Blog do Rafael Cortez

07/07/2009

Nova atualização da AGENDA - julho e agosto 2009

11 de julho, sábado - Jundiaí - Stand-Up na sede central do Clube Jundiaiense, ao lado de Marcos Aguena (o Japa) - a apresentação faz parte do projeto Clube do Riso.

30 de julho, quinta - Stand-Up Comedy em TERESINA, Piauí. Local e mais informações - em breve

08 e 09 de agosto, sábado e domingo - Curitiba - Recitais de violão no Teatro Regina Vogue. Mais informações - em breve... mas os ingressos JÁ ESTÃO À VENDA.
 
23 de agosto, domingo -  Stand-Up com Fábio Gueré em SOROCABA, São Paulo - mais informações em breve
 
27 de agosto, quinta -  Stand-Up com Rogério Morgado em MAUÁ, São Paulo - mais informações em breve

Toda terça - Me apresento no Ton Ton Jazz Moema com o grupo Stand-Up Express (SUJEITO À AGENDA DO CQC).
Al. dos Pamaris, 55 - Moema - São Paulo - SP
Informações:
3804-0856 / 3804-0857 / 3804-0858 / 5044-7239

Toda quinta, às 15hs - Dia em que abro espaço para meu melhor amigo na ClicTV. Trata-se do LORENO, um ser iluminado, imprevisível e sentimental. Assista ao PROGRAMA DO LORENO em www.clictv.com.br - quintas, 15hs.

Por Rafael Cortez às 18h13

Paraty e a Flip 2009 - parte 03 (FINAL)

É muito comum ver as pessoas pedindo para que a gente, no CQC, mande recados ou beijos pessoais. Nós nunca pudemos fazer isso. Todas essas coisas que são muito pessoais e que acabam destoando na matéria, nem chegam a ser gravadas pela gente nas reportagens. E, se são e não se encaixam em nada, são cortadas na edição. Logo, eu não poderia ler aquilo que ele pediu em nenhuma das minhas aparições na Band. E nem tem graça, não se encontra em nada do que fazemos.

 

Fiquei tão sem ação com tudo aquilo que nem disse nada desses problemas ao pobre homem. Esperei os pais da Carla chegarem de São Paulo e levá-la embora pra casa... e fui dormir arrasado com tudo que vi e senti.

 

Depois disso, a Flip não ficou mais a mesma coisa. Minha energia mudou. Ainda que eu tenha tentado me divertir - e tenha, de fato, conseguido em alguns momentos - é difícil passar por uma noite de hospital onde pessoas morrem do seu lado, sua amiga está ferida e sofrendo, e achar que isso não vai te abalar. Agora já passou, e sei que a Carlinha tá bem... mas o "day-after" dessa história foi bem difícil. Sorte que a Sandra e nosso almoço salvaram a tarde... e que Gay Talese, Carlos Barbosa-Lima e as duas festas a que fui com uma turma de desenhistas e jovens escritores salvaram a noite.

 

Voltei mais amadurecido de Paraty. Curioso como as minhas viagens mais elaboradas tem mexido comigo e com minhas percepções de mundo. De fato, mudei muito meus valores ao regressar de Cannes e constatar qual o limite que uma pessoa pode chegar no mundo vazio e frio da fama - esse limite é a Paris Hilton e tudo que ela crê. Mudei ao voltar de Paraty tbm depois desse lance envolvendo minha querida Carlinha: vi que a vida é mais frágil do que pensamos. Quando vc vê, ela já pode ter acabado. É preciso valorizar cada momento, utilizar cada instante a favor da nossa evolução pessoal e da propagação do amor. A Carlinha teve uma nova chance e sobreviveu. Foi bem feio, e ela podia não estar aqui agora. Hoje, ela sabe que é mais amada do que pensava e que deve dizer que ama quem de fato merece seu amor.

 

E, por falar em amor, é o amor daquele homem que conheci no hospital que encerra esse longo texto. Amanhã viajo para o Rio de Janeiro, onde gravo uma matérias e dois CQTestes. Ainda tenho que fazer as malas e dormir um pouco. Mas antes, o recado de quem ficou aqui e precisa compartilhar o seu carinho:

 

"Kelly

 

Esteja onde estiver

 

Eu sempre vou te amar

 

Amilton"

 

Taí, meu caro... espero que eu possa ter ajudado. Fique com meu carinho e meus pêsames.

