Blog do Rafael Cortez

29/06/2009

Agenda atualizada - julho e agosto

01 de julho, quarta - Estou na SEMANA DO ARTISTA na Rádio 89 Fm. Link ao vivo ao meio-dia. Tarde de autógrafos e bate-papo.

11 de julho, sábado - Jundiaí - Stand-Up na sede central do Clube Jundiaiense, ao lado de Marcos Aguena (o Japa) - a apresentação faz parte do projeto Clube do Riso.

30 de julho, quinta - Stand-Up Comedy em TERESINA, Piauí. Local e maiores informações - em breve

08 e 09 de agosto, sábado e domingo - Curitiba - Recitais de violão no Teatro Regina Vogue. Maiores informações - em breve... mas os ingressos JÁ ESTÃO À VENDA.

23 de agosto, domingo -  Stand-Up com Fábio Gueré em SOROCABA, São Paulo


Toda terça - Me apresento no Ton Ton Jazz Moema com o grupo Stand-Up Express (SUJEITO À AGENDA DO CQC).
Al. dos Pamaris, 55 - Moema - São Paulo - SP
Informações:
3804-0856 / 3804-0857 / 3804-0858 / 5044-7239

Toda quinta, às 15hs - Dia em que abro espaço para meu melhor amigo na ClicTV. Trata-se do LORENO, um ser iluminado, imprevisível e sentimental. Assista ao PROGRAMA DO LORENO em www.clictv.com.br - quintas, 15hs.

Até lá, galera

Abraços

Rafa

Por Rafael Cortez às 15h30

Ribeirão Preto

Em um momento em que todo mundo lamenta a perda do artista (ainda o Michael), quero escrever hoje sobre a arte em si... sobre esse misterioso processo que leva alguém a contribuir com algo mais belo, mais sensível, mais instigante e mais inspirador que os limites quadradinhos da nossa vida administrada e burocrática.

No lugar de lamentar a partida de quem criou e encantou, acho que a gente podia consumir mais o que foi deixado de bom. Ouvir mais os discos do Michael agora, ver seus ótimos vídeos no Youtube, dançar como nunca seus hits nas baladas, é algo mais reconfortante e belo de ser feito. É melhor que lamentar mais e mais o fim, o adeus - ele não encerra uma obra.

Fazer algo em um palco é uma demonstração de que há, sim, algum tipo de entidade superiora. Aquele que alguns vão chamar de Deus, outros de Jah, e por aí vai. Independente de crenças religiosas, e do que é – ou quem é – Deus para vc, o fato é que rola alguma coisa de mágica, de poderosa, de melhor e de grande energia no ritual de pisar num palco para expressar algo sensível e de grande carga emocional.

Quero falar da minha última grande experiência nesse sentido. Foi na Feira do Livro de Ribeirão Preto, sexta retrasada, dia 19.

Muitos aqui já sabem como foi; que foi lindo ver aquele teatro Pedro II lotado até não dar mais... que fiquei boquiaberto com as mais de 1500 pessoas dentro da casa, contrastando com as outras 1500 que ficaram do lado de fora.

Eu nunca tinha tido uma experiência como essa. E confesso que achei emocionante, radiante, sensacional... e tbm fiquei com um medo que nunca tive antes.

Por um lado, aquela situação deliciosa... ver tanta, mas tanta gente com um astral tão fantástico e uma receptividade calorosa. Por outro lado, o que eu tinha preparado para apresentar envolvia algo complexo e mais íntimo. Era falar dos meus audiolivros do Machado sim, mas de posse do meu violão de cordas recém-trocadas e, pro meu desespero e tbm prazer, com músicas relativamente complexas para executar.

Eu, nas minhas fases áureas como violonista, sempre quis tocar para muita gente. Mas meus recitais tinham cerca de 35, 50 pessoas... o mais popular deles – e um dos melhores – foi na sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo, na programação do Clássicos de Domingo, em março de 2006. Tinha umas 100 pessoas. Em resumo, sempre tive platéias modestíssimas quando se tratava de tocar violão. E trocas de energia modestas tbm... E por essas razões, entre outras coisas, é que resolvi fazer teatro. Queria ter platéias maiores, convívios de grupo, interações com público e a certeza de fazer algo menos intimista.

Bom, eis que me vi no Teatro Pedro II na sexta retrasada... e soube, pela organização, que eu não teria uma casa com as cerca de 300 pessoas que previa (e esse número, para aquele tipo de apresentação que desenvolvi, já me parecia grande). Eram mais de 1500 pessoas!

