Blog do Rafael Cortez

25/10/2011

Breve repassada das 35 primaveras - Parte 02 - CONTINUAÇÃO - FINAL

No endereço do Galpão Nau de Ícaros ficou até o ano de 2005. De 2002 até 2005, o espaço passou a ser a sede de outra empresa, o Galpão do Circo. Rafael passou a cuidar da produção interna do espaço – materiais, pessoal, cursos e projetos especiais. Vendeu, entregou e produziu cerca de 65 festas infantis ali realizadas, ou como Nau de Ícaros ou como Galpão do Circo. Passou também a ser o produtor da festa Renegados e de eventos, locações do espaço e atividades específicas. Lá, fez cursos de palhaço com Sílvia Leblon e Clerouak, o que lhe permitiu tirar o DRT de palhaço profissional – ele o ostenta na carteira de trabalho até hoje.

 

No ano de 2002 protagonizou o curta metragem X, de Pedro Granato. Produziu e atuou na peça Made in Brazil, sua primeira realização como ator. Ainda neste ano, deu seu primeiro recital de violão. Mais tarde, em outubro, fez seu melhor concerto no Teatro Santa Catarina. Em 2003 fez a peça Francisco e Clara, o Musical, de Evê Sobral – direção de Rubens Rivellino.

 

Em seguida, entre 2003 e 2004, participou de um episódio do seriado Spa Fantasia, da Ases Produções e do programa Trampolim, como entrevistado numa roda de produtores, da Rede SESC Senac de Televisão. Além disso, fez uma participação no espetáculo A Casa de Bernarda Alba, de Melissa Vettore, na escola teatral Indac e virou produtor do Galpão Raso da Catarina, cuidando do espaço na Vila Madalena e organizando saraus por toda periferia de São Paulo (nessa época, Cortez trabalhava mais que nunca e ganhava muito, mas muito mal).

 

Em 2003 ainda, (como foi bizarro o ano de 2003!!), foi diretor de produção e produtor executivo dos espetáculos O Crápula Redimido, da Cia. Dos Gansos e Trativelindepraglutifitotinquelux (ele sabe pronunciar o nome correto até hoje), da Trupitê de Teatro. Antes disso, auxiliou a produção da Cia. de Artes do Bloco Bolado. Mais tarde, em 2004, foi consultor de produção da primeira temporada da peça Carro de Paulista, dirigida por Jairo Mattos. Sua carreira de produtor se encerrou mesmo com o ballet Duas de Uma Só, da Cia. Brasileira de Danças Clássicas, em 2005 – mas foi retomada em 2011, quando cuidou pessoalmente da realização de seu CD “Elegia da Alma”.

 

Também no ano de 2003 (caraca!), passou a trabalhar na Abril Digital, antiga Abril Sem Fio, como colaborador. Fez, entre outros trabalhos, conteúdos interativos (quiz) de política (Veja), celebridades (Cobtigo!), esportes (Placar)  e sexo (VIP e Playboy – ele sabe todas as teorias do sexo; redigiu cerca de 10 mil questões sobre bizarrices carnais). Também escrevia dicas (SMS) de todos os tipos para todas as publicações da casa (incluisve, mais uma vez, de sexo). Se manteve atuante na Abril até maio de 2008. Antes de sua entrada na Abril Digital, trabalhou com a jornalista Alice Granato nos veículos Veja – O Melhor da Cidade e Jornal da Faculdade Uni-Nove.

  

Em 2004, além de ser produtor do Galpão Raso da Catarina e do Sarau do Charles, passou a integrar a Cia. Quatro na Trilha de Teatro, com a peça Os Saltimbancos e a trabalhar com a vereadora Tita Dias, do PT-SP, como seu Assessor Parlamentar na área de comunicação. Passou cerca de seis meses na Câmara Municipal paulista... e NÃO enriqueceu – a Tita era uma das únicas  honestas e competentes da casa!    

