Blog do Rafael Cortez

29/12/2010

Último relato de 2010

Mais um ano acaba e, mais uma vez, é a hora de dar o último "salve" pra vcs neste ano de "salves" tão inconstantes e atípicos desse cyber-espaço.

Confesso que adoro esse momento da última reflexão. De fato, estamos na época do ano que eu mais gosto. Desde a infância é assim: meus pais souberam incutir na gente, em mim e em meus irmãos, o gosto pelo Natal e Ano-Novo - e não pq é qdo haviam presentes em excesso, férias, viagens e as comidas especiais que só existem nessa fase (alguém aqui come Tender fora do dia 24-12? Tá, no sanduíche de queijo, abacaxi e Tender do Cervantes, no Rio... eu tbm)... é pq para eles, e consequentemente para nós, o final de cada ano sempre representou o final de um ciclo. E, ao término desse ciclo, sempre vem outro e mais outro... e sempre melhores que os anteriores, como tem que ser sempre.

A vida toda eu sempre amei ler Biografias. De fato, quem me conhece sabe: gosto de Literatura de um modo geral, mas sempre fui mais fã das Biografias do que qualquer outro gênero literário. Há uma série de coisas que ainda quero ler, como toda a série "O Tempo e o Vento" do Érico Veríssimo, por exemplo, que é algo grandioso que estou guardando para quando eu estiver mais à altura do que ele escreveu. Mas, mais e mais, tenho lido Biografias.

O fato de ler Biografias tem tudo a ver com esse texto: eu gosto delas pq posso ver uma vida inteira passada à limpo em uma questão de horas. Vc lê na história do cara que aquilo que, naquela ocasião, parecia não ter fim ou solução, no cômputo de uma vida não ganhou mais do que um capítulo. Vc percebe que tudo que mais afligiu aquela cantora nos seus 20 e poucos anos, ao término de uma vida vitoriosa, não passou de uma exceção. E vê tbm que a alegria do fulano que parecia imortal, tbm acabou um dia - como sempre acabam todas as tristezas e alegrias em algum momento, uma vez que nada é para sempre e nós não somos imortais (exceto o Oscar Niemayer e a Dona Canô).

Em resumo, o final de cada ano e meu característico texto de despedida dos últimos dias de Dezembro, é parte da minha própria Biografia.Não tenho a pretensão de ter uma agora, ainda que o Justin Biba tenha a sua aos 17 anos de idade. Mas gosto de ler esses meus textos finais junto com vcs e me dar conta de que, afinal, estou fazendo bem a minha parte na história dos meus dias. E se isso tiver relevância para mais alguém que queira reunir as peças dessa quebra-cabeça que é tudo que vivi até agora, transformando os retalhos numa história que eu tbm goste de ler um dia, tô no lucro.
               
Sem dúvida, em toda minha vida até agora, foi em 2010 que eu mais trabalhei. Costumo brincar dizendo que trabalhei mais que o cirurgião plástico da Ângela Bismarck, e é verdade.

Foi em 2010 que consolidamos - eu e o Ítalo Gusso - o meu show solo.

"De Tudo um Pouco" passou por dezenas de cidades e alguns Estados brasileiros, e me fez descobrir grandes alegrias na minha relação com o palco, que parecia esquecida desde "Os Saltimbancos". E mais, graças ao "De Tudo um Pouco" conheci lugares, amigos, mulheres, festas, comidas, locais e histórias inesquecíveis. Lamento muito não ter feito um "Diário de Bordo" de tudo que presenciei com meu solo... tá tudo na minha cabeça e no meu coração, como a minha entrada ao som de "Welcome to the Terrordome", do Public Enemy, no último volume, no Teatro Pedro II de Ribeirão Preto, com 1500 pessoas gritando comigo e aplaudindo pra caramba aquele momento. Ou a chegada a pé, agora em 18 de dezembro, na rua de acesso do Teatro de Juíz de Fora, passando pela fila de centenas de pessoas que foram lá para me ver e não esperavam que eu chegasse atrasado, perdido e sem noção, com elas, por ali. E teve também aquela vez em que entrei no palco de bicicleta e quase levei o maior tombo em Campo Grande, em 16 de janeiro, quando eu tbm não imaginava que meu solo passaria a ser feito, em parte, com o meu violão - isso antes me parecia um atentado, uma vez que estudei o Clássico e não poderia "profanar" minha relação com ele inserindo-o num show de
comédia! Haha!
             
