Blog do Rafael Cortez

27/08/2009

Breve tratado sobre as relações virtuais

Fala galera!

 

Há tempos tenho vontade de escrever um texto de verdade nesse blog.

 

Peço muitas desculpas aos que, como eu, pretendem encontrar nesse cyber-espaço um pouco mais daquele blog das antigas; do blog que eu tinha em 2007, quando a minha vida era mais calma e mais centrada.

 

Concordo com o fato de que estou, aqui, muito focado em divulgar minhas próprias coisas, meus recitais, shows, projetos pessoais, etc. É verdade. Isso tem acontecido, apesar de não ser a minha real intenção. Ressalto que quero fazer desse blog um local de discussões ricas, profundas, inteligentes... de trocas bacanas acerca da arte, cultura e bons valores... mas alerto para o fato de que a vida agora virou uma bagunça, como vcs sabem... e que, por fim, esses últimos tempos tem sido de colheita profunda e aquisição de novos amigos para essa “casa de pretensões”, como alguém já nomeou essa página. Os shows e trampos paralelos são divulgados com freqüência, na intenção de aproximar novos leitores e - como não? – dar um feedback a muitos de vcs, que pedem agenda, novidades e detalhes de como transformar a relação virtual que temos em real.

 

Aliás, é sobre isso que quero falar: transformar a relação virtual em real.

 

Mas antes, uma coisa: me sinto, nesse momento, muito atrelado às pessoas (poucas, é verdade) que liam minhas anotações aqui antes do CQC e suas decorrentes maravilhas. Aos leitores de 2007, me mantenho fiel na idéia de mostrar que muitas daquelas aspirações e desejos renderam frutos. Para quem me lia antes da TV, são comuns as recordações de textos em que eu visava tanto fazer recitais populares como os de Curitiba. Quem leu meus perrengues da fase pós-“Mágico de Óz”, sabe: tava na hora de dizer a vcs que os sonhos deram certo e que, hoje, posso convidar vcs para novos projetos. Afinal, esse sempre foi o espaço de um jovem envolvido com a discussão e realização de projetos artísticos. Na hora de teorizar ou lamentar, teorizamos e lamentamos. Na hora de celebrar as conquistas, celebremos!

 

Aos novos amigos e amigas que tanto desejam posts novos e com conteúdo – posts reflexivos, ácidos ou críticos - minhas desculpas mil por tanto jabá e auto-promoção. Deixa eu dividir isso um pouco com a galera de antes? E vamos tentar usar esses encontros com vcs para sair um pouco dos horizontes restritos da comunicação virtual, galera! Vamos mandar menos recados by Twitter, blog, site e orkut... vão me ver e me digam quem são vcs para, assim, travarmos relações novas – como as que eu tenho com a Jana Ramiro, Rafaela, Marina Pereira, Deyse, Thiago e tantas outras pessoas que antes só existiam para mim como endereços internéticos.

 

É difícil manter as relações reais, não é? Eu tenho percebido, em mim, um movimento cada vez mais constante de distanciamento das relações unicamente virtuais. Meu blog e meu Twitter tentam direcionar vcs mais aos meus encontros físicos do que a essa perpetuação de identidades ocultas que tudo podem (mas pouco são) no mundo digital.

 

Gosto das novas mídias a serviço do encontro real. Gosto da internet como o veículo que possibilita a aproximação olho-no-olho. Desconfio demais do contato intenso e frio da net como a única possibilidade de interação que podemos ter. Muita gente se conforta com isso. Conheço muitos que se adaptaram demais à Era Digital e são ícones no relacionamento restrito que se pode criar com eles nesses cyber-meios. Mas, acreditem... esses encontros são vazios e, muitas vezes, covardes. A internet é o território dos covardes. Explicarei meu ponto de vista.