 

O ano de 2005 marcou sua participação integral no ballet Duas de Uma Só, com trilha, produção e execução musical do próprio Cortez. Foi a época em que ele namorou uma bailarina sarada, o que o deixou bastante feliz. Além disso, em 2005 trabalhou – ao lado da Cia. Quatro na Trilha – com parte do coral e orquestra do Projeto Guri, fazendo Os Saltimbancos. Apresentaram-se, entre 2005 e 2006, no Teatro Municipal de Santo André, Sala São Paulo, Teatro São Pedro e Festival de Inverno de Campos do Jordão. Também em 2005 esteve na Argentina com a bailarina Andréa Thomioka e o duo de violão e dança “Quando Danço com Seu Corpo”. Foi ainda no ano em questão que lançou Solo, seu primeiro CD - demo, com recital de estréia na Livraria da Vila (só 200 cópias, coitado) – também nesse ano, fez o trabalho Contando Lendas, na Mostra de Artes do Mediterrâneo do SESC-SP, ao lado do ator Danillo Sangioi (em uma apresentação, ao contar um clássico de um herói grego que fora amarrado por seus inimigos, interagiu com as crianças da seguinte forma: “quem aqui já foi amarrado”??  Um menino gordinho, tristemente, levantou a mão). 

 

2006 começou com o recital completo no Centro Cultural São Paulo. Vieram depois – além das muitas sessões de Os Saltimbancos – o duo com Alejandra Pinel no grupo Conta Sons, os trabalhos com a Cia. Ateliê Teatro em eventos, e a gravação de suas primeiras peças com letra para o Prêmio Visa Compositores 2006. Além disso, tocou violão em 33 jantares no restaurante francês Allez, Allez (que era um mega restaurante foda, onde Cortez só jantou na faixa uma única vez).

 

Já em 2007, estreou o espetáculo teatral O Mágico de Óz e gravou em áudio-livro O Alienista, de Machado de Assis, para a editora Livro Falante.  Foi também o ano de desenvolvimento e lançamento de seu primeiro game – O Romance dos Famosos, na Editora Abril. Cortez passou a manjar tudo da vida afetiva das celebridades, o que mudou sua própria vida!

 

2007 também marcou a entrega do 32º Prêmio Abril de Jornalismo, categoria “Conteúdo para Celular”, que ganhou junto com uma equipe de 08 pessoas. Foi ainda neste ano que fez teste para repórter do Metrópolis (Tv Cultura, que o reprovou), figuração em propaganda do Mcdonald´s e a seleção para repórter do CQC - que o chamou originalmente para ser produtor e acabou selecionando-o para repórter em dezembro de 2007, de tanto que ele encheu o saco para fazer os testes (que, por fim, fez bem).      

 

De 2008 para cá, atua no CQC e abriu novas frentes de trabalho. Lançou mais 03 audiolivros pela Livro Falante: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, todos de Machado de Assis. Iniciou, em janeiro de 2009, um trabalho como comediante Stand-Up em bares de SP. Mas, como é péssimo fazendo Stand-Up, estruturou um solo de comédia mais interativo, musical e com improvisos chamado “De Tudo Um Pouco”, com o qual viaja – desde setembro de 2009 – todo o Brasil, passando por diversas cidades. Lançou seu CD instrumental, autoral e violonístico “Elegia da Alma” em maio de 2011 (dessa vez, foram 5 mil cópias, eba!). Tem atuado em eventos corporativos e humorísticos como Mestre de Cerimônias e improvisador. Tem um programa de rádio na Metropolitana FM, depois de fazer o “Notícias que Gostaríamos de Dar” na Band FM (todos gostavam desse quadro, menos a Band FM). Pagou um mico por quase 2 anos na internet, fazendo o Programa do Loreno, seu alter-ego, que ocasionalmente o visita de novo. Tem feito alguns recitais de violão e algumas palestras universitárias. Vive cansado.

 

Em resumo, Rafael Cortez fez e ainda faz muita coisa. Mas o idiota não sabe, até hoje, fritar uma merda de um bife, dirigir uma droga de um carro, trocar um fusível ou fazer um de seus inúteis espermatozóides fecundar um óvulo – até pq a besta não namora, já que nenhuma mulher o atura por muito tempo.

 

É isso.      

 

 

 

 

 

  

Agora é seguir rumo aos 40!..

(foto de César Araújo, o Cesinha)

Por Rafael Cortez às 20h57

Breve repassada das 35 primaveras - Parte 01

 

Desde março não escrevo mais aqui. Foda, eu sei.

A culpa é da vida atribulada - e pôe atribulada nisso!

Do começo do ano pra cá, me enfiei em mil coisas que tomaram meu tempo como nunca. Por sorte e muito esforço, tudo tem andado bem – shows, CQC, eventos, o CD, audiolivro, etc. Um dos grandes “poréns” é: não sobra tempo pra escrever aqui... da mesma maneira que não sobra tempo para uma série de outras coisas que, ano após ano, viram metas para os anos posteriores.

