Blog do Rafael Cortez

28/11/2008

Santa Catarina

Tem sido muito triste ver pelos jornais e na TV a situação de Santa Catarina.

 

Gente perdendo tudo, mas tudo mesmo. E, com o tesão que as tvs tem em contar as histórias mais tristes em meio às maiores formas de deixar cada relato ainda mais comovente, o que temos visto é uma sucessão de mazelas absolutamente reais e impactantes.

 

Sempre discordei das formas estereotipadas de cobrir a tragédia humana por parte da imprensa. Sempre odiei os jornalistas que se apegam à necessidade de fazer seu entrevistado chorar. Lembro que quando eu era produtor de um programa popular de entretenimento televisivo no começo do ano 2000, meu diretor adorava quando algum de nossos convidados soltava o berreiro no quadro emotivo. Podia ser a mãe fazendo um apelo para rever o filho desaparecido, a gorda lamentando a obesidade, e - melhor que tudo! - as criancinhas tristes com fome.

 

Hoje todo esse apelo continua. O caso dos Nardoni e o da adolescente Eloá são exemplos de coberturas estereotipadas. Como bem diriam os tropicalistas em "Made in Brazil", "tem jornal popular que não se espreme porque pode derramar".

 

No entanto, no caso da tragédia em Santa Catarina, é preciso que se mostre cada cena. Que todo mundo saiba que centenas de pessoas estão sofrendo e precisam de ajuda. Que todos saibam a extensão dessas mazelas para poder ajudar quem ficou só com a roupa do corpo.

 

É triste de ver e ainda mais deprimente saber que tudo isso tende a piorar ainda mais - a natureza está em colapso por causa do homem; as cidades não comportam mais tanta gente em meio a tantas construções (muitas delas em locais inapropriados); as chuvas, quando intensas, mostram a fragilidade de centros urbanos, periferias, zonas rurais e toda e qualquer região onde bueiros entopem, rios inundam, barrancos desmoronam e lama se mistura com urina de rato, esgoto e dejetos mortais.  O resultado é tudo isso que a gente está vendo... e olha que nem estamos no verão ainda.

 

Quero muito acreditar que as autoridades tomarão providências e eu nunca mais vou me deparar com essas imagens na TV. Gostaria muito de acreditar que um pai de família pode construir alguma coisa com uma vida inteira de sacrifícios e não perder tudo na primeira chuva. Vou fazer o jogo do otimista aqui porque é assim que eu preciso viver, entenderam?

 

Mas, ante a realidade dos fatos em Santa Catarina, fica aqui a dica de como vcs podem ajudar também.

 

Quem mora em São Paulo pode doar roupas, água e alimentos nos seguintes locais:

Cruz Vermelha Brasileira e Comdec (Coordenadoria Municipal da Defesa Civil-SP) - A arrecadação vai funcionar 24 horas na sede da última, na rua Afonso Pena, 130, no bairro Bom Retiro. Na sede da Cruz Vermelha Brasileira, as pessoas podem fazer doações na avenida Moreira Guimarães, 699, no bairro Saúde.

Mais locais onde estão sendo arrecadados donativos:

- Colégio Santo Ivo - Rua Paço da Pátria, 1705, Alto da Lapa

- Limoeiro - São Miguel Paulista - pelo fone: 2025-7369

- ACM - Associação Cristã de Moços - Avenida das Flores, 453 - Jd. das Flores -Osasco

- Restaurante Mostarda - Av. Luis Carlos Berrini, 483, Brooklin Novo

- Escola Oriental de Massagem e Acupuntura - Avenida Dioderichen, 1000, Jabaquara, próximo ao metro Conceição

- Felicita Beauty - Rua Dr. Cesário Mota Jr, 383, Vila Buarque, Consolação

- Supermercado Papini - Avenida Professor Papini, 232, Cidade Dutra

- Condomíno Jd. Office Tower - Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 881, Jardins

A Força Sindical Nacional também está recebendo doações. Eles pedem aos sindicatos e federações que colaborem com alimentos não perecíveis, roupas, água potável, artigos de higiene e calçados. A Força montou um posto de arrecadação em sua sede em São Paulo , na rua Galvão Bueno, 782, na Liberdade.

O São Paulo Futebol Clube realizará um mutirão de arrecadação entre esta quinta-feira e o sábado (29). A arrecadação acontecerá no portão 1 do Estádio do Morumbi, das 8h às 20h. No domingo (30), dia da partida entre o São Paulo e o Fluminense, todos os portões de acesso ao estádio receberão doações, desde a abertura até o intervalo do jogo.

