Blog do Rafael Cortez

20/01/2009

Comédia na Cara

Olá amigos

Escrevo rapidamente aqui de Curitiba para dizer que tá tudo bem; que a cidade continua cheia de comidas gostosas, pessoas bonitas, gente boa, amigos e ótimas baladas. Aqui é lugar pra se viver amarradão, com qualidade de vida, beleza e cultura a todo tempo. Viva Curitiba!!

Minha participação ontem no Bar Santa Marta foi legal. O público curitibano é bem diferente do paulista - umas coisas pegam, outras não. De modo geral gostei mais de ontem do que do meu "debut" no Memphis Bar. É bem importante ver algumas coisas não darem certo ao vivo e na bucha... pra equilibar o jogo de cintura, mudar o ritmo, mexer no que tem que ser mexido, etc.

Daqui a pouco vou no Era Só o Que Faltava. Tô bem afim de participar e de ver logo o trabalho do Fábio Silvestre. Esse cara é grande, simples, bacana e manda mega bem. Almocei com ele e com o Ítalo hj e foi bem legal.

Boa notícia ao povo de São Paulo (ou pode ser uma má notícia, dependendo do meu texto cômico, hehe...): amanhã, quarta, dia 21, participo da noite do Comédia na Cara... olha o flyer aí embaixo e vai, ok?

E quinta vejo vcs na Fnac da Avenida Paulista, às 19hs. Lançamento, lá, dos meus audiolivros. Tô levando o violão comigo e prometo tocar mais e falar menos dessa vez, ok?

Abração!

Rafa

 

 

 

 

 

 

Por Rafael Cortez às 17h58

18/01/2009

Agora sim, o que achei de "Maysa", da TV

Começo dizendo que devo me retratar com a atriz Larissa Maciel. Eu não estava mesmo gostando dela nos primeiros capítulos. Mas percebi que ela é grande, boa atriz, aplicada, versátil... e que apenas não foi tão bem dirigida.

Há atores excelentes que perdem muito de seu potencial quando encontram algumas direções pelo caminho. Li recentemente a biografia do grande ator Marlon Brando e ele fala disso muitas vezes ao longo da obra. No caso de "Maysa", minha principal crítica se refere mesmo à direção do Jayme Monjardim - apesar dele ser um dos meus heróis.

Esse profissional é indiscutivelmente grande e já fez coisas que todo mundo aqui gostou demais - a novela "Pantanal" é um desses exemplos. Mas acho que não foi muito legal caber justamente a ele, filho da própria cantora retratada, a missão de dirigir uma obra como essa.

Ainda que a Larissa Maciel tenha mergulhado de cabeça na personagem, tive a sensação de que a Maysa que ela apresentou estava humanizada demais... muito diferente daquela que conheci na biografia imparcial e corajosa do Lira Neto. "Há mais coisas entre o céu e a Terra do que julga nossa vã Filosofia", já dizia Shakespeare... e isso se aplica à relação de mãe e filho. Talvez o Jayme Monjardim tenha instruído a Larissa Maciel a conduzir sua Maysa por essa linha menos intempestiva. Por um cuidado com a figura já tão devassada da mãe no passado... como uma forma de homenageá-la, não sei. Mas me pareceu tudo muito suave, muito menos visceral do que eu penso que Maysa foi. Muito diferente do que li. E, com isso, não estou em nada depreciando o diretor da minissérie. Ainda o acho um excepcional diretor... mas talvez não para falar da própria mãe, como já coloquei. 

Claro, o fato de um filho retratar a vida de sua mãe famosa pode criar problemas... mas pode render momentos de pura beleza, como os vistos no último capítulo.

Folheei o final da biografia da Maysa para ver se tinha a descrição daquele papo bonito repleto de perdões entre mãe e filho no aeroporto. Não havia o relato dessa conversa, ainda mais nessa profundidade emotiva. Pareceu-me uma licença poética do Jayme Monjardim em parceria com o autor Manoel Carlos. Um momento em que se criou o diálogo que deveria ter havido, mas talvez nunca tenha existido. Como uma forma de exorcizar fantasmas, pedir desculpas, colocar uns "pontos nos is". Se foi isso mesmo, que lindo. Típica coisa que se beneficiou demais do fato de ser o próprio filho a dirigir uma obra sobre a própria mãe. Outro exemplo, aquela linda homenagem à Maysa no final. O único momento em que aparecem imagens da Maysa de verdade. Foi tocante e só saiu assim, bonito, porque nasceu de um filho diretor. Ninguém faria isso melhor que ele.