 

Artistas politicamente corretos, que querem vcs em seus shows, criarão interações cada vez mais fortes na net como meio de fazer suas partes no relacionamento. Vcs recebem um recadinho de uma deusa da Música Pop no Twitter e se sentem retribuídos pelo amor e devoção que nutrem... no entanto, vcs sabem que esse recado não significa que vcs são amigos, íntimos, colegas ou, muito menos, conhecidos. É um modo consentido entre ambas partes de vc ter a sua fatia do bolo por gostar tanto de quem gosta... e esse alguém gostado administrar o seu afeto sem muita encheção de saco; à distância mesmo. O tal “téte a téte” mesmo, o olhar no olho, o tato, o “encarar de frente”, só no mundo real mesmo. Mas os artistas sabem como isso é penoso e complicado, e acomodam vcs em blogs, Twitters e afins.

 

Por outro lado, a internet é território dos covardes por garantir a existência tranqüila de juízes, canalhas, pederastas, malucos e demais seres bizarros que se escondem em profiles falsos, nics aleatórios, e-mails inexistentes ou no mais simples anonimato. São essas figuras que pretendem ver mais textos aqui do que convites à aproximação efetiva, como os que eu tenho feito. Essas figuras perturbadas sabem que, na minha frente, não tem a mesma força para criticar minhas escolhas; a mesma coragem para depreciar gratuitamente o meu trabalho; o mesmo cacife para cagar regra na minha vida e me dizer o que eu tenho que fazer. 

 

Como qualquer pessoa que passa a ser pública, passei a ter fãs e inimigos. Já escrevi outras vezes e repito: não sei quem faz mais mal – a pessoa que só me elogia ou a pessoa que só me escracha.

 

A pessoa que vem muito aqui para dizer que me ama e que meu trabalho é isso e aquilo de bom, me obriga a descartar boa parte das palavras em nome da minha auto-crítica e bom-senso, sem os quais não posso fazer um bom trabalho (ainda mais no CQC). O maior inimigo do artista, e também do Jornalista (aliás, posso dizer que o maior inimigo de muita ou toda gente) é o EGO. Ego demais, tombo doído na hora da queda (e ela sempre vem). Ego de menos, auto-estima em baixa e insegurança em excesso no trabalho. Logo, o ideal é um meio-termo advindo, quase sempre, da cabeça de cada um e de sua bagagem moral.

 

Por outro lado, a pessoa que muito me detona (que vem armada de facas dizendo todo tipo de barbaridade – acobertada, é claro, pela comodidade do anonimato da internet) pode enfraquecer minha força de trabalho caso seja levada à sério demais. Eu, que sou um besta muitas vezes, já caí demais nessa de levar adiante provocações de botequim e mentes perturbadas que nada acrescentam à minha vida. Não estou falando que não posso ser criticado. Pelo contrário, gosto de críticas – mas de críticas com embasamento e criadas de modo a construir algo, não destruir. Porém, como eu já disse, a internet é território de covardes... e eles são fortes na hora de falar palavrões ou simplesmente agir de péssima fé por aqui.

 

Falei que pessoas ruins da net só tem força se são levadas à sério. Eu cometi esse erro muitas vezes já. Lembro de uma pessoa bizarra, que nunca soube se era homem ou mulher, mas que assinava como uma garota insegura e apaixonada nesse blog. Em pouco tempo, essa pessoa se transformou em alguém repleta de agressividade, uma vez que eu passei a dar menos bola e a interagir cada vez mais de acordo com as MINHAS vontades. Ela me encheu muito o saco, e eu perdi um bom tempo com ela até, finalmente, deixa-la no limbo do esquecimento – que é de onde ela nunca devia ter saído.

 

Quando o Loreno surgiu, recebi nova saraivada de comentários bem agressivos. Foi um tal de apagar comentário grosso aqui, responder comentário agressivo acolá... e que trabalho que deu!