 

Um abraço para todos

 

Rafa

Por Rafael Cortez às 02h12

Paraty e a Flip 2009 - parte 02

Voltando ao Carlos Barbosa-Lima: o cara toca divinalmente; seu repertório é excelente. Os arranjos são de tirar o fôlego. Ele é tão musical que nem chega a perceber que cantarola pequenas melodias enquanto toca. Elas saem como um murmúrio, algo que passa quase despercebido. Há tanta música dentro dele que as notas extravasam por todo seu corpo – suave e generosamente. Conheçam um pouco do trabalho desse artista nesse vídeo abaixo: trata-se de seu arranjo para violão de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso.

 

Além de tudo isso que descrevi, algo excepcional aconteceu: ele dedicou para mim o Prelúdio número 02, de Heitor Villa-Lobos. Queria muito que o Rafael Cortez de 1996, que tocava o dia todo e nem sequer imaginava ter tantas trocas com o Carlos Barbosa-Lima, visse o Rafael de 2009 – um que toca menos, é verdade... mas que recebe um presente desses...  

Agora, duas coisas ruins que rolaram na Flip esse ano:

- uma, a Baixinha tava lá. Trabalhando, é verdade, mas estava. E eu que queria apenas sossego e não ter uma sarna dessas pra me coçar... nos falamos bastante, e rolou outra daquelas chatas discussões de quem errou com quem. Mas ela tá feliz com sua nova realidade, e eu preciso emanar coisas boas pra ela – ela merece.

- outra, passei uma noite toda (a de sexta pra sábado) no hospital local de Paraty. Vou explicar essa história.

Vcs lembram que disse aqui que eu estava esperando uma amiga chegar? Que ela chegaria na noite de sexta? A Carla? Ela mesma. Ela e uma amiga estavam naquele ônibus da Reunidas (SP – Angra dos Reis) que capotou na estrada e matou 04 pessoas.

Recebi um telefonema dela lá pelas 23:30 de sexta... disse que estava no hospital; que não contasse com ela; que rolou a tragédia... mas que eu não precisava me preocupar e que ficasse sossegado na Flip, bebendo minha cerveja. É claro que fiquei sóbrio em um minuto e voei para lá.

Foi muito triste tudo que eu vi. A Carla e sua amiga estavam bem – algumas escoriações, hematomas, cortes, uma suspeita ou outra de fraturas (todas posteriormente descartadas pelas radiografias) e muito nervosismo. Gosto demais da Carlinha e doeu vê-la tão assustada, chorando tanto e tão fraquinha. Mais: elas estavam machucadas, mas bem... mas morreu uma menina de cinco anos de idade. Eu vi a mãe recebendo a notícia e, assim como todos no hospital, me arrepiei com seu pranto de dor e revolta.

O motorista fez uma curva super perigosa numa velocidade não ideal. Aquela maldita serra na Rio-Santos. Mais: ele, segundo as meninas, estava conversando com um cara enquanto guiava. O veículo estava atrasado por conta de outro acidente na Tamoios, e todo minuto ali era precioso para cumprir os horários. E deu no que deu. Morreu a menininha, o piloto e seu amigo, e uma mulher.

Quanto a essa mulher em questão, a história é de arrasar e acabou comigo naquela noite. Vi um sujeito com um corte abaixo do rosto. Ele estava bem... comparando com as outras pessoas empapadas de sangue e muito feridas que vi, ele estava legal. Perguntei como ele se sentia, e sua resposta foi positiva: “eu estou ok, mas a minha esposa morreu”.

É claro que fiquei sem fala. E ele me disse que a esposa dele era minha fã. E ele tbm... mas que nunca pensava que seria numa hora como aquela que eu  saberia do carinho dele e de sua companheira.  Fiquei ainda mais sem ação... lamentei muito, reiterei meus pêsames, e perguntei se havia algo que eu pudesse fazer por ele. Ele me deu um papelzinho com alguma coisa escrita. Perguntei o que eu deveria fazer com aquilo. Ele me pediu para ler no ar, no programa, durante alguma das minhas matérias, para que mais pessoas assimilassem seu recado. Era uma mensagem para ela. (CONTINUA...)