Mas não tenho do que reclamar. Estou feliz. Feliz mesmo. E hoje é meu aniversário. Estou fazendo 35 anos e acho que posso dizer que vivi bem a primeira metade da minha vida (cismei que vou morrer com 70... quero que seja engano meu, que eu viva mais ainda e seja um grande parceiro do Viagra, mas cismei que com 70 a Danada me chama pra deitar). Sou um cara realizado em muitos aspectos, inconstante em outros, ansioso por muito mais... mas consciente que fiz alguma coisa por mim e pelo meu meio, pelos meus, pelo meu mundo.

Foi justamente por pensar na data de hoje, nesses sentimentalismos, por fazer esses retrospectos, etc, que me deu vontade de publicar o texto abaixo.

É o seguinte: recentemente participei de um curso de Palhaço em que o nosso professor pediu o seguinte exercício – que cada um escrevesse sua biografia de vida até o momento, apontando tudo que já fez e por onde passou... mas com um olhar de fora, em terceira pessoa, com o senso de humor aberto pra perceber os micos e fazer uma auto-avaliação mais leve da própria trajetória.

Escrevi o que eu fiz até hoje, mais com foco na vida profissional, e eu mesmo me surpreendi com passagens bizarras e me alegrei com memórias tão escondidas que voltaram... e fiquei satisfeito: acho que não to passando batido pela vida; acho que rolou de se divertir e produzir, muito, até hoje.

Em resumo, quero compartilhar com vcs o texto. E contar essa primeira parte da minha vida da maneira que me foi proposto: sem me levar a sério e esperando que vcs façam o mesmo.

Obrigado por tudo sempre e por tantas manifestações legais de todos no meu aniversário! Eba!

Um abraço,

Rafa Cortez – rumo aos 40!!   

 

  

Rafael Cortez - primeiros 35 anos

 

 

Nascido em 1976. Na infância, fazia desenhos para vender na vizinhança. Produziu, à mão, cerca de 85 histórias em quadrinhos, algumas com mais de uma centena de páginas, com personagens e enredos próprios. Se achava “o Maurício de Souza”, mas óbvio que não era. Foi o redator chefe do jornal infantil Gazeta do Aristides, entre os anos de 1988 e 1989. O jornal durou cerca de 8 exemplares. No segundo grau, adolescente, em meio a muitas crises pessoais, montou (e destruiu depois) cerca de 32 aeromodelos Revell, cujos modelos eram os mais variados e provenientes dos mais diversos locais.

 

Sua vida profissional começou mesmo com os freelas que realizou para grifes de roupas da moda. O primeiro deles foi um ensaio fotográfico para a Zoomp, onde atuou como auxiliar de produção e set, coordenado por Paulo Borges – o futuro “Sr. São Paulo Fashion Week”. Desse cara, tomou incontáveis broncas em apenas 2 dias de trabalho. A este job, seguiu-se mais um trabalho, produzindo jeans Wrangler para decorar vitrines promocionais de lojas da rede.

 

Depois, trabalhou na DKR Vídeo - do Jardim Europa e em Moema. Lá, era balconista. Odiava. Em seguida, desesperado por trabalho, aceitou o emprego na Documenta Atelier Serigráfico, onde lavava telas de silkscreen em um processo repleto de produtos químicos que o intoxicava. Foi nessa fase em que começou a dar aulas de violão, instrumento que começou a estudar em 1994. Foram seus alunos, até hoje: Os irmãos Yulica e Thierry, Baiano, o zelador de um prédio da vizinhança, um jovem playboy da Alameda Lorena, a irmã Thais, Ana Maria Straube e Ana Maria Barbour, uma garota que caiu de pára-quedas, Pedro, Gabriel, a amiga Simone Marra, uma jovem que comprou seu primeiro violão (ele se arrepende demais de ter vendido), a amiga da Thais (roqueira) e talvez outros mais.

 

Em 1996 trabalhou na biblioteca da UNIP, unidade Avenida Paulista. Em meio a isto, fazia a faculdade de Radio e TV da FAAP, cursando apenas o primeiro ano. Ao desencanto com o curso iniciado e abandonado, seguiu uma fase de intensa ida e volta em cursinhos. Já tinha sido aluno do Extensivo Objetivo em 1995. Voltou nos anos de 1997, 1998 e 1999, ora em cursos semi-intensivos, ora em intensivões. Prestou vestibulares diversos nesses anos todos: tentou entrar em Educação Artística, Música, Artes Cênicas, Publicidade, Jornalismo, Relações Públicas, Rádio e TV e Artes Plásticas. Mas só entrou mesmo na faculdade definitiva em 2000, quando ingressou no curso de Filosofia da PUC-SP e, um ano depois, transferiu sua matrícula para Jornalismo. Formou-se em 2004. Promete nunca mais pensar em prestar vestibular.