 

Recentemente, publiquei um vídeo da minha entrevista no Berlam Belozo. Mais uma vez, como sempre fiz aqui, brinquei com os limites do real e da internet. Foi assim que surgiu o Loreno; é assim que lido sempre. Um suposto bate-papo tranqüilo entre um apresentador e um entrevistado levou a um desfecho que conta, acima de tudo, com o bom-senso de vcs. Quem acreditou piamente e saiu em minha defesa, crucificando o cara, me assustou bastante. Fiquei na dúvida: será que algumas pessoas sabem mesmo em que blog estão entrando? Será que sabem pq eu me tornei conhecido? Será que lembraram de contestar um pouco a verdade sob a lógica de que estão, acima de tudo, lidando com um vídeo de duas pessoas ligadas, de alguma maneira, ao humor? Quem criticou demais por discordar de tudo mostrou que não sabe brincar e está seguindo os caras errados.

 

Em resumo, na internet (como pude mostrar nos casos citados aqui) sempre tive de lidar com paixonites e fúrias de gente que fala ou promete demais por saber, logicamente, que os meios virtuais dão suporte para muita verborragia. Tanto quem muito já me defendeu e amou como quem muito condenou ou crucificou: em ambos casos, sempre me assustei com a realidade da nova vida digital. Como as pessoas podem se tornar passionais ou cruéis! E longe de mim não gostar do carinho e da defesa de quem me quer bem. Tampouco longe de mim discordar das críticas bem-feitas de quem me ajuda a encontrar meu eixo. Mas longe de mim a histeria de meninas promovendo chats no meu blog em nome de um amor por mim - e longe de mim o dedo erguido dos canalhas que só querem meu mal!

 

Por fim: acho que as relações virtuais pecam pela falta de bom-senso.

 

Na dúvida de como lidar com isso, procuro recentemente lidar menos. Eis a razão de apelar mais aqui para a promoção de encontros reais, e não virtuais. Mas, sob o pretexto de explicar minha posição aqui, já acredito ter contribuído para uma nova reflexão e discussão com vcs, como nos velhos tempos.

 

Um abraço!

 

Rafa

 

P.S – Meu texto falou dos covardes virtuais... mas parabéns à pessoa que é covarde na vida real. Parabéns a quem mostra a cara e assume uma identidade em nome da promoção de um julgamento jocoso e maléfico. Parabéns à pessoa que deturpa a verdade para, com isso, armar a corda no próprio pescoço mostrando quem é a canalha de verdade. Parabéns a quem promove os outros como paladinos do mal-gosto para mostrar o verdadeiro circo dos horrores que emana de sua própria figura. Parabéns a pessoa que mostra a cara para falar de valores e direitos inalienáveis de quem é vitimada pela estupidez de fantasmas do passado... mas que reproduz os mesmos comportamentos, em pior ou igual escala, ao querer dar algum exemplo moral. Obrigado por existir. As pessoas precisam conhecer a outra pessoa que é covarde e real para, em seguida, IGNORÁ-LA. 

 

Por Rafael Cortez às 00h53

26/08/2009

Notícia urgente!

Rafael Cortez apresenta "Notícias que Gostaríamos de Dar" na Band FM

Quadro vai ao ar nas 36 emissoras que compõem a Rede Band FM

 

A partir da semana de 24 de agosto, o jornalista Rafael Cortez apresenta o quadro de humor "Notícias que Gostaríamos de Dar" na Rede Band FM (96,1 MHz em São Paulo ). Conhecido como repórter do programa "CQC", da Band, agora o jornalista invade as ondas do rádio.

De maneira divertida, a nova atração da emissora traz os assuntos que estão em pauta nos noticiários do Brasil e do mundo. A cada edição, Rafael Cortez elege uma "verdade mentirosa" que é levada para as ruas da cidade. Se você acha que as perguntas são absurdas, prepare-se para ouvir as respostas!

Os textos são todos de Rafael Cortez - as reportagens de rua, de Paulo Campos.

O quadro "Notícias que Gostaríamos de Dar" vai ao ar todos os dias, em quatro edições, ao longo da programação das 36 emissoras que compõem a Rede Band FM.

                     

www.bandfm.com.br

Notícias que Gostaríamos de Dar: mentiras verdadeiras que atiram no mau-humor 

Foto de Rodrigo Richter

Por Rafael Cortez às 22h26

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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