Blog do Rafael Cortez

30/10/2009

Breve tratado sobre a covardia e a mulher

Vi agora o polêmico vídeo da aluna da UNIBAN – o que mostra uma centena de estudantes acuando e hostilizando uma jovem que foi assistir a uma aula em um campus da Universidade... vestindo uma roupa vermelha e curta.

A histeria coletiva, a que tomou conta de tudo, como se bem vê nas imagens, falou mais alto. Começou motivada por um ou outro covarde preconceituoso e, como era de se esperar em atos covardes, encontrou na comodidade do anonimato de quem só tem força no meio da multidão, uma forma de se propagar estupidamente.

As massas são cegas, já sabemos. É no meio da galera que se esconde o cara que joga uma pedra no outro dentro de um estádio de futebol lotado. Camuflados entre os comparsas, agem os mais fracos - os que intimidam só pq se apegam ao bando para serem homens de verdade. É na comodidade das milhares de pessoas virtuais anônimas, e acobertadas por outras do mesmo tipo, que molestam os pedófilos, atacam os inquisitores e “cagam-regra” os mais fracos; os bundões de verdade. Que as massas são cegas, nós já sabemos. A discussão agora é: até que ponto elas podem ser tão cruéis?

O que mais me chamou a atenção no episódio da “aluna-puta” (como o caso já se tornou maldosamente conhecido - e só essa definição já dá pano pra manga!), foi o fato de tudo ter se passado no campus de uma Universidade que me recebeu tão bem, e com tanta alegria e carinho, ainda esse ano numa palestra. Fiquei impressionado ao perceber como uma mesma turma boa e receptiva pode ser agressiva e cruel. Como lógicas preconceituosas e machistas imperam nesse mundo, nesse país!

Um ponto importante. Já chegaram a me questionar no Twitter hj, inclusive. Puxa, que coisa, não? Mas ela estava vestindo uma roupa vermelha curtinha; parecia uma puta. Bem, ela mereceu, não?

O que é isso agora? As pessoas vão ser julgadas até qdo pelo que vestem? E, no mais, se essa garota – que nem conheço e jamais poderia julgar – for isso ou aquilo da vida, quem está em condições de ser juiz e dar um veredicto de intimidação e violência como aquele, compartilhado com todos no Youtube?

O mais maluco para mim é: se isso tivesse ocorrido em qualquer outro lugar, já seria um tanto lamentável. Aliás, essa é uma daquelas coisas que achamos que só rola no Oriente Médio. Tem pinta de ser algo que estamos – infelizmente – nos acostumando a ler, em pleno século XXI, como parte do show de horrores a que estão sujeitas algumas mulheres: elas são violentadas, apedrejadas, mutiladas, espancadas e mortas por atos tidos como libidinosos e profanos... mas que não passam de deturpações patológicas de mentes machistas idiotas.

O horror total é constatar que a bizarrice que está no Youtube aconteceu no campus de uma Universidade privada – justamente em um local onde, esperamos, as pessoas desenvolvam ainda mais o senso crítico, o sentido de justiça e o aprimoramento do caráter e dos melhores valores humanos.

Violência contra a mulher. Machismo, julgamentos levianos. O homem que pratica qualquer uma dessas coisas é um babaca; um imbecil. Não merece um pingo de compreensão, um olhar de um cara de bem sequer. Como castigo, não merece nunca nenhuma mulher – e ficar sem mulher é o pior dos castigos! Caras bizarros que não sabem respeitar e amar uma mulher precisam de terapia intensiva e isolamento da sociedade. E ganham meu desprezo.

Mas sentimentos e comportamentos nocivos ligados às mulheres, às vezes, não partem única e exclusivamente dos homens. No vídeo da moça da Uniban, notamos uma série de garotas puxando o coro de ofensas. Há depoimentos (que não posso dizer se são ou não verdadeiros, pois não apurei o caso) de jovens que juram que foram algumas mulheres que começaram a polemizar.

O que quero dizer é que a violência e a maldade - de todo tipo - com a mulher deve, e urgentemente!, ser revista por todo mundo. Inclusive pelas mulheres.

Lembro de ter visto uma coisa muito séria acontecer com uma amiga minha, anos atrás. Ela conseguiu um lugar que muita gente queria – eles e elas. Num local público, cheio de exposição, com todo mundo acompanhando. A Jú (nome fictício) fez a parte que lhe cabia; se empenhou e era competente. Como era de se esperar, foi bem criticada. Mas essa crítica se deu dessa maneira: dos homens à sua volta, ela recebeu questionamentos acerca da beleza e do talento. Das mulheres, recebeu os feedbacks mais duros e os piores xingamentos. Para elas, ela era uma puta, pois certamente teria dado para algum chefe. Só assim para estar ali. A pressão foi tanta que ela desistiu - mas desistiu mais por conta da pressão das mulheres do que por conta da pressão masculina.

