Blog do Rafael Cortez

12/11/2009

Breve tratado sobre Maria Bethânia

Hoje eu fiquei com vontade de falar sobre Maria Bethânia.

Há tempos que Bethânia é a grande cantora desse país. Ao menos no segmento puro da MPB, onde não taxamos o axé e o pagode como pertencentes a esse gênero (o que motiva ampla discussão, que podemos desenvolver um dia), Maria Bethânia é a grande voz feminina brasileira há, pelo menos, 04 décadas.

À medida que grandes divas como Maysa (na minha opinião, a melhor cantora que a música brasileira já teve), Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso e Elis Regina foram deixando esse mundo, acabou que não tem pra mais ninguém: hoje cabe a Bethânia o posto máximo, inabalável, de “Ella Fitzgerald brasileira”, como bem definiu a revista Bravo! em sua matéria de capa sobre a artista baiana.

Mas a que se deve esse reconhecimento máximo ligado a Bethânia?

Sem dúvida é uma soma de qualidades, excentricidades, magia e coerência de carreira. A história de Maria Bethânia é uma daquelas provas vivas de que artistas de bom-gosto sobrevivem às máximas ditatoriais dos mercados de trabalho e sistemas capitalistas burros e cegos.

Bethânia só perde em vendas de discos, no Brasil, para - pasmem! - a Xuxa. Mas a “Rainha dos Baixinhos” sempre trabalhou com um apelo de mídia fora do comum, de modo a tornar-se muito mais, ao longo da vida, um produto – não uma pessoa. Além disso, não se compara o apelo de Xuxa e seu público alvo: é a “moça bonita” da TV, fazendo “tchuqui-tchuqui” para as crianças... contra a mulher nordestina, séria, reservada, de nariz adunco e semblante misterioso.

No entanto, ainda que Bethânia tenha vendido discos de maneira espetacular ao longo de sua firme trajetória, isso não a impediu de transitar por muitas gravadoras; de ver discos espetaculares, idealizados com todo coração, ganharem divulgação e empenho zero por parte de seus vendedores; de ser trabalhada com pouco afinco e competência por terceiros e, por fim, de ser demitida de uma grande corporação de discos – ainda que tenha vendido milhares de cópias de “Álibi”, “Mel” e “As Canções que Vc Fez Pra Mim”, entre outros de seus LPs recordistas.

O que mantém Bethânia firme no cenário artístico nacional (e não só firme, mas divina) é seu enorme respeito pelo próprio trabalho; sua visão acertiva de conduta profissional; sua elegância ímpar na escolha do repertório e músicos; a adoção de diretores teatrais como convidados para “destrinchar” seus shows; sua grande coerência de discurso; a opção pela reserva à vida pública e a devoção às suas santidades, ídolos e guias diversos.

Maria Bethânia nunca saiu da mídia ao longo de toda a carreira. E, para mim, isso se deve bastante ao fato de que a mesma nunca fez questão de ter a mídia na sua vida. Hoje senhora, a cantora sempre teve, desde menina, um compromisso absoluto com sua arte; com suas vontades e desejos de artista. Como tal, nunca promoveu a vida pessoal e seu emaranhado delicioso de fofocas, jabás e oportunidades em troca de mais uns cinco minutinhos de fama. Não é ela que sai para jantar no Rio de Janeiro e avisa antes a revista de fofoca. Nunca foi de seu feitio abrir sua casa para a Revista X ou Y – aliás, Bethânia nem sai de casa. Que eu saiba, ela mora em um local privilegiado e ultra-discreto em São Conrado, no Rio, onde montou um lar que tem (segundo ela, no programa Ensaio, da TV Cultura, em 1992) “muita água, verde... e um ganso!” (do qual ela dizia morrer de medo). Em resumo, o que quero dizer é que Bethânia é uma daquelas raras figuras artísticas atuais que ainda vive pelo seu ideal de artista, e não porque ser artista rende grana, histórias, sexo, amores, oportunidades e poder. Ou seja, ela não está na causa da arte como uma BBB – graças a Deus!

Nós, espectadores atentos do comportamento das pessoas célebres, públicas e hiper-expostas desse país, nos acostumamos a esperar das mesmas toda aquela gama de coisas que elas sempre nos deram – e que justificam a venda demasiada de jornais e revistas “que não se espremem porque podem derramar”, como bem disse o Tom Zé na letra de “Made in Brazil”: não nos surpreendemos ao ver que fulano come a ciclana que, por sua vez, saiu para dançar com beltrana que, num descuido, deu para o cara W, Y ou Z que, animadinho com os cinco minutos de fama, apareceu nu na revista Blá, blá, blá... e por aí vai. É quase uma associação imediata: se vc é uma figura pública, que apareça muito! Que “dê uma causada”, que é sempre bom para ajudar a manter vc no ar... que fale bastante, faça umas merdas, circule por todo lugar, faça uma média desgraçada com o seu público, etc. Em resumo, hoje no Brasil, fica a fama como finalidade, e não como conseqüência.

Maria Bethânia ainda é uma daquelas artistas que, de acordo com o comportamento apresentado no parágrafo anterior, pode ser chamada de ultrapassada, chata, “crica”, difícil, bizarra. Mas é porque ela nunca teve a fama como finalidade... e acho que muito menos como conseqüência. O que norteou seus passos até hoje sempre foi o cantar, sua voz, sua arte e suas convicções e respeitos de artista. Talvez seja mais fácil, já que ela não sai nas festas e não conta com quem dorme ou dormiu, dizer que ela é estranha ou chata. Do mesmo modo que crucificam João Gilberto por sua resistência absoluta em compactuar com bobagens midiáticas ao se recusar em sair de seu apartamento no Leblon, Rio de Janeiro, ou dar entrevistas. Como resultado, obviamente, as posturas reservadas de ambos ajudam a alavancar ainda mais o mito que se cria em torno de seus nomes, bem como o interesse popular e a curiosidade e questionamento da imprensa.

Mas Bethânia é uma voz que não se explica! Falei tanto do comportamento, da coisa reservada, do quanto isso atiça ainda mais a nossa vontade de saber dela... mas o que creio que faz de Bethânia a Bethânia que as pessoas amam, ainda é, clara e cada vez mais bela, a sua voz. Uma voz com personalidade, que não se imita, que não se explica; um misto de rouquidão e veludo no timbre; um equilíbrio entre a extensão máxima da cantora radiante de teatro com a mais bela discípula da Bossa-Nova, intimista, ainda que a artista nunca tenha se declarado uma propagadora do segmento.

Eu sei, há alguma coisa de Memória Emotiva naquela voz, uma vez que muitos de nós crescemos embalados por ela. Mas quando Bethânia surgiu cantando o “Carcará”, em 1964 (descoberta, como sabemos, por Nara Leão), o que havia de referência em torno de seu canto? Que Memória Emotiva podia ser evocada para responder à afinidade que se criou, logo de cara, com o seu cantar? Era a voz no estado bruto, sem subterfúgios e sem nenhum facilitador. Veio com a Bethânia não só o timbre que impressiona e se destaca, mas a figura cênica, a intérprete; a grande dama de teatro a serviço da música.

Assistam ao vídeo de Bethânia cantando o Carcará no Opinião. Taí pra vcs. Notem que ela fala da fome e da situação do povo do Nordeste com a mesma propriedade com que fala do coração - quando faz de uma música chumbrega como “É o Amor” uma obra poética apaixonada e de bom-gosto. No vídeo da década de 60, vcs notam Bethânia mirando no olho de cada pessoa da platéia. Ela encara o público destemida; desafiadora. Conta uma história com o olhar e a canção poderosa, assim como usa as mãos para expressar o limite da paixão – junto, ainda, com a voz que vai do sussurro ao grito de alerta! – no show onde sorri para a audiência que a encara (e essa ainda quer entender de onde vem tanta força apresentada).

Por sua afinidade com o teatro, o que acho ultra-acertivo, podemos pensar que Bethânia é um grande atriz com uma grande voz. Mas na partitura corporal dos atores vemos um misto de técnica, entrega e verdade. E desmascaramos os maus atores quando os vemos com máscaras de dor e amor no lugar de SER a própria dor e o próprio amor. Todo ator usa técnicas para convencer os outros de que vive isso ou aquilo, ou que É isso ou aquilo que mostra. Mas todo ator mostra, em algum momento, que é ou era uma atuação.

Mas, e no caso de Maria Bethânia? Eu não vejo uma atriz porque saberia identificar o momento em que acaba seu ato. É essa a sua magia. O show não finaliza com ela; não há o momento de “desarmar e desmontar o personagem”. Acho mesmo que ela vive as coisas todas que canta – por isso sua escolha por tudo que possa soar como verdadeiro em sua voz. Por isso a escolha pelo amor e devoção religiosa em seu cantar, bem como a alegria de ser amada, a agonia de ser traída, a percepção de que uma fase acaba, e assim por diante. Bem, se Bethânia é tudo aquilo que canta, passo a achá-la ainda mais interessante!