Tive também grandes felicidades fazendo eventos corporativos por todo o Brasil. Da Nestlé, com o Felipe Andreolli e a Wanessa Morgado em Manaus, passando pela convenção da PWC com a Mônica Iozzi e nosso outro evento no Costão do Santinho, indo tbm para o Mestre de Cerimônias que fui para a Editora Abril em quatro capitais brasileiras, o DJ que me tornei para a Hering, em Lajes - SC, o comediante Stand-Up que encarnei para a Castrol no Comedians, o "Comunicador de Auditório" que interpretei na Gincana Cultural da Universidade Anhanguera, o "palestrante motivacional" que tomou conta de mim no café da manhã da Lopes e da Abyara, e por aí vai... ou seja, fiz diversos eventos e adorei cada um deles. Gosto muito de trabalhar com o Mercado Corporativo - é onde não só ganho um dinheiro a mais como, acima de tudo, me divirto e crio muito, além de me relacionar com pessoas incríveis! Agradeço, de coração, cada uma das empresas que me contrataram para ações diversas e desafiadoras em 2010!

O meu CD solo não saiu em 2010... vacilo meu. Prometi e não cumpri, de novo. Mas acho que reencontrei mesmo meu instrumento depois que o inseri no meu show de humor. Passei a viajar com ele e a tocar semanalmente. Não toco mais por obrigação ou para não perder os movimentos e as minhas músicas, que não existem em partituras e só residem na minha cabeça e nos meus dedos. Toco pq agora meu violão faz parte do meu trabalho, e isso é incrível! Tá lá, no meu show, e isso me faz aproximá-lo cada vez mais de um potencial público consumidor do meu disco instrumental e seu correspondente Recital. E por falar em Recital, teve um sim... simbólico, mas desafiador e apaixonante. Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no Teatro Eva Herz, em setembro. E posso prometer de novo? Juro,  2011 sai o CD. Ah, se sai!

O "Quincas Borba", meu quarto audiolivro do Machado de Assis, saiu em 2010. Mais um belo trabalho da Livro Falante com a minha voz. Celebramos isso em uma manhã de autógrafos e recital da Cultura e, esse foi inesquecível, aquele bate-papo na Bienal do Livro, onde me sentei para falar de Novas Mídias e Cultura Jovem com o Guilherme Fiuza, o Paulo Caruso e a Guta Stresser... e a gente saiu escoltado por bombeiros no meio de uma multidão que só ligou para a gente pq estávamos, justamente, escoltados por bombeiros chamando a maior atenção do mundo! Haha!

No plano pessoal, as coisas melhoraram muito no ano que passou. Minha família está melhor que nunca, com os sobrinhos pequenos cada vez mais bonitos e sadios, e meus pais felizes com algo novo e sensacional que contou com minha ajuda e entusiasmo. Eu tbm dei um passo importante e cumpri uma das três metas de um plano pessoal de ações, e isso me deu uma felicidade imensa. Algumas amizades se consolidaram de vez, como a da Verônica Amorim e o Ítalo. Hj em dia, acho que não posso mais viver sem eles mesmo. A Cami Colombo ganhou asas e foi para o mundo... mas como eu grudei um bumerangue nelas, ela sempre acaba tendo que voltar para cá, como agora! Haha! A Bianca Manzini é a aliada que topa tudo, a parceirona... e descobri que o Felipe Rodrigues não é só o cara da Nume que me acompanha nas viagens pelo Brasil - ele é um amigão tbm! Isso vale para o João Mesquita, que tá mais brother que nunca, e o Danilo Gentili, que é louco e tem o tempo dele, mas pode contar comigo pela vida toda. E que falar dos amigos de sempre e para a vida toda? Meus irmãos, o Beto, a Nau de Ícaros, meus chapas. Manter essas relações em 2010, no meio de toda minha correria e desorganização, foi um desafio. Teve gente que não aguentou e zarpou, e eu lamento muito. Aos que toparam seguir comigo sabendo que os próximos anos serão ainda mais intensos, fica a promessa: tentarei, na medida do possível, não faltar tanto e ser o Rafa que vcs precisam e quererem ter.
        