Meu primeiro impulso foi o de mudar a estrutura do meu show. Eu pensava em subir ao palco e não dizer nada. Tocaria de uma vez o arranjo de Isaias Sávio para violão de “Nesta Rua”. Um tema, precedido por uma introdução que eu coloquei ali livremente, duas variações e o regresso ao tema. Algo simples no universo dos maiores violonistas... mas complexo para mim com todo o nervosismo que me assolou – e ainda mais tenso se lembrarmos que não estou mais na minha melhor fase TÉCNICA como músico.

Além dessa música, tinha o lance de tocar “Farewell”, do Sérgio Assad.

Essa é uma música tão linda e tão cheia de verdade emotiva, que não admite erros. Não admite o nervosismo encobrindo frases melódicas ou substituindo a imensa dor do compositor - tampouco todo o belo que ele soube criar tão bem.

Bom, lá estava eu pensando em entrar sem meu violão. Poderia fazer como em outras ocasiões: uma palestra breve sobre os áudiolivros, seguida de bate-papo com a platéia... e sem meu instrumento musical e a cobrança que ELE exerce sobre mim (bem como a MINHA exigência em cima dele).

Daí lembrei de uma entrevista da grande Fernanda Montenegro, a nossa maior atriz viva no Brasil. Ela disse que ainda sente um tremendo frio na barriga antes de subir no palco - ela, com mais de 50 anos de carreira. Bem, se a Fernanda Montenegro tem medo e banca o que assume - vai lá e faz -, quem sou eu pra arregar? Sou apenas um cara numa fase boa. E que tava louco pra fazer de algo como o Pedro II cheio uma realidade. Não dava pra voltar atrás ali.

Aliás, um rápido adendo: uma das coisas que mais gosto em mim é essa força que não sei de onde vem... mas que me faz engolir vivo o temor, as contradições, traumas e cansaços pra fazer a coisa acontecer de verdade. Lembro que nesse meu último enrosco amoroso, ouvi da Baixinha algo que me deixou possesso: gosto de vc e sei que vc gosta de mim. Mas tenho medo. Na hora eu lembrei que tive muito medo de topar e realizar o balé com a Thomioka... que tive receio de fazer o teste pra ator na Cia. 4 na Trilha... que me borrei todo ao pensar em fazer a Sala São Paulo com Os Saltimbancos e a orquestra e côro do Projeto Guri... que achei que não ia conseguir tocar "O Choro de Juliana", do Marco Pereira, no Teatro Santa Catarina... que achei aterrorizante passar pelos testes pra integrar o elenco do CQC... mas que, enfim, eu banquei todas essas coisas. E, se eu tivesse apenas dado vazão ao meu medo, nada dessas coisas teria rolado - e eu seria, provavelmente, mais um cara frustrado e comum, a ser dizimado no futuro por um câncer ou algo assim.

Pensando em tudo isso, não mudei uma vírgula da minha apresentação inicial. De cara limpa, e muito confiante, fui pro palco certo de algo que sei que é a mais pura verdade - e é disso que quero falar hj, abordando o tema da arte: a coisa rola pq a energia em torno da criação é boa. Os tablados teatrais respiram a força de entidades que a gente sequer desconfia da existência... mas elas amparam os artistas. Há uma bênção por parte dos anjos da guarda e emanada por espíritos de luz e um Deus, pra melhor me expressar, que pegam o jovem artista pela mão para dar conforto e segurança. Enfim, se o cara fez por merecer, é sincero e correto no que quer apresentar, há uma rede espiritual de coisas boas lhe dando suporte. E é óbvio, para mim, que isso é fruto da energia vibrante, carinhosa e receptiva das pessoas. Tudo isso é mágico e viciante.

Não sei como aconteceu, mas toquei "Nessa Rua" no Pedro II. Fez-se um silêncio e a música estava toda lá. Pode não ter sido a execução mais impecável do ponto de vista técnico, mas eu sei o que senti ali. Idem com "Farewell". E quem viu e me ajudou nisso tudo sabe tbm como foi o que fizemos juntos.

Só sei que fui embora de Ribeirão Preto com a certeza de que tenho um trabalho. E que, como artista, tenho muita sorte de viver algo intenso, verdadeiro, apaixonante e espiritual. Isso é mais forte hj do que meus medos e meu lamento pela partida de quem, como eu, tbm amava esse processo do conceber e executar a criação artística. 

 Um abraço a todos

 Rafa

 

 

Execução de "Nesta Rua" - 19-06-09

 

Execução de "Farewell" - 19-06-09

Por Rafael Cortez às 02h02

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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