Mais, ainda: tem alguma coisa divinal naquela mulher. Alguma força santa, algum mistério. Que figura forte, que aura, que magnetismo! Isso não é muito desse mundo e não se explica. Acreditem vcs ou não nas coisas mágicas e espirituais dessa terra, saibam que alguns mistérios do planeta estão guardados na figura pequenina de Bethânia... uma mulher que tem pouca estatura mas parece uma gigante em cima do palco! O que explica isso?   

Tive o privilégio de fazer a cobertura, pelo CQC, de seu show. Como fã, me veio uma responsabilidade enorme: meu humor e minha abordagem não podem desrespeitar o que ela representa para mim, muito menos eu posso me desrespeitar como admirador de seu trabalho. Pensei muito em como fazer uma matéria que ela, caso veja TV às segundas ou goste de fuçar no Youtube, goste também. E acho que conseguimos – digo “conseguimos” porque a matéria é do produtor, do câmera, do editor, sonoplasta, artista gráfico e diretor do CQC também. E a gente tava em sintonia, inclusive com o Tas e a bancada na apresentação da cobertura, no ideal de fazer uma matéria divertida, mas respeitosa.

A Bethânia já tinha avisado, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não receberia nenhum jornalista no camarim após o show - ainda mais por se tratar de data de estréia da temporada, e mais ainda por ela estar exausta! Insistimos muito. No CQC, escalaram-me para a matéria por saberem que sou fã. Talvez isso comovesse a ídola. Expus minha condição de admirador à equipe do show, pedi por favor, pelo amor de Deus, tudo por uma entrevista com ela... e, caso rolasse, eu só tinha coisas legais para falar com Bethânia; coisas que sei que ela riria junto comigo. Rir das coisas, Bethânia, ou de mim... não de vc. É basicamente assim que procuro fazer minhas abordagens cômicas de um modo geral, na vida.

Não teve jeito. A Abelha-Rainha não quis mesmo dar entrevista. Mas topou me receber em seu camarim, naquela loucura toda, para um beijinho e um alô... o que rendeu o autógrafo no disco, que bem encerrou a matéria.

Quando eu estava com a Maria Bethânia na minha frente, falando com ela, pela primeira vez na vida, ainda que ela não tenha (talvez) dado muito atenção (devido ao cansaço... assédio...), ou sequer lembre de mim ou recorde da situação, eu disse a ela algo que acredito de verdade: que há uma frase de uma canção de Sueli Costa e Abel Silva, “Rosa do Viver”, que Bethânia gravou em 1981 no lindo disco “Alteza”, que é, para mim, uma filosofia de vida. É essa:

“Vencer na vida é amar. Cantar a vida é viver”.

E, para mim, ninguém cantou a vida melhor que Maria Bethânia.

Um abraço!

Rafa

Taí o vídeo da Bethânia cantando Caracará, com apenas 18 anos...

 

... e a matéria que fiz pelo CQC.

Por Rafael Cortez às 02h08

11/11/2009

Senac, dia 16-11: tamos aí!

Rafael Cortez e Alexandre Bessa analisam força das mídias sociais no jornalismo e na publicidade

No dia 16/11/2009, o Centro Universitário Senac promove a palestra Jornalismo e Publicidade: Além do Blog, Twitter e Facebook. Por Trás de Tudo Isso, o que Terá?

A proposta da atividade é debater as tendências do jornalismo e da publicidade e as novas formas de comunicação com o público adotadas por empresas e meios de comunicação.

Os convidados para o bate-papo são o jornalista e repórter do programa de TV CQC Rafael Cortez e o publicitário Alexandre Bessa. Entre outros temas, eles comentam suas experiências e procuram demonstrar que as possibilidades de contato entre as pessoas são infinitas, cada dia mais inovadoras, e acontecem nas grandes corporações e nos milhares de nichos do mercado.

A palestra vai ao encontro dos cursos de Bacharelado em Comunicação Social - habilitação em Jornalismo e de Bacharelado em Comunicação Social - habilitação em Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Senac, que abordam temas como mídias digitais, comunicação interativa e construção de marcas responsáveis. Tudo isso em um ambiente produtivo e adequado às experimentações necessárias para quem atua com mídias comunicativas.

Rafael Cortez – É ator, palhaço, músico e jornalista. Trabalha como repórter no programa de TV Custe o Que Custar (CQC), da Band. É idealizador, roteirista e apresentador do quadro cômico Notícias que Gostaríamos de Dar, transmitido diariamente pela rádio Band FM. Trabalhou em agências de assessorias de imprensa e foi colaborador de Veja São Paulo. Esteve por quase cinco anos na empresa Abril Digital, onde desenvolveu conteúdos jornalísticos para celular. Ganhou o 32º Prêmio Abril de Jornalismo em 2007 na categoria Conteúdo para Celular. Em dezembro de 2008, recebeu o 2º Prêmio Quem de Melhor Jornalista de TV.

Alexandre Regattieri Bessa – Publicitário, é gerente de produtos do Yahoo para a América Latina. É apaixonado por comportamento do consumidor, valores de marca (brand equity) e por mídias sociais. Estuda economia internacional. Graduou-se em comunicação social e em tecnologia. Já planejou e executou campanhas para marcas como Skol, Itaú, Coca-Cola, America-Móvil e Electrolux. Acredita em convergência de mídias, um novo modelo de diálogo participativo entre consumidores e entre consumidores e marcas que transita nas diversas mídias, fazendo conexões e reforçando as mensagens da marca.

O evento é gratuito. Para se inscrever, clique aqui.

Para conhecer o Bacharelado em Comunicação Social - habilitação em Jornalismo, clique aqui.

Para conhecer o Bacharelado em Comunicação Social - habilitação em Publicidade e Propaganda, clique aqui.

Palestra Jornalismo e Publicidade: Além do Blog, Twitter e Facebook
Dia 16/11, das 15 às 17 horas

Participação gratuita

Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro

Av. Eng. Eusébio Stevaux, 823 – Santo Amaro – São Paulo – SP
Tel.: (11) 5682-7300 – E-mail:
campussantoamaro@sp.senac.br

 

Por Rafael Cortez às 14h03

10/11/2009

Poema aos que motivaram o crime

Ó Apple, internacional e imponente:

Obrigado por deixar-me impotente

ante a tua tecnologia tão latente

que me faz - agora e sempre

gritar com esse aparelho morto em minha frente!

 

Obrigado - pelo Iphone, que é só modernidade

- Pelas mil horas sem sinal, problemas mil de mobilidade

com suas travas insistentes e bateria pela metade

- Pelo manual de instruções, de uma total inutilidade

- Por me deixar tão furioso com essa droga de novidade!

 

Apple, poderosa e ímpar, paladina dos novos tempos

Pq vc fez do Iphone essa soma de excrementos?

Pq ele custa caro, coisa de sei lá quantos quinhentos?

Pq ele é essa droga, que faz da gente uns desgracentos?

... odiei tanto o meu, que agora, eu... o vejo a voar pelos ventos!  

 

Ó Apple japonesa, americana, de procedência que não sei mais:

leve esse Iphone de meia-tigela! Devolva meu aparelho dos Neanderthais!

Tragam de volta o meu fone de discar e o tijolão dos celulares iniciais!

Implodam essa coisa tecnológica, Iphone de uma ova – faz de nós seres bestiais...

A mim, indenizem! Façam com que as feridas cicatrizem... desses dias de muitos ‘ais’!   

 

E, por fim, percebam - atentos e quietinhos:

que bonito que é quando o Iphone acaba!

Quebrado em mil pedacinhos

destroçado por uma mente perturbada...

(in memorian - Iphone 3G de Rafael Cortez – * 22-09-2008 - +10-11-2009)

Por Rafael Cortez às 15h17

30/10/2009

Breve tratado sobre a covardia e a mulher

Vi agora o polêmico vídeo da aluna da UNIBAN – o que mostra uma centena de estudantes acuando e hostilizando uma jovem que foi assistir a uma aula em um campus da Universidade... vestindo uma roupa vermelha e curta.

A histeria coletiva, a que tomou conta de tudo, como se bem vê nas imagens, falou mais alto. Começou motivada por um ou outro covarde preconceituoso e, como era de se esperar em atos covardes, encontrou na comodidade do anonimato de quem só tem força no meio da multidão, uma forma de se propagar estupidamente.

