Blog do Rafael Cortez

17/06/2010

Direto da África - parte 06 OU Breve Tratado Sobre a Pós-Realização

São agora 19:30, e esse é um dos horários mais difíceis aqui para nós em Joanesburgo. Deixem-me explicar. Ocorre que, ao menos nessa cidade, as
coisas não foram muito planejadas para acontecer de noite. A alta periculosidade desse centro financeiro da África do Sul, faz daqui um lugar reconhecido
- pelo mundo - como um dos menos apropriados para conhecer a vida noturna, ainda que ela exista, ainda que eu mesmo a tenha vivido um pouco (e aprovado) e ainda que, na prática, esse papo de que tudo aqui é perigoso demais cheira, muitas vezes, a alarmismo e perseguição. De todo modo, a noite em Joanesburgo
raramente é aproveitada pelo autor dessas linhas e por toda a equipe da qual ele faz parte.

Tem outra coisa também: salvo quando temos jogos da Copa à noite, é de dia e de tarde que damos o máximo de nós - pois são nesses períodos que a maior parte das coisas acontecem. Em geral, aqui em Joanesburgo trabalhamos muito bem entre as 09 e 18hs, quase sempre sem parar muito. Ao término do trabalho, quase sempre priorizamos uma boa refeição - e vamos famintos comer algo de gordo de uma vez só, o que é bem errado para o nosso corpo, apesar de ser delicioso.

Passado o almo/ janta, voltamos para o hotel e cada um cuida de suas coisas: os produtores não param de trabalhar - precisam decupar as fitas com nossos
materiais e preparar tudo para enviar ao Brasil, ou, muitas vezes, tratar de enviar cenas do dia anterior ou de outro período de trabalho. Tudo depende muito
do ritmo do trampo ou da logística do Centro de Imprensa, onde a Band tem seu complexo montado, funcionando com uma logística muito bem pensada e funcional. Nossos câmeras ajudam em todo esse processo, ao passo que eu e o Felipe nos ocupamos com outras coisas, cada qual à sua maneira e de acordo com seu trampo e demanda. Mas, no entanto, há sempre um momento em que tudo fica estranhamente calmo por aqui. E esse momento é agora. E, a cada dia que passa, esse momento me traz mais e mais reflexões.

Tem feito muito frio na cidade. Isso, somado ao que eu já escrevi sobre a noite local, faz com que seja ainda mais desanimador pôr o pé pra fora de casa.
E quando eu falo que tem feito frio, ressalto que é a um FRIO ABISSAL a que me refiro. No jogo de estréia do Brasil, juro que quase congelei.

Todo mundo da equipe já encontrou um modo de passar essas horas chatas do começo da noite. Todos sabemos que não vale muito à pena ir cedo demais pra cama, pois nosso metabolismo vai nos dar um sono profundo nas primeiras horas, e um sono leve na madruga mesmo - que é quando realmente não compensa nada ficar acordado. Eu, com o sono problemático que passei a ter aqui, não me arrisco com sonecas ou cochilos esporádicos, a não ser quando estou no carro, em longas viagens de uma cidade para outra em busca de treinos, torcidas e jogadores.

O lance, para mim, é preencher esse período de breve ócio com serenidade. A Bianca, uma das minhas melhores amigas, me mandou um delicioso livro de crônicas do Luís Fernando Veríssimo para devorar rapidamente. Eu tinha me esquecido como esse autor marcou minha vida, de modo a nem citá-lo em recentes entrevistas que dei por conta do lançamento dos meus audiolivros. Mas é claro que ele foi o escritor que, ao lado de Machado de Assis, mais me felicitou/ surpreendeu/ encantou com sua obra. Adoro tudo ligado ao Ed Mort, do mesmo modo que sempre fui um fã devoto da Velhinha de Taubaté, das Noivas do Grajaú, da Mulher do Silva, do Marido do Dr. Pompeu, Analista de Bagé e tantas outras coisas que somente um gênio como ele foi capaz de criar. Tenho rido muito com o livro que a Bi mandou; e é engraçado ver como as coisas do Veríssimo só tem graça com ele mesmo, com a palavra presa no papel! Não acho que ele tenha o mesmo sabor e originalidade quando sua obra vai para a TV, Teatro ou Cinema. Se vc conta uma piada dele, seja ela qual for, ela não tem mais a mesma graça pq se despreendeu do território desse mestre da palavra, que é o campo da escrita. Um artista que se faz único em sua realização é um artista de verdade.