      

Por Rafael Cortez às 01h49

Paraty e a Flip 2009 - parte 01

Direto da Flip, em Paraty... na fila pra ver o Chico Buarque

Hoje é segunda, dia 06 de julho. Já estou de volta de Paraty, onde acompanhei de perto a sétima edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Um evento charmoso, inteligente e nacionalmente celebrado por sua qualidade e conteúdo.

Fui à Flip sem gravar pelo CQC, o que muito gostaria. Desde o ano passado, quando conferi esse evento pela primeira vez, sonho em fazer a cobertura dessa festa representando o programa. Infelizmente não deu de novo, mas mantive o desejo de prestigiar tudo. Isso foi um tanto difícil, porque nossas agendas no CQC são pesadas – e as agendas pessoais não ficam atrás. Mas a chefia me liberou para a viagem, ainda que isso tenha custado minha ausência em gravações de matérias para a noite de hoje, conforme vcs viram a pouco na TV.

Insisti em ir à Flip porque acredito demais nesse evento. Ideologicamente, a Flip atende todas minhas aspirações pessoais – a reunião das pessoas se dá em torno de livros, os encontros são ricos de inteligência e conteúdo, as pessoas respiram cultura e arte por alguns dias e a cidade de Paraty ainda é um pequeno oásis tombado pelo Patrimônio Histórico. Come-se bem, fala-se bem; tudo é hospitaleiro e agradável. E a galera sempre surpreende pela seletividade de idéias e pelo ótimo astral.

Às vezes penso na Flip com o temor de quem conheceu o Festival Internacional de Cinema de Cannes. Como já disse aqui, em Cannes tive a sensação de que o Cinema funciona como pano de fundo para desfilar ostentação e poder. Fiquei muito impressionado em ver como a Sétima Arte é usada como pretexto para se gastar e exibir coisas muito menos nobres do que as películas de Louis Malle e Luchino Viscontti do passado... passado esse que pode ser o presente da Flip: um evento marcado pela legitimidade do amor por uma arte, e não a arte como pretexto para a superficialidade. 

Tenho medo que um dia a Flip cresça demais e vire um negócio muito cheio da grana e repleto de interesses menores. Tenho medo que a Flip perca o caráter verossímil de espaço de reflexão e troca de idéias; de defesa da literatura e da inteligência como referências nacionais. Tenho medo que a Flip um dia tenha o patrocínio do Mcdonald´s – e a gente toda almoce Big-Macs nas calçadas já desprovidas do charme dos paralelepípedos históricos.

Sabe quando tudo parece um segredo bem guardado entre um grupo de amigos? Assim me parece a Festa Literária de Paraty. O Brasil sabe que ela existe, mas é o Brasil seletivo que a consome. Ainda não é popular a ponto de receber os turistas do oba-oba, da mesma forma que não recebe, ainda, os paparazzis da mídia de celebridades – e olha que as celebridades estão lá. À exceção do Chico Buarque, que esteve presente e não teve paz, os artistas trombam com vc na rua e não são incomodados. E eles compram livros porque os amam verdadeiramente, e não porque é politicamente correto e isso fica bonito na foto da revista que os segue.

Voltei de viagem com o Tas no carro ontem. Eu, ele e a Bel, sua esposa. Conhecendo melhor o trabalho que ele fez na Flip Zone, me confortei mais. Pelo que parece, o evento em Paraty está abraçado pela comunidade local, coisa que não vi rolar em Cannes (talvez no passado aquilo tenha sido mais convidativo e democrático naquela charmosa Cote d`Azur). Além de ter o amplo apoio e participação da comunidade de Paraty, a Flip ainda acontece em um lugar onde todo o crescimento é medido de modo a não ferir a História da cidade. Talvez a Flip não tenha o patrocínio do Mcdonald´s porque nem construir mais nada lá se pode – graças a Deus. Talvez a Flip não se deturpe com crescimentos excessivos porque expansão em Paraty é um troço complicado – já fez muito mal a índios e caiçaras. Basta ver a realidade de algumas praias da cidade, como Pouso da Cajaíba. È coisa de polícia - e ninguém fala nada.