As massas são cegas, já sabemos. É no meio da galera que se esconde o cara que joga uma pedra no outro dentro de um estádio de futebol lotado. Camuflados entre os comparsas, agem os mais fracos - os que intimidam só pq se apegam ao bando para serem homens de verdade. É na comodidade das milhares de pessoas virtuais anônimas, e acobertadas por outras do mesmo tipo, que molestam os pedófilos, atacam os inquisitores e “cagam-regra” os mais fracos; os bundões de verdade. Que as massas são cegas, nós já sabemos. A discussão agora é: até que ponto elas podem ser tão cruéis?

O que mais me chamou a atenção no episódio da “aluna-puta” (como o caso já se tornou maldosamente conhecido - e só essa definição já dá pano pra manga!), foi o fato de tudo ter se passado no campus de uma Universidade que me recebeu tão bem, e com tanta alegria e carinho, ainda esse ano numa palestra. Fiquei impressionado ao perceber como uma mesma turma boa e receptiva pode ser agressiva e cruel. Como lógicas preconceituosas e machistas imperam nesse mundo, nesse país!

Um ponto importante. Já chegaram a me questionar no Twitter hj, inclusive. Puxa, que coisa, não? Mas ela estava vestindo uma roupa vermelha curtinha; parecia uma puta. Bem, ela mereceu, não?

O que é isso agora? As pessoas vão ser julgadas até qdo pelo que vestem? E, no mais, se essa garota – que nem conheço e jamais poderia julgar – for isso ou aquilo da vida, quem está em condições de ser juiz e dar um veredicto de intimidação e violência como aquele, compartilhado com todos no Youtube?

O mais maluco para mim é: se isso tivesse ocorrido em qualquer outro lugar, já seria um tanto lamentável. Aliás, essa é uma daquelas coisas que achamos que só rola no Oriente Médio. Tem pinta de ser algo que estamos – infelizmente – nos acostumando a ler, em pleno século XXI, como parte do show de horrores a que estão sujeitas algumas mulheres: elas são violentadas, apedrejadas, mutiladas, espancadas e mortas por atos tidos como libidinosos e profanos... mas que não passam de deturpações patológicas de mentes machistas idiotas.

O horror total é constatar que a bizarrice que está no Youtube aconteceu no campus de uma Universidade privada – justamente em um local onde, esperamos, as pessoas desenvolvam ainda mais o senso crítico, o sentido de justiça e o aprimoramento do caráter e dos melhores valores humanos.

Violência contra a mulher. Machismo, julgamentos levianos. O homem que pratica qualquer uma dessas coisas é um babaca; um imbecil. Não merece um pingo de compreensão, um olhar de um cara de bem sequer. Como castigo, não merece nunca nenhuma mulher – e ficar sem mulher é o pior dos castigos! Caras bizarros que não sabem respeitar e amar uma mulher precisam de terapia intensiva e isolamento da sociedade. E ganham meu desprezo.

Mas sentimentos e comportamentos nocivos ligados às mulheres, às vezes, não partem única e exclusivamente dos homens. No vídeo da moça da Uniban, notamos uma série de garotas puxando o coro de ofensas. Há depoimentos (que não posso dizer se são ou não verdadeiros, pois não apurei o caso) de jovens que juram que foram algumas mulheres que começaram a polemizar.

O que quero dizer é que a violência e a maldade - de todo tipo - com a mulher deve, e urgentemente!, ser revista por todo mundo. Inclusive pelas mulheres.

Lembro de ter visto uma coisa muito séria acontecer com uma amiga minha, anos atrás. Ela conseguiu um lugar que muita gente queria – eles e elas. Num local público, cheio de exposição, com todo mundo acompanhando. A Jú (nome fictício) fez a parte que lhe cabia; se empenhou e era competente. Como era de se esperar, foi bem criticada. Mas essa crítica se deu dessa maneira: dos homens à sua volta, ela recebeu questionamentos acerca da beleza e do talento. Das mulheres, recebeu os feedbacks mais duros e os piores xingamentos. Para elas, ela era uma puta, pois certamente teria dado para algum chefe. Só assim para estar ali. A pressão foi tanta que ela desistiu - mas desistiu mais por conta da pressão das mulheres do que por conta da pressão masculina.

Sei a que são submetidas as mulheres na nossa sociedade. Sei da luta, competência, coragem e garra das nossas mães, namoradas, amigas e esposas. Acho a mulher a coisa mais linda do Universo. E é por isso que a amo tanto e sempre fui tão mulherengo. Não namoro muito até hj pq preferi conhecer mais e mais tipos de garotas; ter mais e mais contatos e aprendizados com elas. Sempre achei, e continuo achando, que se o Brasil tivesse uma mulher na Presidência, esse país iria ser uma potência e tanto! As mulheres, indiscutivelmente, trabalham melhor e pensam melhor. As mulheres, indiscutivelmente, são mais maduras e melhores do que os homens. Afinal, os homens não são regidos pela mente e por tudo que a cabeça assimila ao longo da vida. Os homens são regidos pelo pau.

No entanto, em algumas coisas as mulheres são muito machistas. Ao competirem umas com as outras, podem ser mais sexistas do que nós. Entram em jogo guerras de vaidades, julgamentos e penas dolorosas. Na relação afetiva, muitas vezes, as mulheres conseguem ser bem machistas tbm. Tantas vezes lamentei (tímido para essas coisas, como sempre fui), que tudo no campo sentimental tivesse de partir de novo de mim, de mim e de mim! E quantas vezes ouvi de garotas, antes e depois de um primeiro beijo ou uma primeira transa, que a coisa só não tinha rolado antes pq eu não tinha tomado a iniciativa... e pq eu, como homem, sempre tenho de dar o primeiro passo? Pq, como homem, sou eu sempre que tenho que conquistar, convidar, ir atrás... e não ser tomado de assalto por uma mulher cheia de iniciativa? Do mesmo modo, pq o feminismo é tão acertivo em discutir a igualdade nos mercados de trabalho (algo que tem meu total apoio e nem questiono)... mas é tão retraído na hora de dividir uma conta no restaurante? Quando a fatura chega na mesa, o senso comum ainda pede que seja o homem o responsável pelo acerto do valor cobrado. O senso comum que, inclusive, é muito defendido pelas... mulheres!

Antes que esse texto seja debatido com unhas e dentes por aqui - e antes mesmo que muitas mulheres se defendam, se ofendam, ou possam me acusar - quero reiterar uma coisa já escrita anteriormente: não estou contra vcs, mulheres. Reafirmo meu amor e minha solidariedade; minha devoção, idolatria, confiança e fidelidade. Sei tbm que nem tudo que disse aqui se aplica a todo mundo - quem me conhece sabe que não gosto de rotular e nunca acreditei no tal do senso-comum.

Aqui vai uma dica: absorvam desse texto apenas o que lhes serve. E perguntem-se: quantas vezes vcs não pensaram em si mesmas como vítimas do sistema, ao mesmo tempo em que foram implacáveis - como as garotas cruéis da Uniban - ao associar uma outra mulher à figura de puta... só por esta ter usado um vestido curto e vermelho em um lugar público???

Um abraço!

Rafa

P.S – Leiam também o excelente texto que o Oscar Filho escreveu sobre esse mesmo episódio da Uniban. Aproveitem, e deleitem-se com outras coisas muito boas dele – o blog do Oscar é bom pacaz! http://blogoscarfilho.zip.net/                                

Por Rafael Cortez às 20h56

27/10/2009

Primeiro alô dos 33 anos...

To aqui, pessoal.

 

Um ano mais velho; idade de Cristo. E certo de que, daqui aos 40, é só um passo.

 

Passou tão rápido até agora... mais de três décadas. Mas eu cheguei muito orgulhoso até aqui. E sou muito mais grato a tudo de bom que tive do que magoado com o que (ou quem) me feriu.

 

Recebi tantas, mas tantas demonstrações de carinho no meu aniversário... das mais públicas às mais íntimas.

 

Teve o tradicional e aguardadíssimo telefone da mãe logo cedo. O presente carinhoso - seguido da carta singela e já guardada na caixa das melhores recordações - da Thata... o telefonema, quase no final do segundo tempo, do Léo (e ai dele se não liga!), o pai que é pura ternura, a avó que manda a bênção, os amigos de longa data que disputam o posto de “primeiro parabéns do ano”, a amiga-macaquinha que liga 4 vezes para desejar felicidades, o parceirão de trabalho que, mal termina o show, já dá um sinal... e a companhia agradabilíssima da garota linda que cuidou de mim como só ela sabe no Rio.