Mas voltando ao que eu citava, ler é uma das coisas que posso fazer por mim num horário chato do dia, como o de agora. Ou escrevo aqui, mas nem sempre tenho algo relevante a contar ou uma inspiração para abrir esse lap-top. E, sinceramente, vir aqui só para preencher o território e dar um tchauzinho nunca foi
muito o meu forte, vcs sabem disso...

O que eu não entendo é: para onde vai toda aquela excitação e loucura que eu vejo todos os dias aqui durante o dia, nos jogos, festas populares e torcidas?
Pq, tão logo a noite começa, vem um ócio tão grande mascarado de paz? Talvez pq as energias precisem se reciclar mesmo - e aqui elas estão à flor da pele.

Ainda assim, sempre achei louco esse lance de contrastes na rotina. No meu trabalho, volta e meia vivo momentos de adrenalina pura, de ter o coração a cem
mil por hora, de quase não sentir o chão de tanto que as pernas tremem, etc. Aí, de repente, tudo passa e fica estranhamente calmo. O corpo respira, por mais
que eu duvide que ele se recupere tão bem de um choque elétrico tão intenso para virar esse invólucro de uma calmaria mentirosa.

Sei que todo esse processo é vital para o histórico de um bom trabalho. Vou citar dois exemplos de coisas que rolaram comigo.

Nunca esqueço quando fiz o balé "Para Todo o Sempre", com a bailarina Andrea Thomioka. Pra quem não sabe, e antes que começem as piadas de mal-gosto, o que fiz foi compôr e tocar as 07 músicas que as bailarinas da companhia da Thomi iam dançar, ao vivo, em uma série de apresentações especiais... que,
infelizmente, ficaram restritas a apenas duas, as duas primeiras da agenda.

Lembro que passei cerca de 03 ou 04 meses ensaiando com as garotas e pensando em cada detalhe do trabalho. Ensaiávamos umas 04 vezes por semana, depois todos os dias. Paralelamente, fazia aulas intensivas de violão para deixar minhas mãos e minha técnica tinindo! Mais ainda: duas vezes por semana ia às sessões de Shiatsu com o Sbug, pois passei a sentir muita dor no dedão da mão esquerda - fruto de sobrecarga e estresse. E eu morria de medo de ter uma tendinite e de pifar ao vivo. Em suma, eu estava envolvidão com o projeto!

Aí vieram os dias 05 e 06 de maio de 2005, quando apresentamos tudo no Teatro Paulo Autran, em SP, para uma platéia de amigos, familiares, espectadores
comuns e críticos de dança e música. A Rede SESC Senac de TV gravou o segundo dia, e eu toquei bem em ambos. Mas me recordo de ir dormir depois da última
sessão, já jantado e festejado, e ter sentido um vazio enorme; uma solidão descomunal. Todo o trabalho fôra (bem) feito, e o ciclo se completara. E, como
sempre acontece depois do êxtase do trabalho que deu trabalho mas vingou, vem o luto do fim e a incerteza do novo e irrequieto recomeço.

Senti outra coisa assim no que considero a minha maior e mais feliz apresentação artística, até agora, em minha vida. Eu fazia Os Saltimbancos com a Cia.
4 na Trilha, e fomos convidados pelo Projeto Gurí a apresentar a peça com um coral e orquestra de crianças e adolescentes - um projeto fantástico da
Secretaria Estadual de Cultura de SP, até hj muito bem-sucedido e bonito. Ensaiamos como uns doidos, nos preparamos a milhão. No dia 02 de outubro de 2005, subimos no palco da Sala SP, justo a magnífica Sala SP, e emocionamos cerca de mil pessoas presentes. Mais do que isso, nos emocionamos para a vida toda!
Só quem já se apresentou no palco sagrado da Sala SP sabe a que me refiro. É uma daquelas coisas que a gente leva com a gente pro caixão sorrindo, de
tão realizado...