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) também receberá doações de alimentos não perecíveis, roupas e cobertores nas estações de trem de maior movimento em São Paulo : Luz, Brás, Barra Funda, Osasco, Santo Amaro, Santo André.

Há a opção de entrega de donativos na Defesa Civil que fica no Bom Retiro ou em qualquer posto da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros. Todos estão recebendo doações 24 horas.  Telefone: 5056-8665 / 5056-8664 / 5056-8667 

Também as 31 subprefeituras recebem a ajuda em horário comercial. Outra opção é o galpão do Fundo Social de Solidariedade, no Jaguaré, na Zona Oeste. 

Vcs podem fazer doações em dinheiro (qualquer valor), depositando diretamente na conta da defesa civil de Santa Catarina:

Banco do Brasil

Agência 3582-3

Conta Corrente 80.000-7

Besc

Agência 068-0

Conta corrente 80.000-0


O depósito deve ser creditado ao Fundo Estadual de Defesa Civil - Doações.

Vamos dar essa força, ok?

Um abraço,

Rafa

  

Por Rafael Cortez às 10h51

25/11/2008

Buenos Aires

To em Buenos Aires, Argentina... e mais uma vez nao entendo os teclados de fora do meu pais. Cade os acentos dessa merda?????

Vim a trabalho, mas nao para gravar materia.

Uma curiosidade: um dos queridos amigos do CQC devia estar comigo aqui e agora. Mas o queridao perdeu o voo porque tentou embarcar com sua carteira de motorista, haha! Ficou a ver navios. Ou melhor, avioes. Vem sò no fim da tarde e ja vai direto pra labuta.

Dei uma andada por aqui. Conheci a Casa Rosada, alguns locais historicos e fiz umas fotos. Antes, conheci a Cuatro Cabezas - Eyeworks daqui. A "nave-mae"! Demais. Aqui, o CQC tem uns 15 anos quase. Ta consolidado e eh um sucesso absoluto. Muita, mas muita gente trampa na produtora. So mocada, so galera legal.

Dar role em um pais estranho eh sempre um barato. Pena mesmo eh ter de fazer isso sozinho. Ah, esse muu colega de terno preto e miolo mole... como pode ter perdido o voo por causa de documentos?

Almocei num lugar legal e tomei um cafe noutro, onde havia a promessa de "cafezinho brasileiro" na fachada. Mentiram. Nosso cafe eh bem melhor que o daqui.

O mal eh que ta fazendo 27 graus!!! 27!!! E eu que achava que pegaria um frio elegante ao som de um tango de Gardel... nem posso aproveitar a piscina... a tanguinha de croche que comprei do Gabeira ficou em casa, haha!

that´s it... ou melhor...

Hasta la vista, muchachos e muchachas!

Rafa     

Por Rafael Cortez às 16h41

24/11/2008

Brigitte Bardot

Brigite Bardot na década de 60...

 

Sábado eu estava em casa de bobeira e acabei vendo uma coisa excepcional na TV. O canal GNT passava um documentário sobre a sensacional atriz e cantora francesa Brigitte Bardot.

 

Ela, que foi ícone de beleza e sensualidade por pelo menos duas décadas (a de 60 e 70), hoje é uma grande ativista dos direitos dos animais.

 

Era linda, sexie, deslumbrante, gostosa e desejada por um mundo inteiro. Foi cultuada em mais de 50 filmes. Badalada de um modo que deve assustar hoje até a Madonna. Venerada como a mulher ideal, a musa dos artistas, intelectuais, diretores, mulheres, machos e toda sorte de seres... Anos mais tarde, se deu conta da própria velhice. Hoje vive o fim da vida por uma causa pessoal maior do que todo estereótipo do belo que ela mesma foi.

 

Uma das coisas que mais me impressionou foi a imagem de multidões atrás dela. Em uma cena assustadora, mostra-se a musa desmaiando no meio de uma legião de pessoas. Ela sai carregada nos braços de policiais que furam o coro de fanáticos, paparazzis, malucos e curiosos. Isso o que? Em 1967, por aí.

 

Brigitte Bardot foi uma mulher espetacular, é verdade. Nem atingiu com força o cinema americano por conta de seu inglês parco, por Hollywood já ter Marilyn Monroe como sua concorrente e pelo perfil um tanto erótico que a francesinha-gostosa traduzia em seus biquínis de época. Ainda assim, fez tanto sucesso – e tantos filmes – na Europa que logo já era uma febre internacional.

 

Veio ao Brasil algumas vezes. Em 1964, deu um rolêzinho básico em Búzios (ao lado do playboy Bob Zaguri) e a cidade nunca a esqueceu. A estátua em homenagem à estrela está numa praça de lá até hoje. A passagem de BB (como era apelidada na época) por lá ajudou Búzios a ser referência de (bom)  turismo internacional. Grande Brigitte!