 

No entanto, comovente como sempre, o grande destaque vai para o alô sincero de internautas amigos; vai para os vídeos de meninas carinhosas; os votos de felicidade de gente que não me conhece pessoalmente... mas que gosta de mim com entusiasmo e determinação! E que delícia que foi receber tanta coisa boa de tanta gente bacana como vcs.

 

Obrigado, de verdade.

 

Termino esse texto de felicidade e agradecimento dizendo que ando bem entusiasmado. O ano ta acabando, e em breve vou me aproximar mais ainda de vcs. Propus neste blog que tenhamos mais relacionamentos reais do que virtuais. E é pensando nisso que me aliei mais ainda ao Ítalo Gusso, meu amigo e parceirão de trabalho, para rodarmos parte desse país nas férias do CQC. Vou levar meu modesto solo de comédia para diversas cidades entre janeiro e fevereiro. Não vejo a hora disto acontecer – e logo! Aguardem a divulgação das datas e destinos...

 

Um abraço carinhoso

 

Rafa Cortez      

 

 

Carinhoso video das minhas meninas - Las Cortezas. Olha o que elas fizeram para mim!

Por Rafael Cortez às 18h28

22/10/2009

Continuando a semana sentimental... - Parte 2

Eu tinha dúvida se uma namorada que eu amava muito realmente me curtia. Escrevi esse Soneto um dia para me convencer que SIM.

 

Ela te gosta

(Rafael Cortez) - 12/04/04

 

De um telefonema, nasce um novo jeito

E a vida se ajeita em uma nova condição

De uma condição nova no peito

O peito se acostuma a rever sua situação

 

De uma situação acostumada

Onde convinha dada direção

Passa a ser reescrita a forma errada

- agora o mocinho se torna o vilão!

 

No mundo obscuro, alguém sabe a resposta

Ela virá no seu futuro, talvez num sussurro:

"Ela te gosta"!

 

No final de 2004, trabalhei como Assessor Parlamentar de uma vereadora aqui de São Paulo. Ela era legal e tinha ótimos projetos – é minha amiga até hoje. Mas eu DETESTAVA trabalhar na Câmara Municipal... e minha patroa volta e meia surtava. No auge do meu esgotamento emocional, escrevi a ela esse poema. Obviamente, nunca lhe entreguei. É bobo, mas o acho divertido.

 

Projeto à vereadora

(Rafael Cortez) – 02-10-2004

 

Minha nobre vereadora:

Neste ofício improvisado

Venho dividir o que se aflora

- o meu olhar muito cansado,

o desgaste sem limite

onde ele, acredite

já não vem de hoje e agora

(e só piora com a senhora) –

É que a vida está pesada

E não há nada que a habilite

Eu quase nunca gosto de nada

E é capaz que eu tenha um chilique!

Se a senhora permite aparte,

Minha nobre parlamentar

Proponho-te logo um debate :

Onde isso aqui pode parar?

Pensando no ofício que exerce

Este teu jovem assessor

- que de política pouco conhece

e trabalha muito por pouco valor

Eu lhe peço, considere

O pedido que lhe faço agora :

Vereadora, me exonere!!!!

Pois eu quero ir embora.

 

Por hoje é só. Amanhã tem mais!

 

Um abraço

 

Rafa

Por Rafael Cortez às 23h37

Continuando a semana sentimental... - Parte 1

Ainda dentro da semana de reminiscências e sentimentalismos baratos por conta do meu aniversário de 33 anos que chega dia 25, segue mais um capítulo da minha empreitada interior.

Hoje resolvi fazer algo diferente; algo que pode alegrar os leitores mais entusiasmados desse blog e algumas pessoas que sempre me pediam isso: vou dividir com vcs alguns dos meus poemas. 

De fato, tenho centenas de poemas aqui em casa - todos de 2002 para cá. Recentemente, parei mesmo de compor músicas e escrever poesias com intensidade. Ainda acho que é pq ando muito feliz... e minha criação musical e poética fica mais verdadeira qdo estou triste. Vai entender, né?

Os poemas tristes que tenho aqui ainda são muito íntimos e deprês demais. Vou disponibilizar 04 dos mais leves – os menos atuais.

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Esse brinca com algo que todo mundo conhece e que tbm já me fisgou por uma época. Tá fácil descobrir do que eu falo.  

 

Vc mata quem te ama

 (Rafael Cortez - 25/01/2003)

 

Te tenho entre meu dedos

Te trago

Deposito em você os meus medos

Me estrago

 

Sou eu quem te sorve nas tardes

Em meio às noites repletas de tristeza

Mas é você quem me consome

Mostrando o lado homem:

Sempre às voltas com impureza

 

À medida que te chamo

E te faço viver e morrer nesta estranha chama

É você quem me elimina

Completa a sina -

Você mata quem te ama!

 

Não tem jeito, é assim mesmo

Quando te apago morro um pouco

Mas nos meus lábios te recebo sempre com um beijo...    

 

Esse outro me remete às experiências que tive como produtor de teatro e circo. Escrevi no intervalo de um Sarau de Palhaços na periferia da cidade de São Paulo.

 

Produtor (Rafael Cortez)

08/05/2004 - Jardim Macedônia, SP

 

Enquanto espero o espetáculo começar

Eu percebo que sou o único que não se diverte

A platéia deseja, afoita, se deliciar

O palhaço apresentador promete!

No camarim, um monte de gente conhecida

Que não diz nada hoje na minha vida  

Se maqueiam na perspectiva de uma grande festa

O público espera

Que se cumpra a promessa

 

Crianças correm no meio dos fios que deixamos na técnica

Pulam sobre os refletores

Se divertem horrores!

Todo mundo espera uma grande festa

Os que chegam, aos poucos, vão tomando seus assentos

Famílias inteiras se aproximam

Homens, mulheres, meninas

Pais e seus rebentos

 

A trilha ainda é morna

Não tem cara de espetáculo

Mas daqui a pouco a coisa muda

Vem mais música!

Mas é música de palhaço

 

Nos pés da gente tem criança à beça

Sou eu quem peço para irem embora

- vão brincar lá fora    

enquanto esperam a festa!

Tem namorados no jardim; cheiro de pastel

A música continua alta demais para mim

E tem até estrela no céu

... mas o espetáculo da noite é a pauta

e não « será que sofre o Rafael? »

 

Ainda em meio ao monte de confete

Mesmo no meio de moleque, de tanto pivete

Não energizo com a platéia

Nunca exorcizo minha constante idéia

-  esse espetáculo não é meu!

e não era essa a sorte

no bonito dessa noite

que alguém me prometeu...

 

Os técnicos tomam seus lugares

O grande público aparece,

Quase sempre aos pares

Ei, som! 1, 2, 3, teste!

Daqui a pouco começa a festa

 

... essa noite promete!!

 

(CONTINUA...)

Por Rafael Cortez às 23h36

21/10/2009

Essas recordações me matam - parte 2 (ou Como o Violão Me Salvou)

 

Adolescência, fase terrível.

 

Tudo que parecia encantador e simples, como era na infância, se transformou em ansiedade e incerteza tão logo os meus 14 anos de idade foram completados.

 

Veio uma pressão enorme por resultados e perspectivas. Todo um mundo pessoal e seguro começou a ruir por conta de problemas externos a mim, mas que me afetavam demais. Veio a necessidade de trabalhar urgentemente, e uma cobrança minha para comigo mesmo – era preciso não só trabalhar e ganhar grana, mas sim fazer tudo muito bem-feito e impactando a todos ao meu redor... culpa dos referenciais que criei para mim e dos ídolos que passei a endeusar. Eu precisava correr muito e conseguir logo as coisas aos 16, 17 anos. Afinal, se a Nara Leão já fazia sucesso no reduto Bossa-Nova com apenas 18 anos, e se o Segovia já era um prodígio do violão aos 14, eu precisava logo fazer a minha parte (como se todo mundo tivesse a obrigação de ter êxito e segurança de tudo que é e será na vida, ainda na adolescência. Esse é um dos erros mais comuns da nossa juventude).

 

Eu odiava a escola e simplesmente não fazia questão de falar com as pessoas. O Antonio, mais conhecido como Tchone, era meu melhor amigo. Nos intervalos, ficávamos debaixo das jaqueiras do Costa Manso fumando nossos cigarros. Fumávamos muito. Quem quisesse interagir conosco, que viesse até nós. Éramos isolados e esquisitos.

 

Nos finais de semana saíamos para beber no Clube do Chopp, alguma coisa assim, que ficava na esquina da Cidade Jardim com a Brigadeiro Faria Lima. Lembro de uma vez que tomamos umas e outras bem a mais, e tentamos sair sem pagar a conta. Descobrimos que a janela do banheiro, no piso superior, nos levava até uma laje... e, de lá de cima, poderíamos arriscar um salto até o estacionamento lateral. Desistimos da fuga pq a altura de 03 metros nos intimidou bastante – e devia ser foda correr dos seguranças com um pé quebrado...