Quanto às mulheres, a carioca tbm não me aguentou... eu não sou fácil! Esse foi o ano de me encantar muitas vezes por garotas diferentes e conhecer melhor a alma feminina. É um tanto exigente essa alma, e isso me faz fechar o ano sem esposa, namorada e sem a pequena Nara no colo. Mas tô feliz. Podia ter ficado sem o gosto amargo da decepção com aquela última que foi beeeeeem mal-caráter, mas tudo bem. Tudo que sobe, desce, não é?


Mas deixei para o final o que continua sendo o mais importante na minha vida. Em 2010 o CQC continuou sendo o maior desafio e realização que já tive.


Fiz um grande número de matérias para o programa. Algumas já estão na minha lista de prediletas dos três anos em que lá estou, como a da Falsa Celebridade e o Guerreiro do Hexa. Idem minha ida ao Chile para cobrir a posse do Piñeda e o dia em que o Lula topou trabalhar para a gente. Tivemos tbm os habituais CQTestes (que passaram a ser essenciais em todos os programas - no CQC de 2008 eles eram inconstantes, passavam numa média de um em cada três programas, e em 2009 eles se alternavam - ou toda semana, ou de 2 em 2 programas). Mas o fato é: uma das minhas grandes alegrias no CQC foi ter dado uma marca a esse quadro. Foi emprestar a ele um tom non-sense e pastelão que fez do mesmo um ponto forte do programa. Há os que não gostam e nada dele, e eu os respeito, ainda que tenha de ouvir críticas que em nada são construtivas. Mas essas pessoas mais críticas são, geralmente, as que levam o quadro a sério demais - que o vêem como uma competição acirrada ou um espaço de entrevista. E para mim, é puro entretenimento, besteirol, loucura e bobagem! Só isso, e é assim que o vejo e
faço com graça, ainda mais quando estou com alguém ao lado que entra no clima, como a Claudia Leitte, Ivete Sangalo e o Túlio Maravilha, entre outros.

Que mais? Em 2010 teve a Copa e todos aqui puderam ver como foi foda e legal ao mesmo tempo. Não sei agora se foi mais bacana ou desgastante, mas tô propenso a achar que foi mais osso mesmo... mas que foi sensacional ter ido, lá isso foi! - ainda que isso tenha me custado 36 dias de saudades do Brasil e muitos problemas com línguas, temas, sono e alimentação. Mas, modéstia a parte, nossas matérias ficaram boas pra caramba!    

Por fim, na cobertura da Eleições, o time todo trabalhou à beça... e isso reafirmou a certeza que tenho de que esse trabalho é o cursor de águas da minha vida, onde estão as pessoas mais malucas e interessantes que já vi. E é um TESÃO pensar que tenho mais dois anos confirmados dessa bagunça e imprevisibilidade pela frente, com pautas, piadas, viagens, festas, eventos e desafios que podem muito bem resultar num livro - e pq não?

Quero terminar esse último texto agradeçendo a todos que fizeram desse blog um espaço fixo de leitura e entretenimento. Lamento ter escrito pouco, mas isso foi reflexo do ano atribulado que tive. Espero que todos tenham uma ótima virada de ano e que façam de 2011 um puta lance louco de 365 dias inesquecíveis! E, isso seria muito bom, espero que em 29 de dezembro de 2011 eu esteja falando menos de mais um ano bombástico que tive para ler mais textos de vcs, relatando que o 2011 de cada um foi muito melhor do que o esperado! Tudo de bom e até a próxima!

Um abraço,

Rafa Cortez

P.S 1 - Vou sair completamente do ar esses dias... talvez ainda pinte no Twitter, mas blog, orkut (que tá mais abandonada que velha em puteiro) e Facebook... acho que vão ficar a ver navios!

P.S 2 - Como de costume, no último texto do ano deixo um vídeo de algo que represente algo para mim. Como em 2010 ralei muito e agora tô celebrando demais, é um desses momentos de festa que quero deixar como lembrança do ano. Esse vídeo foi captado pela Grazy Psicanne na última festa Menstruação 2010, do Luís França. Sou eu, na balada, num momento "vergonha alheia", tentando motivar a galera incrédula a cantar comigo "Odara", do Caetano, e meu mega-hit "Todo Mundo na Balada"... vale como curiosidade pelo fato de eu NÃO TOCAR GUITARRA e estar com uma na mão. Notem o entusiasmo da galera comigo e a empolgada voz de Camila Colombo fazendo côro no refrão da minha música!

 

 

Por Rafael Cortez às 21h14

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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