Sei a que são submetidas as mulheres na nossa sociedade. Sei da luta, competência, coragem e garra das nossas mães, namoradas, amigas e esposas. Acho a mulher a coisa mais linda do Universo. E é por isso que a amo tanto e sempre fui tão mulherengo. Não namoro muito até hj pq preferi conhecer mais e mais tipos de garotas; ter mais e mais contatos e aprendizados com elas. Sempre achei, e continuo achando, que se o Brasil tivesse uma mulher na Presidência, esse país iria ser uma potência e tanto! As mulheres, indiscutivelmente, trabalham melhor e pensam melhor. As mulheres, indiscutivelmente, são mais maduras e melhores do que os homens. Afinal, os homens não são regidos pela mente e por tudo que a cabeça assimila ao longo da vida. Os homens são regidos pelo pau.

No entanto, em algumas coisas as mulheres são muito machistas. Ao competirem umas com as outras, podem ser mais sexistas do que nós. Entram em jogo guerras de vaidades, julgamentos e penas dolorosas. Na relação afetiva, muitas vezes, as mulheres conseguem ser bem machistas tbm. Tantas vezes lamentei (tímido para essas coisas, como sempre fui), que tudo no campo sentimental tivesse de partir de novo de mim, de mim e de mim! E quantas vezes ouvi de garotas, antes e depois de um primeiro beijo ou uma primeira transa, que a coisa só não tinha rolado antes pq eu não tinha tomado a iniciativa... e pq eu, como homem, sempre tenho de dar o primeiro passo? Pq, como homem, sou eu sempre que tenho que conquistar, convidar, ir atrás... e não ser tomado de assalto por uma mulher cheia de iniciativa? Do mesmo modo, pq o feminismo é tão acertivo em discutir a igualdade nos mercados de trabalho (algo que tem meu total apoio e nem questiono)... mas é tão retraído na hora de dividir uma conta no restaurante? Quando a fatura chega na mesa, o senso comum ainda pede que seja o homem o responsável pelo acerto do valor cobrado. O senso comum que, inclusive, é muito defendido pelas... mulheres!

Antes que esse texto seja debatido com unhas e dentes por aqui - e antes mesmo que muitas mulheres se defendam, se ofendam, ou possam me acusar - quero reiterar uma coisa já escrita anteriormente: não estou contra vcs, mulheres. Reafirmo meu amor e minha solidariedade; minha devoção, idolatria, confiança e fidelidade. Sei tbm que nem tudo que disse aqui se aplica a todo mundo - quem me conhece sabe que não gosto de rotular e nunca acreditei no tal do senso-comum.

Aqui vai uma dica: absorvam desse texto apenas o que lhes serve. E perguntem-se: quantas vezes vcs não pensaram em si mesmas como vítimas do sistema, ao mesmo tempo em que foram implacáveis - como as garotas cruéis da Uniban - ao associar uma outra mulher à figura de puta... só por esta ter usado um vestido curto e vermelho em um lugar público???

Um abraço!

Rafa

P.S – Leiam também o excelente texto que o Oscar Filho escreveu sobre esse mesmo episódio da Uniban. Aproveitem, e deleitem-se com outras coisas muito boas dele – o blog do Oscar é bom pacaz! http://blogoscarfilho.zip.net/                                

Por Rafael Cortez às 20h56

27/10/2009

Primeiro alô dos 33 anos...

To aqui, pessoal.

 

Um ano mais velho; idade de Cristo. E certo de que, daqui aos 40, é só um passo.

 

Passou tão rápido até agora... mais de três décadas. Mas eu cheguei muito orgulhoso até aqui. E sou muito mais grato a tudo de bom que tive do que magoado com o que (ou quem) me feriu.

 

Recebi tantas, mas tantas demonstrações de carinho no meu aniversário... das mais públicas às mais íntimas.

 

Teve o tradicional e aguardadíssimo telefone da mãe logo cedo. O presente carinhoso - seguido da carta singela e já guardada na caixa das melhores recordações - da Thata... o telefonema, quase no final do segundo tempo, do Léo (e ai dele se não liga!), o pai que é pura ternura, a avó que manda a bênção, os amigos de longa data que disputam o posto de “primeiro parabéns do ano”, a amiga-macaquinha que liga 4 vezes para desejar felicidades, o parceirão de trabalho que, mal termina o show, já dá um sinal... e a companhia agradabilíssima da garota linda que cuidou de mim como só ela sabe no Rio.

 

No entanto, comovente como sempre, o grande destaque vai para o alô sincero de internautas amigos; vai para os vídeos de meninas carinhosas; os votos de felicidade de gente que não me conhece pessoalmente... mas que gosta de mim com entusiasmo e determinação! E que delícia que foi receber tanta coisa boa de tanta gente bacana como vcs.

 

Obrigado, de verdade.

 

Termino esse texto de felicidade e agradecimento dizendo que ando bem entusiasmado. O ano ta acabando, e em breve vou me aproximar mais ainda de vcs. Propus neste blog que tenhamos mais relacionamentos reais do que virtuais. E é pensando nisso que me aliei mais ainda ao Ítalo Gusso, meu amigo e parceirão de trabalho, para rodarmos parte desse país nas férias do CQC. Vou levar meu modesto solo de comédia para diversas cidades entre janeiro e fevereiro. Não vejo a hora disto acontecer – e logo! Aguardem a divulgação das datas e destinos...

 

Um abraço carinhoso

 

Rafa Cortez      

 

 

Carinhoso video das minhas meninas - Las Cortezas. Olha o que elas fizeram para mim!

Por Rafael Cortez às 18h28

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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