 

O Tchone passava em casa, vez ou outra, com dois amigos que eu detestava. Eles eram muito “donos de si”, pegadores de muita mulher, e eu era tímido e inseguro. Não raro, os moleques contavam tanta vantagem que eu simplesmente desistia do que faríamos e inventava uma desculpa para voltar para casa. Uma vez, na odiosa festa de Carnaval a que fomos no Clube Pinheiros, um deles, o Pimenta, tentou me arranjar uma garota que eu, de cara, não curti. Ele foi até ela, a arrastou até mim, falou de como eu era assim e assado e, de uma hora para outra, me deu um chega-pra-lá e beijou a coitada. Isso não me fez mal por eu ter alguma vontade de ficar com ela – já disse que ela não me interessava. Mas achei que eu fui usado, e o Pimenta passou a ser um filha da puta no meu entendimento.

 

Não fosse a descoberta do violão na minha vida, minha adolescência teria sido potencialmente ruim. Por ser muito tímido e inseguro, eu não conseguia chegar nas garotas. Tinha tantos problemas pessoais que, às vezes, preferia passar o dia todo dormindo. Achava as pessoas massantes e tediosas. Meu mundo interior era mais legal, e eu preferia passar horas com os meus vinis da Nara e Bethânia do que com os outros.

 

Um dia, fui a uma festa na casa de uma amiga. Lá, tava todo mundo sentado ao redor de um cara chamado Denis. Ele cantava e tocava peças que eu já gostava, como João e Maria, do Chico, que descobri na voz da Nara. O fato de ver tantos jovens em torno de um violão que, vez ou outra, passava de mão em mão, me fez pensar que eu estava no apartamento da Narinha, em 1960, descobrindo a Bossa-Nova! Ou, mais sensatamente, que poderíamos fazer uma nova Bossa, criar um novo movimento, sei lá.

 

Fiquei muito impressionado com o potencial violonístico de agregar pessoas. As rodinhas musicais na casa dos amigos ficaram mais constantes, e um dia eu me dei conta: queria, desesperadamente, tocar violão.

 

Lembro que eu estava no banho e chamei meu irmão. Ele veio e eu lhe disse, ainda debaixo do chuveiro: eu vou comprar um violão e vou aprender a tocar. E é isso que eu quero fazer da minha vida. Ele, melhor amigo como sempre, me apoiou e deu a força que eu queria. Que bom que ele sempre soube incentivar minhas paixões na vida – sem a força dele, muitas coisas vitais que hoje eu sou e tenho, provavelmente não existiriam.

 

Comprei um Dell Vechio de madeira de compensado. O escolhi na loja pq era o instrumento mais bonito, apesar de não ser o melhor. Morro de saudades desse violão. Os trastes eram altos e a sonoridade deixava a desejar. Ele fez muito mal aos meus dedos porque era desregulado e duro de tocar, mas era lindo e foi o meu primeiro instrumento. Eu o vendi a uma aluna preguiçosa e desinteressada anos depois, por uma bagatela de 100 reais. Ela já deve ter jogado-o no lixo ou o deixou empenado e podre em qualquer canto da casa.

 

Eu estudava o tempo todo. Levava o violão para a DKR, a locadora em que trabalhava. Era uma locadora decadente, ninguém ia. Eu passava horas no balcão fazendo os acordes sozinho, copiando-os de revistinhas musicais. Qdo chegava algum cliente, eu fazia o máximo para que o chato se mandasse logo. O Décio, nosso chefe, obviamente não gostava muito disso.

 

Qdo chegava em casa, passava mais tempo ainda estudando. Por volta da meia-noite, minha mãe acordava brava com o som do instrumento e, não raro, eu continuava a maratona num quarto no fundo do quintal (apesar de detestar o local por conta das enormes baratas que ali apareciam). E assim seguia noite adentro. Tocava todos os dias, às vezes por 12 horas seguidas. Ficava com bolhas nos dedos, dor nos pulsos, costas fudidas. Até hoje tenho veias estouradas na coxa esquerda e no peito, de tanto que já pressionei o violão no meu corpo.

 

Como o estudo do violão popular autodidata me machucava muito, fui procurar a Ledice Fernandes como professora. Ela tinha muita paciência e era um monstro no instrumento. É até hoje. Mora na Alemanha, onde atingiu a maior graduação pensada no violão erudito. Em pouco tempo, entre as aulas com ela e o período de estudo solitário, eu já tinha um repertório de 50 músicas da MPB. Mas tocar nas rodinhas ainda era terrível, dada minha assombrosa insegurança.

 

Um dia fui visitar meus primos em Piracicaba. O João Paulo, quase da mesma idade que eu, estava estudando violão clássico. Ele tocou uma ou duas coisas para mim e eu pirei. Nunca tinha ouvido algo tão incrível e apaixonante. Voltei a São Paulo morrendo de inveja dele e comuniquei a Ledice: vamos parar com o popular e partir imediatamente para o violão clássico!

 

E foi uma loucura, uma delícia, um desafio, um tormento, uma realização, um ideal, um Karma, tudo isso e mais um pouco ao mesmo tempo. Mas encontrar o violão salvou minha adolescência.

 

Cena comum pós adolescência: estar entre dois amigos, mesmo que um seja hippye e o outro seja de madeira 

Por Rafael Cortez às 16h17

20/10/2009

Essas recordações me matam - parte 1

Seguindo ainda a idéia de dividir com vcs algumas coisas da minha vida pré-CQC – e um tanto comovido com reminiscências por estar às vésperas de mais um aniversário -, coloco aqui mais um texto meu. Esse eu escrevi agora, motivado pelas memórias do Ensino Fundamental.

Espero que vcs gostem! Amanhã tem mais.

Um abraço

Rafa   

 

Era todo mundo muito simples; quase pobres mesmo. De fato, alguns eram mesmo pobres. Muita criança morando com a mãe na casa das patroas, e a gente achando-as ricas por viver em casarões. Nós nem desconfiávamos que era no quarto dos fundos que elas dormiam com uma mulher viúva ou abandonada, marcada por queimaduras no fogão e cansada dos serviços de lavanderia.

Na escola, situada até hoje no Itaim Bibi (mas muito diferente do que era em 1985), nenhum de nós podia prever que o futuro de crianças como a gente seria ligado ao celular e ao computador em casa. A gente só tinha mesmo as ruas, que ainda eram calmas nos arredores da Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, e os grupos numerosos de amigos que faziam guerra de sementes de plantas - todas cuspidas por canudinhos tratados como zarabatanas.

Nas salas de aula, destoavam-se os alunos que, como eu, ainda tinham recursos para encapar seus cadernos com plásticos transparentes ou, melhor ainda, transportá-los em mochilas mais incrementadas como as minhas. Em um colégio estadual como aquele, a maior parte da turma queria mesmo era a Hora do Recreio: o momento ideal para comer canja e arroz doce de sobremesa ou, com muita sorte, ter a alegria de ver cachorro-quente (privilégio de uma vez no mês ou na semana, não lembro agora) ser servido entre os amigos orgulhosos da iguaria.

Com a barriga cheia no intervalo, começavam as incessantes correrias das brincadeiras no pátio: menina-pega-menino e polícia-pega-ladrão. Vez ou outra, um de nós (os menininhos tidos como playboyzinhos) sofria uma ameaça de algum grandalhão da oitava série – provavelmente um daqueles moleques que já sabiam o que era a violência por conhecê-la bem de perto, em casa. Nesses momentos de intimidação, eram as garotas – histéricas e numerosas, e bem mais corajosas do que nós, os bundões – que nos livravam a pele. E, passado tanto tempo, eu me pergunto: pq alguns daqueles meninos maus da minha infância tiveram de morrer tão cedo ou permanecer, até hoje, trancados em celas apertadas?     

As paqueras rolavam inocentes, como sempre deveriam ser nessa idade. A Célia era a menina mais bonita da minha sala, e eu e ela só nos olhávamos e sorríamos. Uma vez ela me deixou colocar a capa rosa no seu caderno; em outra, me deu um abraço no final do esconde-esconde, na hora do piques. Eu quase morri de emoção. O Legião Urbana lançou “Índios”, e o tecladinho bonito da canção me fazia pensar nela.

A Rua Aspásia, onde ela morava (vizinha do Fábio, nosso amigo malucão) foi devorada pela metade por uma nova Avenida Brigadeiro Faria Lima. A Célia se mudou e eu nunca mais a vi. Imagino que ela deve ter filhos e torço para que ela seja feliz e tenha se lembrado de mim ao ver TV.