Mas aí, terminada a apresentação, todos os planos de festejar deram errado, bem como as caronas dos colegas ou projetos de almoçar/ beber, etc. Não lembro
muito bem pq, mas acabei voltando sozinho para casa e almocei na Vila Madalena comigo mesmo - e isso depois de ter me apresentado para centenas de pessoas num puta lugar legal! E pensei numa frase do Tim Maia, já no fim da vida, onde, em muito maior escala, ele se queixava da mesma coisa: "É muito contraditório cantar para 30 mil pessoas e dormir toda noite sozinho".

Aqui eu penso muito nesses dizeres e nessas experiências que citei. E lembro de muitas outras, recentes, recentíssimas, como as que tenho com meu solo de
humor "De Tudo Um Pouco", e em como janto com a equipe depois de cada sessão felizmente lotada para, na sequência, me lamentar por mais uma noite,
infelizmente, sozinho. Mas longe de me lamentar, aqui, com a paz que agora reina nessa sala africana, me dou conta que é muito importante realizar bem o que
deve ser feito, mostrar aos outros o trabalho dedicado, deixar que esses outros façam sua parte na capturação do que vc fez (gostando/ criticando/ não
curtindo/ o que for), para, consequentemente, o ciclo ter se completado.

Meus trabalhos sempre pedem tudo de mim. Depois que tudo é feito, isso não me pertence mais. Fico como agora, meio esvaziado, prestando atenção se
a noite me oferece o que eu quero ou o que estou mais acostumado. Isso incomoda tanto agora como incomodou o vazio pós-balé e a solidão que ficou no lugar da euforia da Sala SP. Mas isso é absolutamente necessário para que o processo de criar e se envolver continue mais forte ainda, ainda que isso me incomode ou
seja um pouco angustiante.

Somente de posse de todo esse processo eu posso acordar todos os dias para tocar bem meu violão ou me esmerar em mais uma boa matéria do CQC para vcs. E, por mais que entender e experimentar essa situação seja um desafio intenso e incômodo, não nego: se esse é o preço de uma experiência ligada a alguma criação mais etérea, é sempre muito bom estar vivo para pagá-lo.

Até o próximo encontro!

Um abraço,

Rafa

Por Rafael Cortez às 16h32

14/06/2010

Direto da África - parte 05

Olha eu aqui de novo, em mais um relato especial dessa incrível aventura que é trabalhar como Jornalista numa Copa do Mundo!

Infelizmente não tenho conseguido ser mais assíduo em minhas escritas. Previa ter mais tempo e disposição para isso, mas tão logo os jogos começaram por
aqui, imediatamente o volume de trabalho aumentou. Fora o fato que, após as gravações e os jogos, voltamos muito pilhados para o hotel e nos ocupamos com
coisas básicas que não pudemos fazer durante o dia, como comer, relaxar ou ter algum tempo de lazer.

Aqui, apesar de fazermos uma média de uma boa refeição por dia, comemos mal e em excesso na hora errada. Lamento informar às fãs do CQC que eu e o Felipe vamos voltar pançudos e inchados pro Brasil, mas são os ossos do ofício. Agora, só uma correção: quando digo que comemos mal, não é pq a comida é ruim, etc. Pelo contrário, como a moeda aqui é bem desvalorizada em relação à nossa, podemos comer coisas bem boas e gostosas que, em nosso país, costumamos evitar. Já escrevi isso aqui. Mas comemos mal pq mandamos brasa antes de dormir, volta e meia encaramos uma carne mais encorpada pq parece mais suculenta, tem os já rotineiros Mcdonald´s, e por aí vai...

O sono ainda não voltou 100%. Mas já me conformei, ele não virá como de costume. Aqui é uma situação especial e eu estou sob pressão e em busca de
resultados. Não vim à África para descansar ou me divertir, ainda que ambas coisas sejam parte integrante do meu trabalho sempre, seja ele qual for e esteja
eu onde estiver. Mas, desde a infância, sou um cara obstinado e que se cobra demais. A maior parte da pressão a que me refiro, assim como essa busca de
resultados, vem de mim para mim mesmo. E se não for assim não funciona. Para mim, no dia em que achar que sei fazer bem o meu trabalho, ele não sai como eu quero de jeito nenhum. O frio na barriga, o cagaço, a tensão, estão comigo em todas as pautas mais importantes que faço - aliás, estão comigo sempre.
Administrar essa carga de energia e tensão, ainda mais sem válvula de escape alguma, é uma arte para mim. E, como estou cobrindo o evento mais importante até hoje de toda minha carreira, é natural que eu esteja com problemas de sono.

