Blog do Rafael Cortez

26/06/2009

Michael Jackson

Michael Jackson (1958-2009)

 

Não há como não se abalar com o que todos nós vimos recentemente na TV. A incredulidade toma conta de todos aqueles que ligam o rádio e ouvem as músicas dele, tocadas agora mais do que nunca, precedidas por essa informação que é dura de aceitar, mas verdadeira: Michael Jackson morreu.

 

À medida que o tempo passa, mais nos damos conta de que os ícones estão nos deixando com uma rapidez cruel. Os Beatles eram quatro, hoje só restam dois. Das formações originais das melhores bandas de rock de todos os tempos, permanecem poucos dos ídolos que fizeram gerações sonharem – fica o Queen sem o Freddie Mercury, The Doors sem Jim Morrison, e por aí vai. Na Música Popular Brasileira, não há mais a presença de Nara Leão, Elis Regina, Cartola, Vinícius, Baden... depois, se foi o Tom Jobim - e foi covardia. E a gente se pergunta o que vai ser de nós quando não tivermos mais o Chico Buarque e a Maria Bethânia, da mesma maneira que ninguém aqui quer que o Jimmy Page e o Robert Plant parem, ou que o Paul Mccartney deixe uma lacuna enorme no cenário da música (boa) mundial – até porque, sem essas figuras no nosso mundo, quem vai sucedê-los?     

 

Um dos ídolos mais interessantes no mundo das artes em geral era o Michael Jackson. Esse sim: muitos de nós já pensamos como será quando soubermos que o Rei do Pop morreu. Dos mais fãs aos mais indiferentes, não há como negar que ele mexeu um pouco com cada pessoa aqui. Vc pode não gostar do som dele, mas não pode negar que já ouviu "Beat It" numa festa. Negue que vc curtiu o clipe de "Thriller" ou que já namorou alguém ao som de "Ben". Quem há de dizer que o estilo inconfundível desse grande astro, na dança, na canção, nos vídeos memoráveis e em performances sem igual, não nos roubou ao menos alguns minutos de atenção? E, obviamente, quem aqui não prestou atenção em suas manias, esquisitices, bizarrices e escândalos que, ainda que tenham tido tanta força, nunca foram maiores do que o artista e sua obra?

 

Michael Jackson não só não passou despercebido como virou referência de excelência em música, espetáculo e criação. Virou sinônimo de algo gigante, do ápice a que muitos tentam chegar e não conseguem, haja visto que nem todo mundo tem o seu talento inigualável. Quando estamos muito populares, numa festa cheia de amigos nos celebrando, dizemos que nos sentimos “o Michael Jackson”. Um artista com a casa cheia e depois de um show ótimo vai pensar: “hoje me senti como o Michael Jackson”. O criador de uma dança irada, de um clipe sensacional, de uma canção maravilhosa, de uma performance fantástica, vai se remeter à figura do Rei do Pop e lembrar dele como padrão – e muitas vezes como meta. Como ele dançou, como ele cantou, o que ele fez. Falem mal de sua cabeça maluca, questionem suas plásticas e o suposto vitiligo... mas não se esqueçam que ninguém fez nada parecido no século XX. Não esqueçam que a partida desse grande astro deixa uma lacuna que jamais será preenchida... e nós, que pudemos ver alguns de seus feitos em tempo real, podemos dizer a nossos filhos e netos que pertencemos a uma geração que viu o artista brilhar.

 

O que mais gosto na história de Michael Jackson é pensar que sua obra foi maior que sua tragédia pessoal. Não quero evocar nada acerca de todas as coisas bizarras e tristes que marcaram sua passagem por essa terra e que o transformaram, rapidamente, em uma figura solitária, infeliz e muitas vezes insana.

 

Entendam uma coisa: quando quem parte é o bom artista, tudo que dele fica é sua bela obra e a lembrança de todo seu grande talento.

 

Um abraço a todos

 

Rafa              

Por Rafael Cortez às 02h49

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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