A Tia Rosa era a professora. Morreu há alguns anos. Gostava demais da gente, e eu nunca esqueci do dia em que voltamos do recreio e a encontramos com lágrimas nos olhos dentro da habitual sala de aula. Intensos como éramos, perguntamos aflitos quem tinha morrido, se a culpa era nossa, essas coisas. E ela se justificou dizendo que nos observara durante as brincadeiras no pátio e percebera que estávamos crescendo muito rápido. E todos nós perguntamos, ao mesmo tempo e excitadíssimos, se eu estava crescendo também, e eu, e eu tô?, e eu, e eu tbm? e eu, tia? Mas nenhuma criança parecia mais angustiada com uma resposta positiva da professora do que eu. No auge dos meus 07, 08 anos de idade, eu queria muito saber que estava grande, que já seria adulto, que eu e meu pai conversaríamos de igual para igual... e pra quê, meu Deus? Pq ninguém explica as coisas direito às crianças?

No final da oitava série, quando eu já tinha um metro e sessenta e me encarava como “um dos grandões”, a Kátia Barros e eu ganhamos o concurso de “Casal Simpatia” do Aristides de Castro. Ela mereceu o prêmio pq era linda mesmo, e eu morria de vontade de namorá-la... apesar de morrer de vontade de namorar a Kelly tbm (que teve uma filha linda recentemente). Eu fui muito beneficiado por ter criado e produzido os sete exemplares do nosso jornalzinho da escola, ao lado dos meus amigos, sem desconfiar em nada que seria Jornalista de verdade um dia. Eu era popular e intensamente feliz.

No final de 1991, todos nós nos despedimos daquela escola. Uns se foram para nunca mais voltar; outros seguiram comigo para o Segundo Grau (Ensino Médio) no Costa Manso, ali do lado. Daquela turma, muitas das meninas viraram mães e esposas. Muitos dos meninos foram trabalhar onde estão até agora, em empresas, escritórios e pequenos negócios. Alguns morreram, e os professores já se foram faz tempo (exceto a Marilena, da aula de Português, que me parece que virou diretora). A Andréa Bispo sumiu e voltou ano passado, para me dizer que continua a guerreira que era. A Lívia tem seus meninos e se orgulha de colocar suas fotos no orkut. O Marcelo casou com um cara e assumiu o que a gente já desconfiava naquele tempo. A mãe dele, que me deu tanto sanduíche gostoso de mortadela, me assistiu orgulhosa no CQC até uma semana antes de morrer. O Waldir é que não deixou rastro nenhum. O Ivan Raposo me escreve sempre no Twitter e no Orkut, e sei que ele está bem. O Marciano é uma figura doce e incrível até hoje, e eu me arrependo muito de ter zombado tanto de seu peso quando eu era cruel como só algumas crianças sabem ser.  

Mas o mais importante é que passei na frente da escola semana retrasada e vi: ainda existem crianças cuspindo sementes de árvores com canudinhos, como zarabatanas.

 

a turma em 1988: tá fácil me identificar...

Por Rafael Cortez às 14h31

19/10/2009

Gênese do sofrimento

Agora que estou a poucos dias de completar 33 anos, dei uma revirada nesse computador e achei algumas coisas do meu passado pré-CQC... onde eu estava mais na batalha do teatro e na ralação do Jornalismo e Música de guerrilha, sem as comodidades de uma mídia boa como a de agora.

De hj até meu aniversário, espero dividir alguns textos, fotos e curiosidades que possam acrescentar alguma coisa na nossa relação... como esse conto abaixo.

 

Um abraço!

 

Rafa Cortez

Depoimento da velha bruxa (onde se explica o nascimento de sua dor)

 

texto escrito por mim em novembro de 2005, como proposta de gênese da Bruxa Malvada da Oeste, minha personagem na peça "O Mágico de Óz", da Cia. 4 na Trilha.

 

Até quem me conhece desconhece a que me refiro. Do que eu falo agora, que me fere como pode. Pois saibam - nessa hora, se vem de mim o que prefiro – revelo então agora o que me mata e o que me move. 

Pode ser fácil me julgar sem ter ciência do meu passado. Desconhecendo minha história, nada melhor do que abusar dos estereótipos para me classificar. É muito cômodo rotular-me caricaturalmente, de maneira cruel e alienada ao que eu já vivi. É muito fácil desconhecer que um dia eu também amei.

Nunca revelei a ninguém o episódio que descrevo agora. Peço desculpas antecipadas se minha redação for alterada com o percurso da dor. Acostumei-me a enterrar dentro de mim essas recordações cruéis de outrora. Entristeço facilmente quando penso em meu passado de amor.

Vivíamos em estado de graça, sempre. Envolvidos em uma estrutura de carinho e graça, eu, meus pais – trabalhadores de raça – e meu pequeno Théo. Irmão mais novo, lindo, sempre adorado por todos. Gracioso como poucos, menino, puro, criança. No percurso de minhas lágrimas eu o trago à lembrança.

Na fazenda em que vivíamos e onde aprendíamos com a vida, brincávamos o tempo todo. Eu, na qualidade de irmã mais velha, cinco anos de diferença, levava meu pequeno anjo pelas porteiras de nossas terras, a rolar as ribanceiras e comer frutas do pé. Como pequenos iludidos que éramos, tínhamos nas flores, pássaros e na terra vermelha os nossos brinquedos mais sinceros. Eram nossos confidentes, anjos da guarda e amigos mais velhos. Era da nossa meninice que montávamos nossos castelos.

Brejeiros, como sempre, subíamos em árvores, caçávamos passarinhos e nadávamos nus nos rios. Sem pecado, imunes ao mundo externo, dos homens corrompidos, dos vestígios do veneno, e do mal tão incontido. Théo, com seus cabelos de cachinhos, era sim meu passarinho – dos amigos, o mais fiel.

Nossos pais, guerreiros da lavoura, predestinados à labuta, eternamente, faziam da enxada e arado o parceiro confidente. Saiam bem cedo, voltavam tão tarde, confiando na gente. Nos cestos que saiam vazios, traziam as roupas de frio, o pão e o leite.

Em meio aos meus ofícios de criança, comprometido com as muitas brincadeiras e as faces da infância, ensinava ao meu anjinho-irmão as muitas coisas do mundo. Falava dos bichos, das plantas como crescem, do mundo sem vícios e do viço que a criança tece. De como as formigas são fortes na luta diária de suas vidas e como o mel pode ser doce quando provado com quem gosta. De como as águas do rio são frias, como as tardes tem magia e que bela amizade era a nossa. O sabor das maçãs que comíamos do alto das árvores era mais doce porque selava o amor de irmãos. A lama ganhava forma de o que quer que fosse, através das nossas mãos.

Não raro voltávamos tarde para casa, com os pais trabalhadores já aflitos à nossa espera. E, no entanto, tudo eram abraços e beijos à nossa volta quando despontávamos na serra: chegávamos, nós dois, sujos inteiros, brincando com bichos, sorrisos bem quistos e com muita esperança. Nossos pais esqueciam o tom aflito ao notar, satisfeitos, que éramos crianças.

Toda noite, antes mesmo do sono aguardado e da cama posta, jantávamos alegremente. Théo ia lindo ao meu colo de irmão e amigo, ouvir histórias que – se é que consigo – poderia lembrar como as nossas. Prostrados em nossos cantinhos em volta do braseiro, tínhamos, aos nossos pés, a magia de um mundo inteiro. As chamas que saltavam daquele fogo que nos aquecia eram pequenas, se comparada ao grande amor que nos unia. Com os olhos lindos e iluminados, criança faceira que era, meu irmão ouvia histórias de bruxas, de fadas, princesas, de muitas belezas, de alguma outra era, advindas de um livro que nos dava abrigo. E, com destreza e inteligência, ele absorvia o que eu lia e me escutava atento. Por vezes me abraçava tão forte, com medo do mal. Eu tinha a sorte de senti-lo por dentro. Adormecia em meu colo, seguro em seu mundo ideal.         

 Quantas foram as tardes em que adornava Théo, com seus lindos cachinhos dourados na cabeça, em laços de fitas e em puras vestes de cetim. Pegava os retalhos de minha mãe, que sorria, em notar como o amava e queria no modo que o vestia. Iluminado com roupas de fada, era ele mesmo o meu pequeno brinquedo de porcelana: Théo, aquele a quem sempre se ama. Vestido de anjo barroco caído do céu. Penteava-lhe as madeixas que – até hoje, acho – não eram cachos, mas favos de mel. 