 

Em meio a essa fase de cursinhos e de respostas negativas em provas diversas, estudava muito violão e trabalhava em demasia. Em 1996 trabalhou no Teatro Tuca, como assistente da produtora Neusa Andrade, no Centro de Artes Cênicas do local. Ficou neste trabalho até meados de 1997, quando passou a produzir cursos (que já eram feitos simultaneamente ao Tuca) no Teatro Vento Forte, sempre com Neusa Andrade. Ralou muito com essa mulher, mas ela o ensinou 200 mil coisas. Entre 1997 e 1998, continuo com Neusa e fez bicos diversos como Assessor de Imprensa – e isso, na época em que se fazia assessoria via FAX!

 

Paralelo a isso tudo, trabalhou com o produtor teatral Luque Daltrozo, sendo auxiliar de produção do espetáculo O Carteiro e o Poeta, com Marcos Winter e Paulo Goulart. Depois, foi assistente de produção de Luque na peça Fausto, de Goeth, dirigida por Paulo Simões e encenada na FAU Maranhão. Claro que, dinheiro, que é bom, era o elemento mais raro dos trabalhos.

 

No ano de 1998 começou a trabalhar no Centro Cultural Santa Catarina, do então empresário e apresentador televisivo Evê Sobral. Foi assistente de palco em seis edições do programa Guerra é Guerra. O maior mico de sua vida. Rafael costuma matar quem lhe mostre imagens desses programas. Antes, trabalhou como cabo-man com a equipe de externas de lá. Seu primeiro salário lá foi uma lasanha. Sim, uma lasanha. Em seguida, passou a ser chefe de estúdio e produtor de quadros do programa, até estabilizar-se como Produtor Musical dos programas de auditório. Atuou em alguns quadros das produções da casa e deu uma de repórter em um ou outro trabalho interno (ele tem, em VHS, um vídeo em que interpreta um garoto possuído pelo demônio), além de produzir comerciais televisivos da rede.

 

Ainda em 1998 recebeu o convite para trabalhar novamente com a produtora Neusa Andrade, desta vez no Empório Cultural (ex-Piccollo). De assistente de produção, passou a coordenador do Centro de Artes Cênicas – trabalho que, assim como toda a empresa, diziam na época – parecia servir de lavagem de dinheiro dos patrões.

 

No final de 1998, foi para o galpão Nau de Ícaros – um espaço de um grupo consolidado de circo, que é forte até hoje. Lá, ficou até o final de 1999, onde produziu as festas Calamenguê, Ultreya e os espetáculos Quase Uma e Sob o Céu. Ainda em 1998, desistiu de vez da carreira de violonista erudito, após ser reprovado no vestibular de violão da UNESP (ele foi reprovado na bosta de Física e Matemática do vestibular; até que mandou bem nos testes específicos de Música). 

 

O ano de 1999 marcou sua volta para o Centro Cultural Santa Catarina, onde passou a trabalhar como produtor musical e de externas. Nessa época, ficou amigo das cantoras Joanna e Rosana. Foda. Em meados de 2000 voltou para o Galpão Nau de Ícaros, onde cuidou dos cursos lá existentes e ficou diretamente envolvido com a produção das festas Ultreyas, bem como a do espetáculo ÂnimaAção. Neste mesmo ano, ingressou na PUC-SP, onde fez um ano de Filosofia e quatro de Jornalismo, formando-se em 2004. Foi entre 2000 e 2001 que passou a tocar recorrentemente no Sarau do Charles, onde deve ter somado umas 15 apresentações. Tocou também em recitais da faculdade e em eventos e festas especiais – como na festa da ONG Santa Fé, no espaço zen da Vila Mariana e em Ultreyas e Renegados. Fazia essas apresentações em troca de ingressos VIP´s pros amigos e cerveja de graça.   (CONTINUA...)

 

  

 

Contando Clássicos, mico de 2005 no SESC Belenzinho, SP

 

Por Rafael Cortez às 20h50

Sobre o autor

Rafael Cortez, 33 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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