Aliás, foi uma tremenda sacada o Jayme Monjardim não mostrar imagens da Maysa real em contraposição às da Larissa Maciel na personagem. Isso deu força à atriz e foi generoso da parte dele. Fora que conferiu magia e curiosidade popular à personagem, dando especial efeito ao final bonito em que o povo finalmente vê a Maysa real. Imagino que o Youtube bombou de gente em seguida para caçar os vídeos de arquivo dessa grande intérprete.

A adaptação do Manoel Carlos não teve a sorte de mapear bem a vida da artista... mas deu poesia à historia, foi bonita. Teve magia, é o que importa. Ele fez bem isso, mesmo omitindo o nome da Nara Leão na história - coisa que, como sabemos, só aconteceu como resultado de um pedido pessoal da família de Nara. Vai saber pq...

Alguns atores estavam ruins mesmo, o que independe da direção. O fato de serem tão criticados não mostra qualquer tipo de maledicência e/ou inveja de seus críticos (onde me incluo). Isso só reflete o fato de que as pessoas estão cada vez mais exigentes com qualidade interpretativa na televisão - tanto que a Patrícia Pillar foi a melhor atriz de 2008 na TV brasileira, por seu único e incansável mérito... e por ter um público inteiro percebendo isso. Com o passar do tempo, cada vez mais as pessoas vão querer atores melhores e mais convincentes. Os profissionais que não se ajustarem a essa expectativa vão sofrer críticas duras - como aconteceu com parte do elenco de "Maysa".

Em resumo, foi uma boa minissérie. Mas foi "uma vida inteira que poderia ter sido e não foi", como bem retratam as palavras do Manuel Bandeira e que, inclusive, foram colocadas na boca da personagem da Larissa em dado momento de "Maysa". A gente se apegou à enorme semelhança entre a atriz e a cantora real. Gostamos das músicas o tempo todo, porque é Maysa, oras... Curtimos a reconstituição de época, o capricho da produção, o bom-gosto das imagens, o esmero da protagonista, o clima da história... mas tivemos que engolir uma personificação mais light da cantora, uma pieguice a todo tempo, uma história pela metade, algumas composições cênicas menores... ou seja, me pareceu que tivemos de nos apegar mais aos pontos fortes do que aos fracos. Sendo que podia ter sido uniformemente bom. O diretor é grande, a história tem fluxo, a personagem é interessante e rende; enfim. Mas não deu pra ser 100%...

No entanto, o saldo positivíssimo da história: fizeram uma série sobre Maysa!! Num momento em que a Maysa mais importante do Brasil era a menina sobrenatural que tanto aparece no Top Five do CQC, resolveram falar da melhor Maysa que já tivemos. Isso não tem preço. Os discos dessa genial artista estão vendendo bem de novo, quase 50 anos depois. Em toda revista que leio, há um artigo sobre Maysa. Os jovens puderam conhecer alguém que tinha mais voz, mais personalidade e mais polêmica em cada passo do que a Amy Winehouse hoje. Todo mundo quer saber mais da autora de "Ouça" e "Meu Mundo Caiu"... e muita, mas muita gente passou a gostar dela! E que bom, nesse sentido, que a minissérie tenha dado tanta ênfase à MÚSICA de Maysa... e menos a seus escândalos. Afinal, o que resta de um artista é sempre a sua obra. Sempre.

Um abraço!!

Rafa

               

Por Rafael Cortez às 17h23

Antes de falar de Maysa, umas reflexões...

Lendo os comentários de vcs no meu último post desse blog (publicado ontem, sábado), me deparei com um que me chamou especial atenção: o da Malu, de Curitiba.

Ela comentou o fato de eu pedir críticas construtivas a respeito do meu trabalho... quando eu mesmo não as faço de modo construtivo ao criticar o trabalho dos outros. Citou, como exemplo, o episódio da minissérie Maysa, da Globo. Em um artigo anterior desse blog, no começo da produção da emissora, apontei o quanto as interpretações dos atores vinham me incomodando e dei um parecer mais negativo do que construtivo.

Bem observado, Malu. É verdade. Eu, como formador de opinião agora, não posso julgar de forma desmedida e precipitada. Se quero que as pessoas tenham paciência comigo e entendam minha trajetória de altos e baixos, devo fazer o mesmo com quem curto observar e criticar.

