentinhos, bilhetes, chamegos... os jornalistas locais trocando idéias, fazendo entrevistas, sempre por perto.

 

 

Entrevista para TV local de Teresina

Mas fiquei aflito ao perceber como os estudantes de Jornalismo da cidade me pareceram carentes de experiências como essa. A troca de idéias com profissionais de outras cidades, de outros Estados, ainda lhes parece rara. Eles reclamaram muito da falta de horizontes e chegaram a questionar como ter oportunidades parecidas com a minha morando no Nordeste, como se isso fosse um problema concreto. Estimulei a turma a criar em sua própria cidade, no seu próprio Nordeste, as oportunidades que parecem só existir no Rio e em São Paulo. Pq não pensar, eu, Rafa, em ir trabalhar em Teresina um dia?

 

 

Minha irmã, Thata, companheira da trip... ao lado da nossa “anja-da-guarda” e amiga da cidade: Samila

Queria passar pra turma de lá que as coisas aqui em São Paulo não são tão legais como parecem. Há uma visão romantizada de que aqui tudo rola bem, rola sempre, é melhor, especial, etc... mas tudo aqui é permeado por uma pressão enorme, uma competitividade violenta no mercado de trabalho e uma busca recorrente por diferenciais e renovações dos profissionais. Lindo pra quem tá de fora, duro pra quem vive esse “glamour” do Sudeste. Mas sei tbm que esse estímulo de criar um perfil de trabalhos e profissionais, nos moldes paulistas, no Nordeste... não deve ser coisa fácil não...

 

Papo no ginásio: mais de 800 pessoas presentes

Outro problema: fiquei bem assustado com a caretice do ensino acadêmico que me passaram. Defendi – e defendo sempre – que é na Universidade que os alunos de Comunicação de todo país podem experimentar. É lá que eles devem acertar... e errar mais que tudo. O espaço de experimentação tem de ser garantido a todo tempo. Eu tive a sorte de ter feito a PUC – SP onde, gostem ou não do curso de Jornalismo, é fato que há (ou ao menos havia na minha época) liberdade de criação e ousadia na sala de aula. Meu TCC foi diferente de tudo que já havia sido feito na minha turma porque meu orientador me estimulou na minha criação. Havia abertura para aquilo.

 

Pena foi não ter dado a devida atenção a todo mundo na hora de tirar fotos, saber mais das histórias e interagir. Peço desculpas à galera que se deslocou de longe pra me ver e não conseguiu chegar perto. Mas teve uma hora em que a coisa fugiu do controle de todo mundo e eu cheguei a sair do ginásio da CEUT no meio de um cordão de isolamento. Me senti mais pop que o Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, hehe...

 

 

Sim, eu tive um segurança do meu lado... haha!

 

Na sequência, conto como foi o lance em Brasília, Latin Grammy e UniNove! Acompanhem!

Abraços, Rafa

Obs: Todas as fotos deste post são de Samila Mulhomem

Por Rafael Cortez às 19h03

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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