Talvez a Flip se perturbe no futuro com conflitos ideológicos e interesses alheios à festa. Mas tem tanto intelectual e formador de opinião bacana brigando pelo evento com unhas e dentes que esse risco fica menor. E tem a comunidade local inserida e uma vontade superior em comum: que tudo aquilo permaneça bom como hoje é. Ufa... acho que a Flip tem muito futuro ainda e só tende a melhorar.

Cheguei na sexta de madrugada. Eu iria na sexta, 08 da matina... mas como não tive matéria pra gravar na noite de quinta, remanejei o ônibus para as 23hs desse mesmo dia.

Fiquei numa pousada excelente. Cara, é verdade. Ainda mais se lembrarmos que em Paraty, nessa época do ano, só vale a pena estar na rua, nos restaurantes e mesas literárias. Vc só volta no hotel pra dormir mesmo – e dorme-se pouco.

Passei todo o tempo sozinho. Fui só porque não consegui ninguém pra ir junto. Combinei de encontrar uma amiga e ficar com ela da noite de sexta em diante, quando ela chegaria.

Até a chegada dela, a Carlinha, transitei pelas ruas de Paraty inteiramente só. Tirei muitas fotos com quem me reconheceu, e bati bons papos com quem me parava. Mas a maior contradição ( e essa é uma das maiores contradições da minha vida hj) é que, passado o “oba-oba” de ver gente que me conhece, que diz gostar de mim, que me tieta e me conforta, eu sempre continuava sozinho. E eu sempre estou sozinho, ainda mais agora nessa nova fase tão diferente. Esse é o meu jeito e sempre foi... e eu duvido que me case um dia, por exemplo, apesar de ter vontade.

Apesar de ser um pouco chato ficar tanto tempo sozinho, tem seus lados bons. Eu tenho muito pique para longas e cansativas caminhadas. Sozinho, faço tudo no meu ritmo e me permito cair nas minhas ciladas sem encheção de saco: me perco à vontade nas ruas que não conheço, coisa que eu adoro. Falo só e tenho idéias e reflexões que me são muito úteis futuramente. Quando tenho fome, como. Tomo todos os cafezinhos que quero e seleciono com quem os compartilho – isso, se o fizer.

Há uma coisa sensacional na Flip. Alguns dos seus ídolos estão lá de coração aberto. Logo na sexta, vi a filha da Nara Leão – cantora que (vcs sabem) sou fã incondicional. A Isabel Diegues estava tão na dela que não fui tietar e encher o saco. Engraçado, com o terno e gravata do CQC eu tenho coragens de monte. À paisana, sendo só o Rafa, sou terrivelmente tímido para chegar nas pessoas. Bem, mas não falei com ela na sexta, mas a abordei no sábado. E fiquei feliz de saber que ela conhece o CQC, que já me viu, e que me deu seu cartão pessoal para que eu a procure no intuito de ajudá-la com um site completo desenvolvido por ela sobre a mãe. Aliás, o mais legal é que Marco Antonio Bompet, último namorado de Nara Leão, virou meu amigo de internet. Volta e meia ele me manda raridades da cantora que nenhum de vcs imagina que existam – e que só ele tem. É um tesouro que não compartilho com ninguém, salvo sob consentimento do Bompet. Por fim, ainda sobre Nara, em Paraty conheci o Cássio Cavalcante, autor da mais recente biografia dela. Estou lendo. Nos tietamos mutuamente.            

O fato do CQC ter nos promovido a um conhecimento nacional de público, faz de algumas pessoas, antes distantes, figuras até bem próximas. Foi bem legal bater papo com o Zuza Homem de Melo e falar um pouco mais sobre “A Era dos Festivais”, seu (excelente) livro musical. Achei um barato furar a fila do Chico Buarque entrando ao lado da Joyce Pascowitch, com quem assisti ao encontro do astro-maior da nossa MPB. O Paulo Beti (sim, ele mesmo!) veio falar comigo depois de uma das mesas. A Marina Lima (que já sofreu com uma grande pisada de bola minha numa das nossas matérias) me deu um beijinho de “oi”. Os desenhistas Rafael Grampa, Rafa Coutinho (que já foi muito meu amigo) e o Fábio Moon foram meus parceiros de balada na noite de sabadão. E por aí vai. Não deixa de ser divertido ver essas coisas acontecendo, apesar de saber que as amizades de um meio midiático são, quase sempre, ilusões. E que meu papel ainda é o de me manter meio alheio às badalações e celebridades para não doer na hora do fim – e tbm para ter material para mexer com os personagens de mídia através do CQC, sem cair na tentação de ser um deles.