Toda essa questão de ser formador de opinião a partir do momento em que me torno uma pessoa pública é especialmente delicada. É verdade, a responsabilidade aumenta. A Malu bem ressaltou que a galera se apega às coisas que digo - e exemplificou bem, com o caso de eu tocar "Reconvexo", da Maria Bethânia na balada... e isso nem ser encarado de modo pejorativo; pelo contrário. Sinto bastante uma receptividade de boa parte do meu público em conhecer mais a obra da Nara Leão, como outro exemplo. Como sempre falo dela e dou meu parecer altamente favorável, muitos de vcs passam a consumir seus discos e, como eu, a venerá-la. E isso é muito bom.

Mas o contrário também pode acontecer. Por excesso de liberdade autoral nesse meu cyber-espaço, bem como por total falta de "papas na língua", me pego às vezes precipitando meus julgamentos e dando pareceres não muito favoráveis a artistas/ produções que talvez mereçam análises mais aprofundadas (nisso não está incluso o Big Brother Brasil, ok?)

No caso específico da minissérie Maysa, eu temia esse acontecimento. Tanto que pedi calma a mim mesmo, aguardando pelo desenvolvimento dos capítulos. Ao terminar aquele artigo, reiterei que ainda teríamos chão - e que eu esperava mudar de idéia quanto aos pontos que tanto me incomodavam. Apesar disso, percebi que muita gente passou a mudar de opinião depois que dei uma "crucificada" na obra da Globo. Algumas pessoas me escreveram pessoalmente e, de modo venenoso, chamaram de "falta de personalidade" esse comportamento coletivo no meu blog. "Que coisa!", disseram alguns - "é só vc falar que não está gostando disso ou daquilo e o povo começa a seguir sua opinião".

Lembrei bastante de quando escrevi um artigo criticando a maneira deslumbrada que muita gente tinha comigo - um bem polêmico, que acho até que já saiu desse blog. Eu disse que prezava mais o papo inteligente com a galera... e menos o montante de comentários estereotipados na linha do "te amo, vc é lindo". Lembro que, obviamente, houve uma mudança de comportamento por parte das pessoas por aqui. Passei a receber mais comentários seletivos e inteligentes... bem como uma meia dúzia de desculpas pela reprodução daquilo que chamei de "histeria coletiva".

Mas o fato é: aqueles que querem minha cumplicidade apontando coisas ruins - ou que consideram menores - no comportamento dos outros ganham mais minha desconfiança do que meu afeto. Quem aparece por aqui, nos meus e-mails ou no meu orkut para depreciar os feedbacks da galera que me escreve esquece que, de modo geral, está fazendo algo ainda pior. Isso me parece um tanto maledicente. Do mesmo modo que acho especialmente cruel quem critica erros de português e digitação da moçada. Ao fazer tudo isso, os "algozes" da internet esquecem uma série de coisas que eu já disse mil vezes aqui - e que, como meus amigos confidentes e especiais, deveriam saber: as realidades são diferentes umas das outras.

Há todo tipo de gente nesse blog: desde as figuras mais eruditas e verborrágicas até um povo muito jovem e ainda em processo de aprimoramento pessoal. Há gente mais estudada, gente mais simples, gente muito adolescente, gente mais velha... gente ainda em formação... que não precisa saber escrever bem ou entender de cara o que me agrada. Que gosta de se manifestar e está em pleno direito de fazê-lo. Gente que, ao mudar de opinião ou comportamento depois de um parecer meu, não revela falta de personalidade... mas, talvez, um carinho ainda maior por mim - o que muito me comove e chama minha atenção. Ou, melhor ainda (ou doce ilusão), que pôde reavaliar seus conceitos comigo! Gente que pode, sim, passar a gostar mesmo de Nara depois de me ouvir falar tão bem dela. Pq não? Gente que não fala as coisas só para me agradar ou não discordar de mim... mas sim por afinidade, ué. Por isso é que visita esse blog e troca idéias comigo. Não é essa a idéia? Afinidades seletivas. E há, claro, pessoas sem muita personalidade e que jogam o meu jogo. Claro que há. Gente que segue cegamente aquilo que está sendo colocado - seja comigo, seja com quem "caga as regras" melhor. Mas não acho que essa galera domine por aqui.

Bom, tudo isso é para dizer que ainda sou daquele movimento do "Viva e Deixe Viver". E que, de fato, observo tudo muito bem nesse meu blog... e, sim, leio mesmo os comentários de todos - a ponto de reprovar quem muito critica os comentários espontâneos de vcs. 

Mais: tudo isso é resultado de uma motivação - comentar o que a Malu, de Curitiba, me escreveu... e dar, finalmente, meu parecer final sobre a minissérie "Maysa", agora que ela de fato terminou. Vcs agüentam ler a continuação disso na seqüência? (CONTINUA...)

Por Rafael Cortez às 17h22

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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