 

No auge de sua fama, BB não podia dar um passo em paz na rua. Tinha de fechar janelas e cortinas para não ser fotografada pelos chacais que viviam na porta de suas mansões. Como ela casava e descasava direto, tentou o suicídio algumas vezes, amava roupinhas curtas, era boêmia e jovem, tornou-se um prato cheio para a já sensacionalista imprensa de sua época. Claro: foi ficando infeliz e cada vez mais questionadora de sua existência de musa.

 

Pouco antes de completar 40 anos, anunciou sua aposentadoria. Decidiu potencializar sua fama para defender os bichos. E, coisa mais impressionante: como estava farta de ser a mulher mais linda do mundo sempre, optou por ser a mais feia. Envelheceu sem fazer uma plástica e sem aplicar um botox sequer. Hoje é uma velha largada, de cabelos desgrenhados, dentes judiados por muitos cigarros e aparência cansada.

 

Que coisa mais louca a Bardot. Que aflitiva sua história. Tanta, mas tanta gente em seu encalço... e por tantos, mas tantos anos! Sempre linda, sempre instruída (leia-se “obrigada”) a ser bela. A mais bonita. Um dia deve encher o saco mesmo.

 

Esse dia chegou para BB. Que coragem a dela. Ser ela mesma, dando uma banana para a indústria cinematográfica, um adeus à fútil idealização estética – a mesma que nela encontrava um ícone. De todo glamour fake da artista triste nasce uma causa pelos animais. E ela se doa de corpo e alma a isso. Faz amigos e inimigos em nome de seu ideal.

 

O documentário mostra bem que a paixão de BB pelos bichos já era antiga. Vivia adotando cachorros e usando suas múltiplas coletivas de imprensa para questionar abatedouros e o já problemático caso das focas-bebês.

 

A atriz e cantora sempre detestou madames malucas por casacos de peles. Ela, como bem contou na tela da GNT, sempre se identificou com os bichos em seus sofridos processos de privação de liberdade e atendimentos de caprichos de indústrias e sistemas maiores dos homens. “Como eu fui tratada muitas vezes como um animal, é com os animais que mais me identifico hoje. E o ser humano é cruel. É péssimo”. Palavras de BB.

 

A causa de Brigitte Bardot lhe custa bem caro. Ela leiloou tudo que tinha de mais precioso para erguer a “Fundação Brigitte-Bardot”. De diamantes a vestidos, de quadros a fotos pessoais. Vive às turras com os muçulmanos porque nunca entende seus rituais de sacrifícios de animais. Já foi processada algumas vezes por racismo e é “persona-non-grata” em alguns países. Não raro, causa tumulto ao tentar chamar a atenção de Chefes de Estado para o sofrimento de bichos do mundo todo. Chora ao mostrar vídeos onde as tais focas-bebês são espancadas até a morte para a extração de suas belas peles. Nessas ocasiões, mais uma vez faz a festa dos fotógrafos de plantão. Mas é um espetáculo consentido, e de causa mais nobre.

 

BB não é uma santa, é verdade. Por conta de seus ideais, não raro mete os pés pelas mãos. Não existe coisa pior que ter a razão e perdê-la por um destempero. Nada justifica o racismo, por exemplo. No afã de se colocar e apontar bizarrices humanas, Brigitte Bardot pode passar por cima de questões culturais absolutamente importantes e ser injusta. E dá-lhe processo, e dá-lhe escândalo...

 

Mas quem aqui pode negar que sua história é fantástica? Quantos de nós nos entregamos de corpo e alma a uma causa maior e sacrificamos nossos caprichos por isso?

 

Bardot está velha, feia, pobre, cansada. É triste ver a cena da musa de outrora hoje, andando com dificuldade, amparada por duas muletas. Mas ela nem liga. Já foi bizarro negar toda essa indústria estética e sair do campo das aparências. É ainda mais bizarro brigar com o mundo todo, se preciso, por uma causa que não lembra em nada o glamour de tempos passados.

 

Eu, que hoje me pego em situações onde a mídia tem tanto impacto, os “artistas” tanto reconhecimento, e a beleza tanta importância, confesso: me senti perdido no meu sistema de vaidades e caprichos quando conheci mais a história de Brigitte Bardot. Tem tanta, mas tanta coisa maior nesse mundo... por quê então temos de fazer do nosso próprio mundo algo tão pequeno?

 

Pensemos nisso, sim?

 

Um abraço

 

Rafa

 

Brigitte Bardot em nossa década atual... qual das duas é a melhor para vc? 

Por Rafael Cortez às 16h29

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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