Mas quero atualizar vcs de toda parte boa da coisa, que é o que o mundo inteiro tem comentado: com ou sem meus problemas pessoais, aqui está rolando uma
Copa do Mundo de Futebol. E estar no meio de todo esse acontecimento sensacional, em tempo real, é mesmo um baita privilégio.

Na sexta passada caiu a nossa ficha de uma vez. Fomos fazer a cobertura do jogo de estréia, México e África do Sul. O Felipe foi acompanhar tudo de dentro
do estádio, o Soccer City, que eu só vim a conhecer mesmo, internamente, hj de tarde. Confesso que na hora me chateei um pouco de não poder ver o jogo
rolando ali, na minha frente, naquele gramado já histórico. Mas gostei muito de saber que eu faria a minha parte da cobertura na periferia de Soweto, com o
povo mesmo, numa praça animada, armada com um palco e dois telões daqueles. Antes, percorri algumas ruas bem simples e falei com pessoas vendo o jogo nas calçadas, em frente às suas casas, tomando cerveja e fazendo um som. Tudo muito parecido com os subúrbios de diversas cidades do Brasil que pude visitar com o meu trampo. Como de praxe, a simplicidade, carinho, hospitalidade e dignidade das pessoas pobres e comuns, seja aqui ou no Brasil, ainda é mais contagiante e interessante do que qualquer conforto ou beleza burguesa por aí.
   
Uma coisa que um leitor mais atento vai lembrar agora é que, no meu primeiro relato da África nesse blog, uma das coisas que estava me deixando grilado era a
questão da segurança. E, de uma hora para a outra, me vi na periferia de Soweto falando de futebol. E vcs pensam que passei algum perrengue, que estava com
medo, cercado de cautelas e paranóias, costas-quentes, etc? Coisa nenhuma! Estávamos completamente em paz e gravamos amarradões, sendo recebidos com um carinho e educação que eu não lembro de ter visto em lugar nenhum.

Não ignoro o fator FESTA no contexto da violência e insegurança aqui na África. Joanesburgo tem a fama de ser uma das cidades mais perigosas do planeta, e
essa fama não é gratuita. A África do Sul pena com a criminalidade; isso não pode ser ignorado. Lembro que, ao nos prepararmos para vir aqui pela primeira
vez, em novembro do ano passado, recebemos recomendações severas de NÂO TIRAR O PÉ DO HOTEL durante a noite, nem para ir na esquina, ou poderíamos ser assaltados, sequestrados ou até mesmo mortos. Morremos de medo, e ficamos "pianinhos" (conhecem essa expressão?) na ocasião. Mas agora voltamos e a cidade está, de fato, mais segura. Com gente do mundo todo circulando nas ruas, o número de policiais aumentou consideravelmente. Provavelmente, devem ter varrido as favelas para longe, o que é uma prática comum e triste numa festa com essa. Deve ter rolado algum tipo de acerto entre os traficantes e criminosos com o Governo, de modo que os turistas não sejam incomodados... mas os manos tbm não se ferrem muito. Enfim, se não rolou aqui, certamente vai rolar algo do tipo na nossa terra em 2014, como é de se imaginar. Em resumo, as coisas aqui parecem menos perigosas do que o previsto.
   
É claro que vcs sabem das mesmas histórias que a gente aqui - que jornalistas chineses foram completamente saqueados, que várias pessoas foram furtadas, que rolaram algumas agressões, etc. Mas é só mantermos os mesmos cuidados e adotar o mesmo bom-senso que temos no Rio ou em São Paulo, por exemplo, que as coisas ficam bem melhores...

Bom, tudo isso foi para tentar relatar que, apesar da fama da insegurança e violência que mancha a África do Sul, eu assisti ao jogo de estréia da Copa na
alta periferia de Soweto. E foi uma das melhores experiências da minha vida.