Achei engraçado me ver no site Glamurama ao lado de alguns artistas... eles fizeram um quadrinho fotográfico mostrando as celebridades que estavam vendo o Chico Buarque... e qual não foi a minha surpresa ao mer ver alí? Haha! O crédito da foto é de Fernanda Branco - site www.glamurama.com.br.

Samuel Titan Jr, Milton Hatoum, Chico Buarque e os convidados: Rafael Cortez, Malu Mader, Lauretta, Ana Jobim, Dado Salém e Tininha Kós e Marina Person e Gustavo Moura. Platéia atenciosa.

Mas, sem dúvida, dos muitos encontros que tive na Flip, nenhum foi tão prazeroso quanto o que tive com o violonista Carlos Barbosa-Lima.

Trata-se de um dos meus ídolos no violão mundial. Quem conhece esse instrumento e sua história, sabe bem quem é esse paulistano de 65 anos de idade e mais de meio século de carreira. O Barbosa-Lima anda anônimo no nosso país. Mas lá fora é um monstro sagrado. É de uma geração de músicos que fez coisa demais no exterior e que sempre quis fazer mais aqui na nossa terrinha – até pq são brasileiros legítimos. Luis Bonfá e Laurindo Almeida são da turma dele, e viveram a mesma realidade. O Barbosa-Lima tem cerca de 2.500 arranjos próprios de peças para violão. Tocou com gente como Stan Getz. Realizou centenas de concertos fantásticos e mapeou a história do violão mundial com milhares de peças inspiradíssimas, tocadas em todos os cantos do planeta. Hoje, ele mora em Porto Rico. Raramente vem ao Brasil. E estava na Flip. E ia dar um concerto para cerca de 100 pessoas numa pequena pousada da cidade... e quase ninguém sabia ou falava disso.

A Sandra Silvério, editora da Livro Falante (dos meus audiolivros... aliás, dei algumas boas entrevistas sobre eles na Flip), me deu um convite para o concerto dele. Eu já sabia que o veria, mas não imaginava que falaria com ele na véspera de sua apresentação. Um amigo dele me reconheceu na rua e, sabendo da minha paixonite pelo violão, me disse: “vem conhecer o Barbosa-Lima!”.

Adorei. O cara é gentil, simples, delicado no modo de falar e pensar e muito, mas muito humano. Conversamos na rua por cerca de uns 40 minutos. Falei para ele de um vídeo raro que tenho em casa. Nele, o próprio Tom Jobim recebe o Barbosa-Lima em seu programa musical na TV Globo (em 1984, se não me engano... se chamava “A Música Segundo Tom Jobim”). O violonista toca algumas peças que deixam o Maestro Soberano de olhos arregalados – entre elas a dificílima “Quebra-Pedra”, peça do Tom com arranjo igualmente complicado do Barbosa-Lima. O Tom não acredita no que vê. E eu comentei uma a uma das peças com esse notável músico, que me ouviu emocionado.       

No dia seguinte, depois de me entupir de camarão num almoço com a Sandra Silvério, assistir ao encontro com o jornalista Gay Talese (foi bem bom), dar muita pernada e ver gente, fui ao recital do mestre em questão. E, para minha surpresa, ele incluiu praticamente todas as músicas que citei gostar tanto em seu programa! E, que bacana, ele me recebeu no camarim enquanto se aquecia antes da apresentação. E, melhor ainda, pediu que eu abrisse seu concerto falando algumas palavras. Eu, Rafa, mero estudante de violão, acostumado a conhecer alguns dos meus ídolos musicais apenas pelo meu aparelho de som... estava lá, falando ao microfone, na frente de pouco mais de uma centena de pessoas, sobre o grande violonista Barbosa-Lima. Falei de minha admiração e da honra de prefaciar sua obra naquela noite. Ele me ouviu agradecido e subiu naquele pequeno palco para dar um de seus maravilhosos concertos – e foi completamente primoroso e apaixonante. (CONTINUA...)

 

 

Por Rafael Cortez às 01h46

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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