Uma tarde, com os pais fora na lavoura e minha cabeça ainda em nuvens, levava a vida, como em outros dias. Minha mãe deixara, como sempre, a atribuição que me cabia. Deixou, mais uma vez, suas muitas recomendações: de cuidado com meu irmão, de atenção com a casa e os pertences, de cuidar da gente, como era de praxe. Nunca a decepcionava em nada e - mesmo com a nossa molecada – ela não tinha razão de preocupar-se.

Théo queria uma história, que eu o apresentasse a mais uma narrativa. Não queria naquele momento da tarde sair da minha própria vida: estava entretido com um novo amigo, um pequeno cachorrinho, que surgiu na fazenda do nada. Théo tinha medo do cão, apesar de ambos serem tão pequenos e de não haver risco, ao menos, de qualquer um fazer mal ao outro. Com ciúmes do meu amigo, meu anjo fez de tudo pela minha atenção. Mas ele estava chato e saí porta afora a brincar com o cão. Foi esse ato de criança impulsiva que marcou, por toda vida, o que levo no peito, como imensa punição.

Entristecido comigo, por lhe negar uma fábula, meu menino Théo, vestido com fitas, laços e cetins, aproximou-se do braseiro onde repousava nosso livro de fadas. Como parte da encenação mais trágica da minha sina, lhe saltou, tão quente e fina, uma brasa advinda do fogão. Tocou cruel suas vestes de anjo e em breve lambeu o seu corpo, sem que eu sequer suspeitasse.

Enquanto eu rolava na relva com meu novo amigo, meu pequeno irmão ardia em chamas, enquanto clamava por mim. Saiu pela porta da cozinha, em um desespero de fogo, dor e sangue. Correu pelos cafezais como uma trágica tocha de criança, urrando a dor da sua morte anunciada. Quando dei por mim, ouvi sua voz desesperada, senti o cheiro da carne queimada, notei o céu convocar mais um santo. O encontrei ainda ardendo, seu corpo morrendo, sua pele queimando. Ainda que tenha apagado sua chama, ele morreu em meu colo, nu, negro e sofrendo, ainda dizendo: - “O seu irmão é que te ama”.                                     

Por sua trilha de dor nos cafezais, notei, por entre os arbustos, em meios aos meus soluços, o fato mais triste; eu acho: em cada pé de café, um de seus cachos. Seus cabelos loiros estavam em pedaços em cada canto da terra que o viu morrer em meus braços.

O maior pecado da minha vida é ter lembrança.

O meu maior mal é ainda estar viva.      

 

 

Por Rafael Cortez às 20h11

09/10/2009

Um tanto de coisas boas – FINAL

Finalizada a atividade na ESPM, fui para o aniversário de 17 anos do meu grupo do coração: a Cia. Cênica Nau de Ícaros. Trata-se da turma que me empregou por seis anos em um galpão aqui na Vila Madalena e que, desde 1998, faz parte da minha vida e da minha história. Uns amigos queridos, meus irmãos, minha família. E nós combinamos que faremos de novo mais uma ULTREYA, a festa que rolava mensalmente na Nau, ao longo de anos, e que deixou tanta saudade em tanta gente (e que dava um trabalho daqueles, ainda mais para mim que era o produtor da balada... e o cara que vendia os ingressos!!).

 

A nova ULTREYA será dia 24-10. E é lá, numa festa cheia de números circenses e percussivos, bem como canjas de amigos e micos que pagarei, que comemorarei meus 33 anos. Vai ser bem legal! Olha o Marco Vettore, diretor da trupe, e eu... vendo a operação de som do espetáculo em São João del Rey, no Festival de Inverno de 2007.

 

 

 

 

O mais legal é que ainda tem tanta coisa boa pela frente... o programa do Loreno segue bem, o Notícias que Gostaríamos de Dar na Band FM tá super popular, o contrato com a Band tá na renovação, terei recitais em SP no final do ano, shows em Natal e no interior da Bahia, novos e vibrantes desafios e trabalhos pelo CQC, eventos fechados e uma volta ao teatro em novembro, quando atuarei em uma das sessões da peça “100 Maneiras”, dos meus amigos Kadú Torres e Daniel Dottori. E ainda hoje rola a estréia da temporada de “O Rei dos Urubus”, do mano Léo, que tanto amor e competência emprega a seus textos e direções teatrais ao longo da vida. Sextas (21:30), sábados (21hs) e domingos (20hs) no Centro Cultural São Paulo, em curta temporada, a R$15 o ingresso. Aliás, participei de uma leitura desse texto no fim de agosto no Rio, ao lado do Léo e amigos. Olha a gente aí:

 

 

 

Enfim, a vida ta boa. E, Rafael Cortez do ano de 2003: era esse o texto que eu queria que vc escrevesse um dia. Rafa do ano de 2006: esse é o texto que eu queria que vc lesse no futuro. Rafa de 2020: eu espero que textos realizados e felizes como o de agora tenham dominado seus últimos anos.

 

Um abraço a todos!

 

Rafa

Por Rafael Cortez às 17h57

Um tanto de coisas boas – Parte 02

Em setembro ainda tive uma deliciosa viagem ao Rio de Janeiro. Gravei e pude, numa rara oportunidade, passar uns dias sossegadão na Cidade Maravilhosa. E eu amo tanto o Rio, e quero tanto morar lá, que me senti nas nuvens! Ainda mais porque estava muito bem-acompanhado, e isso fez toda a diferença. Segue uma fotinho da viagem:

 

 

 

  

O mês que antecede meu aniversário fechou com chave de ouro. Fui um dos apresentadores do grande Prêmio Comunique-se de Jornalismo. E, para meu deleite, apresentei um bloco inteiro ao lado do Cid Moreira! Só tinha fera entre os jornalistas convidados para apresentar o Comunique-se: Ricardo Boechat, Heródoto Barbeiro, Sarah Oliveira, Silvio Luis, Renata Vasconcellos, Lorena Calábria (que hj é uma das minhas melhores amigas) e Cid Moreira... aí os caras abriram uma exceção no timão e me chamaram! Não entendi nada, mas adorei. Gravamos uma matéria pelo CQC, que segue abaixo. Ela se tornou uma das minhas prediletas no ano de 2009.

 

 

Uma coisa sobre o Cid Moreira. Foi muito gratificante para mim, como Jornalista formado pela PUC, estar ao lado do mestre. Trata-se de um cara que está há mais de 40 anos trabalhando com a notícia e passou a fazer parte do Jornalismo brasileiro como uma instituição. E ele foi muito atencioso e carinhoso comigo. Batemos um papo inesquecível e eu nunca vou esquecer. Tenho uma predileção muito grande, em especial, por essa nossa foto:

 

 

olha o carinho do Cidão comigo!

  

Por falar em PUC, gravei em 23-09 um vídeo institucional no campus da Monte Alegre, onde estudei e formei. Foi bem legal reencontrar funcionários e professores nos corredores. E mais legal ainda foi ser tão bem-recebido pelos alunos e por toda equipe que sua muito para tirar a PUC da crise. O episódio aumentou a saudade da época da faculdade. Tanto que vou postar aqui uma foto de uma das viagens que fiz com a galera para Paraty, direto de 2003. 

 

 

 Dafne, eu e a Carol Casella

       

 Agora estamos em outubro e eu já vivi coisas inesquecíveis em um curto espaço de tempo. O Loreno passou a entrevistar internautas do Twitter. A seleção dos primeiros entrevistados se deu via concurso de poemas, e a aceitação foi enorme. Na foto, vcs podem ver o Davis Meneghel e a Camila Colombo, que é muito minha amiga, nos dois primeiros programas com bate-papo do Loreno.

 

  

 

 Dia 04 último fiz meu solo de Stand-Up em Maceió... e foi uma das coisas mais gratificantes que já vivi até hoje. Eis uma seleção dos nossos melhores momentos, da galera que tava comigo e eu, numa montagem do amigo Tuka Velloz:

  

 

Mil duzentas e cinquenta pessoas lotaram meu Stand-Up no teatro da cidade. E me deram um presente incrível, com toda receptividade que só o povo nordestino sabe ter. Parabéns ao André Vilela, que soube produzir tudo tão bem: foi tdo redondo, encaixado, bacana, num show que preparei com carinho e onde dei muito de mim. Inesquecível a presença carinhosa do repórter mais divertido da Globo, o Márcio Canuto. E sem palavras para o talento do pequeno Alvinho, de apenas 10 anos. Eu o chamei para uma canja no palco e ele roubou a cena. O moleque tem futuro e é dono de um carisma sem precedentes. Dá uma olhada nesse vídeo dele entrando no show da Ivete Sangalo, na maior cara de pau!

 

 

 De Maceió para Canela, no Sul do país. Fui virado gravar matéria na Festa Nacional da Música de Canela 2009, direto do jantar pós-show, para o aeroporto. Cheguei em SP às 07:10 e peguei um vôo para Porto Alegre às 10hs. Chegamos e entramos num ônibus para Canelas, onde desembarcamos às 15:30. E já começamos a gravar, para só terminar tudo na madrugada.