As pessoas aqui esperaram por um evento desse porte nessa terra por toda vida. Esse dia chegou, o mundo se rendeu à África do Sul e deu uma banana no
preconceito e nos fatores pessimistas e excludentes para assumir a balada nessas bandas. Vcs não podem imaginar como as pessoas estão felizes. Ninguém, que
não esteja aqui, pode fazer idéia do envolvimento e paixão dessas pessoas com essa Copa Africana. Por isso elas estão tão carinhosas, dedicadas,
hospitaleiras e felizes. Na periferia de Soweto, a impressão que eu tive é que até mesmo os bandidos deram um tempo na criminalidade para abrir uma breja e
torcer pela Bafana com todo mundo.

Espero que a matéria do CQC traduza o prazer que eu, Cronfli e Tutu tivemos de estar com a galera em Soweto na tarde do jogo. Ficamos arrepiados da cabeça
aos pés com a multidão dançando junta uma mesma coreografia. E a hora do gol da África do Sul foi uma das mais alucinantes de todos meus 33 anos... as
pessoas pularam com uma alegria tamanha, numa explosão de tesão, que me fizeram ficar emocionado e pular como se fosse a aquisição do Hexa brasileiro!

No dia seguinte, sábado, cobrimos a estréia da famosa e tão provocada Argentina, uma das favoritas nesse Mundial. Dessa vez, Felipe e eu ficamos dentro do
estádio juntos, e a emoção foi bem grande tbm. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi ver o Maradonna lá longe, no campo, atentíssimo ao jogo,
envolvido com cada detalhe. Gostem vcs ou não da Argentina e desse cara, é fato que ele é um dos heróis do futebol mundial. Uma lenda, na já discutida e
polêmica proporção junto ao nosso Pelé. Maradonna é futebol puro, e isso se respeita - gostando ou não dele, de seu país ou do esporte.

O barato de ver o Maradonna era o seguinte: pô, tá lá um cara que fez parte da minha infância! Quando fui à Argentina pela primeira vez, em 1990, com 13
anos, fiquei na divisa com o Brasil. Fui fazer umas compras, e o que mais me empurravam para vender eram camisas dele, fotos do cara, santinhos, etc.
Ele era o Deus da nação, (e isso que nem fui a Buenos Aires) e eu já o conhecia bem das histórias e lendas da Copa de 86, que é a primeira que tenho
algum tipo de registro na memória - e sempre com ele como protagonista. Aí, passados 20 anos, ele está alí, perto de mim. E o que eu perguntarei a ele se
puder entrevistá-lo? Que ação posso criar com ele? São coisas que ficam na minha mente qdo estou diante de um ícone.

Outra coisa legal de ver nele, lá de cima da arquibancada, era uma ternura com os jogadores e uma atenção geral e absoluta com cada detalhe do jogo. O cara
interferiu pessoalmente no trabalho dos bandeirinhas, assim como ralhou com o juíz emputecido a cada lance que acreditava ser injusto com o time. E, toda
vez que a bola parava perto dele, ele dava uma ajeitada com uma embaixadinha, uma alisada de ex-jogador apaixonado e, mais de uma vez, reconduzia a redonda para algum jogador com um chute certeiro e profissional. Ele parecia estar morrendo de vontade de jogar, e eu fiquei morrendo de vontade disso acontecer. Tomara que eu tenha a sorte de ver um novo Maradonna nessa Copa. Quem sabe amanhã, na estreia do Brasil?

E, por falar em Brasil, tá chegando a hora... estamos bem empolgados de trabalhar amanhã, e esperamos conduzir uma matéria de futebol-arte pra vcs verem na
semana que vem. Mas, antes desse jogo, ainda temos trampo pela frente... essa madrugada tem o link ao vivo, para vcs verem nossas caras rechonchudas em suas casas. Isso é legal, mas significa que não podemos nos desligar antes das 5, 5 e 30 da manhã. E, como gravamos uma pauta bem engraçada hj no jogo da Holanda e Dinamarca, já estamos todos bem cansados. Felipe e Pedro mais ainda, pois foram ao último treino da Seleção antes da estréia. Mas agora todos, à exceção do Max, que está decupando e editando no IBC, podemos descansar antes da transmissão da madruga. São 23hs aqui, ainda. Só lamento não ter a sorte deles de ter sono e me desligar, para um cochilo bom ou um sono mais cravado.

Eu tô na pilha 100%. Quero muito mais dessa experiência. Conto com vcs para dividir, ok?

Um abraço

Rafa

 

 

Por Rafael Cortez às 18h36

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

Histórico