Blog do Rafael Cortez

18/03/2011

Mais novidades do CD

Ainda pensando em tentar dar uma nova vida a esse blog na carona do meu CD que sai em breve, pensei em oferecer a vcs uma “canja” do que estou preparando e que, ao que tudo indica, chega até vocês no final de maio/ começo de junho. Aqui vai parte dos textos descritivos das músicas – é o detalhamento de cada uma delas, presente num encarte generoso, repleto de fotos, imagens de making-off, um outro texto introdutório meu e as belas palavras de apresentação da amiga e jornalista Lorena Calábria. Mas saibam: os textos completos mesmo, só no encarte.  Lá em baixo, no final, vcs ainda visualizam de lambuja outra foto do making-off do encarte – dessa vez, da Verônica Amorim. É isso... daqui a pouco vcs escutam, combinado? Fiquem com a amostra-grátis!

Um abraço,

 Rafa Cortez

 

 

Badica – Composição de 2003

A violonista e cantora Badi Assad tem um estilo tão vivo e radiante de tocar violão, que não é de hoje que as pessoas são loucas por ela! Comigo não foi diferente. Como fã que sempre fui, assisti seus shows com um misto de amor e admiração. Tive a sorte de me tornar seu aluno de violão por algum tempo e de hoje tê-la como amiga. A composição conta, no violão, um pouco da história da musicista. 

Maninha – Composição de 2001 

Uma música feita para expressar amizade, carinho, admiração e fidelidade a alguém que se ama muito. Cada um de nós tem esse alguém na vida, e uma das recompensas do cotidiano é conviver com quem se quer bem. No meu caso, a música é “Maninha” porque a minha melhor amiga, de hoje e sempre, é a Thais Cortez.

 Cordel de Guilherme de Faria – Composição de 2002

 Guilherme de Faria é pintor, poeta e escritor, com uma carreira artística consolidada de mais de 40 anos. É também meu tio, sendo, portanto, uma referência criativa muito forte desde minha infância. A peça “Cordel de Guilherme de Faria” descreve, no violão, o entusiasmo desse grande artista ao narrar um de seus cordéis – onde um misto de sensações o preenche para, consequentemente, tomar seus espectadores.  

Naquele Tempo – Composição de 2004 

Essa canção tinha outro nome e era uma composição em outro andamento, mais melódica e dedicada a uma namorada que eu tinha. A namorada se foi, a música ficou e não fazia mais sentido do modo que existia. Dei uma “suingada” na peça e ela virou “Naquele Tempo”.Um dia eu entendi: eu falo de mim nessa peça. Sou eu, em um contexto onde alguém foi importante e é bom e gostoso lembrar algo que aconteceu comigo. 

Helena – Composição de 2004

 Composição dedicada a Helena Caiuby, avó e mulher de fibra. De acordo com Andréa Thomioka no encarte do balé “Para Todo o Sempre”, de 2005: “Helena” é o ícone, é a referência. Aquele que te ensina e também aprende, cuida e também se orgulha, não te priva do sofrimento de viver a sua própria vida, mas te ama infinitamente para sempre te fazer ir em frente.   

  Saudades da Bossa – Composição de 2003

Um sambinha despretensioso que pede mais sambinhas despretensiosos, alguma bossa ou a volta de um espírito belo e iluminado na nossa música – como havia na MPB de outros tempos. Com “Saudades da Bossa” saúdo um tempo que não viví, uma graça que não pude acompanhar, algo que não sei explicar – mas que sinto quando eu ouço um disco da Nara Leão, por exemplo.

A Tocaia – tema e variações - Composição de 2001

 Eu só fui entender essa minha composição recentemente. Eu a bolei como as outras, intuitivamente. Mas essa veio com um experimentalismo que as demais não tinham; com algo mais dissonante, mais esquisito. Ela sempre foi um tema com variações, e é um reflexo da época em que eu estava migrando do violão clássico para o violão mais ousado e popular, bem na fase em que eu comecei a estudar com a Badi Assad. Mas era uma das poucas coisas que eu sabia dessa obra, que só conheci mesmo quando fui gravá-la. Ela é meu modo de contar uma obra de Erico Veríssimo - a primeira parte (“O Continente”) de "O Tempo e o Vento".

      Em A TOCAIA temos as seguintes apresentações musicais:     O Punhal/  O Som do Vento/  Demasiado Tarde/ A Morte de Pedro Missioneiro

Encantada – composição de 2009

Eu sempre quis fazer uma música para a cantora Nara Leão (1942- 1989). Ela é a artista que mais admiro na história da MPB. Sua voz, sua atitude, sua coragem e sua luta são exemplos não só para mim, mas para milhares de brasileiros que, como eu, também lamentam que ela já tenha nos deixado. O nome “Encantada” vem de encontro não só à idéia de “canção”, mas daquela frase de Guimarães Rosa que diz: “As pessoas não morrem. Ficam encantadas”. É o que eu acho que aconteceu com Nara.  

 Ponte Aérea – Composição de 1996

 Essa é minha primeira peça composta para violão-solo. Data de 1996, quando eu ainda era um aluno aplicado da Ledice Fernandes, notável violonista que hoje faz carreira no exterior. Eu tinha iniciado meus estudos violonísticos com ela dois anos antes, ainda imerso no repertório popular. Um primo de Piracicaba estudava violão clássico paralelamente e mostrou-me algumas músicas. Fiquei maluco! Comecei a estudar o repertório erudito feliz da vida... paralelo às aulas e estudos, mantinha uma amizade bacana com amigos que residiam no Rio de Janeiro... e eu em São Paulo, sempre sentindo falta deles! Compus “Ponte-Aérea” para essa turma. A música fala de saudade e bons encontros. Penso nela e me vem a imagem de um aeroporto. Os amigos estão esperando o desembarque dos outros parceiros, de braços abertos! 

 Quando Danço com Seu Corpo – Composição de 2005

Essa é minha única composição feita sob encomenda. A bailarina Andrea Thomioka me pediu para criar uma peça violonística que ela pudesse dançar.Em resumo, a música é a Thomioka e sua carreira. O mais bacana é que nós, Thomioka e eu, apresentamos o duo no XI Festival de Danças do Mercosul, em Puerto Iguazú, Argentina, em setembro de 2005. Ela dançando essa peça ao mesmo tempo em que meu violão dançava seu corpo. Foi demais!

 Rua das Estrelas Sírius – Composição de 2005

Uma homenagem à minha infância, inesquecível pela vila onde cresci – a Rua das Estrelas Sírius. É também uma homenagem à infância de dois amigos que cresceram comigo e que, infelizmente, viveram só um pouco mais depois. Acima de tudo, é uma canção que manda um abraço àquelas pessoas queridas que não estão mais conosco.     

Elegia da Alma – Composição de 2004

Música que faz uma homenagem à parceria entre o artista e sua obra, onde há toda a delícia e trabalho de produzir algo que, quando encerrado, precisa ser emotivamente apreciado. Segundo o encarte do balé “Para Todo o Sempre”, “Elegia da Alma” é “a inspiração. É a arte e o artista simultaneamente. São os impulsos desconectados de razão, são os flashes de delírios artísticos.... é a magia e o desgaste do processo quase insano e a fadiga e a plenitude na contemplação da obra finalizada.” É a minha composição predileta.   

 Faixa bônus – O Velho Diálogo de Adão e Eva – improviso de 2008

Recriação de um capítulo emblemático de Machado de Assis, presente em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", audiolivro gravado por mim pela Editora Livro Falante.

 

 

 

 

Por Rafael Cortez às 23h07

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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