 

Como foi legal Canela! Que deliciosas as companhias e os talentos dos nossos produtores lá: Juliana Kuleza e João Mesquita, o Zezé. Que irado passar 03 dias e meio convivendo intensamente com músicos incríveis e profissionais da indústria fonográfica! Foram ótimos vários papos que tive lá: mas voltei caidinho de amores mesmo foi pela Fafá de Belém e por sua filha (e minha amiga) Mariana. Eu já era doido por essas duas, mas suas simpatias incríveis – e humildade! – ganharam meu coração. Eis a nossa foto juntos:

 

 

 

Saí de Canela às 04 da manhã de quinta e cheguei em São Paulo (virado, pois nunca consigo dormir em ônibus e aviões) às 14hs. Depois de uma tarde de compromissos pessoais, segui para a ESPM da Vila Mariana. Lá, participei de um leilão beneficente do GRAACC. Fui o leiloeiro, e fiquei bem realizado em conseguir 11 MIL REAIS vendendo o peixe para itens que iam de um macacão autografado pelo Felipe Massa e uma camisa do Pelé, a um simples óculos do CQC doado por aquele maledicente do Marcelo Tas! 

 

O barato é que a organização do Leilão do Bem tratou, de última hora, de leiloar algo um tanto inusitado: um jantar comigo. E, para minha surpresa, fui arrebatado por mil reais e terei o privilégio de jantar com um grupo de 30 mulheres lindas – todas estudantes de Comunicação. Eu não sei o que vcs acham, mas tendo em vista que todas estudantes da ESPM são umas deusas gregas, acho que estou com muita, mas muita sorte.

(CONTINUA...)

Por Rafael Cortez às 17h43

Um tanto de coisas boas – Parte 01

Tenho vivido coisas tão especiais na minha vida ultimamente que nem me lembro mais que estou a poucos dias de completar 33 anos. Em geral, nos dias que antecedem meu aniversário, fico em completo e absoluto inferno-astral. Como tal, me torno um cara intimista (mais do que sou), fatalista, sensível e dramático. Foi assim por muitos anos na minha vida... mas as coisas estão tão legais que nem posso me dar esse direito de equivocar meus sentimentos pra encontrar pêlo em ovo. A vida tá uma delícia e eu não posso me queixar.

 

dos 04 pra cá, tanta água passou...

 Acho que ainda não comentei como fiquei feliz de fazer meus recitais em Curitiba no início de agosto. Eles marcaram minha volta ao instrumento que eu amo e consolidaram minha parceria e amizade com o Ítalo Gusso, que tratou com carinho e dedicação de fazer das minhas duas noites no Teatro Regina Vogue algo inesquecível! Aqui deixo para vcs um momento de pura adrenalina da noite de 09-08, domingo, quando toquei meu “Cordel de Guilherme de Faria” com toda a energia que a peça passou a requerer de mim.

 

 

 O mais legal é que bati o martelo com o Ítalo: o CD será finalizado durante minhas férias do CQC, no início do ano que vem. E sai, com ou sem gravadora parceira, no mês de abril ou maio de 2010. Sem falta. E o meu entusiasmo com o violão é tamanho que tratamos de fechar DUAS DATAS de recitais aqui em São Paulo. Tocarei no final de novembro, no Teatro Juca Chaves. Aguardem mais informações.

 

Ainda em agosto cruzei centenas de estudantes na Feira do Estudante 2009 no stand da Metodista. Foi maravilhoso falar sobre carreira, vocação e incertezas do vestibular para cerca de 600 jovens.... E, antes disso, foi muito emocionante mostrar meu TCC da PUC, de 2004. Foi um reencontro comigo mesmo.

  

dois momentos da Feira do Estudante 2009

 

Fechando agosto, tive a grande alegria de fazer um show em Mauá onde, para meu deleite, quem me precedeu foi um dos meus padrinhos no Stand-Up (o outro é o Danilo): Rogério Morgado. Além de dar o show de sempre e mostrar que ele é um dos melhores comediantes desse país, a participação do Romo consolidou nossa amizade e reiterou que meu carinho por ele é enorme – ou, ao menos, é compatível com seu grande peso!

 

querido Morgado!

Setembro foi muito foda. Voltei a gravar pelo CQC em Brasília e fui com a responsa de tentar manter o nível de qualidade das excelentes reportagens do Danilo, que são referência no programa. Fiquei feliz com o meu desempenho, e mais ainda com o feedback de vcs. Taí uma das matérias que fizemos lá – e parabéns ao nosso produtor Marcelo Salinas! É ele quem faz a diferença nessas abordagens políticas do programa.

 

 

Fiquei muito contente, ainda em setembro, de gravar um vídeo com AS OLÍVIAS. Essas garotas são humoristas sensacionais e estão a anos fazendo um trabalho diferenciado, vibrante e divertidíssimo! Uma delas, a Renata Augusto, ainda integra a Cia. 4 na Trilha – o grupo com que trabalhei por 04 anos em dois espetáculos infantis que marcaram minha vida. E eu gosto demais da Rê, até hoje.

O roteiro do vídeo das Olívias era tão sensacional que topei o convite sem titubear. Aliás, já tinha topado fazer qualquer coisa com elas, como figurante, ator, câmera, sei lá!, de tanto que as admiro. E elas, generosas e amigas que são, me deram o papel do protagonista nessa divertida história que foi habilmente dirigida pelo Daniel, dos Barbixas... e que vcs verão em breve no Youtube. Olha a turma completa aqui em baixo:

 

 

Um detalhe sobre o vídeo (que, na real, é muito mais que um detalhe); na gravação, reencontrei e contracenei com o Linaldo Telles, um dos melhores atores de sua geração e o responsável, ao lado da Denise Cecchi, pela Cia. 4 na Trilha. Como aprendi com ele... como ele teve paciência! Como ele é importante na minha formação e como eu o admiro! E eu estava morrendo de saudade dele e adorei relembrar nossas histórias e rir muito a seu lado. O Linaldo é muito foda. Taí uma foto da gente na época do Saltimbancos.

 

 

 (CONTINUA...)

 

 

 

Por Rafael Cortez às 16h43

01/10/2009

Tô chegando aí, Maceió!!!!!

Rafael Cortez (integrante do CQC)
Comédia Stand Up
Teatro Gustavo Leite
(Centro de Convenções)
04 de Outubro (Domingo)
20hs
VALOR DO INGRESSO: r$50 (inteira) e r$25 (meia), até o dia 02/10. Após 
essa data os ingressos vão custar r$60 (inteira) e r$30 (meia)
PONTO DE VENDA: Stand ViVa alagoas - Maceió Shopping (Antigo Iguatemi)
INFORMAÇÕES: (82) 3033-5539 / 3235-6950

 

Por Rafael Cortez às 19h09

19/09/2009

Cría Cuervos (2)

Quem hoje vê, não sabe o que eram os plásticos vedando as janelas. Tampouco imagina que, naquela tarde de outono, em meio ao tormento, as águas sujas da rua invadiram a casa e nela permaneceram para residir por muito tempo.

 

Talvez desconheçam os pedaços de papel molhado, mordiscados de anos de doença e tédio, grudados nos tetos das paredes, como um adorno insano de um lar ainda mais intenso. Talvez ninguém saiba que, num mundo agora tão pleno, as lembranças matam como as canções tristes que ecoavam nas tardes inteiras de desenhos e quebra-cabeças.

 

O que ninguém diz agora, e o que todo mundo nem sequer desconfia, é que tudo foi tão diferente um dia... que o barulho do portão abrindo e fechando podia ser tido como o início ou o fim de um calvário. Que destoava dos jogos de rua, das noites populares, do amor adolescente e da vizinha nua. Que destoava do pote de doce em cima do armário e da tragada inocente no que parecia mais que um cigarro.   

 

Nada será capaz de sublimar as recordações daquela festa de uma nova aurora iniciada, com a saída do homem escurraçado. Nada afligiu mais do que não dar consolo a quem, de lado, ficou só e viu-o morto. Momentos novos não bastam para matar de vez a premissa triste : a de que uma dor ainda existe, uma constatação ainda resta, e uma certeza aqui reside... como, e por quanto tempo, sem nem mesmo um só alento, tudo foi tão, mas tão triste!..

 

No entanto, hoje, os quadros da sala estão cada vez mais coloridos.

 

Por Rafael Cortez às 19h26

Sobre o autor

Rafael Cortez, 32 anos, ator, jornalista e violonista.

Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.

Sobre o blog

Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...

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