01 de julho, quarta - Estou na SEMANA DO ARTISTA na Rádio 89 Fm. Link ao vivo ao meio-dia. Tarde de autógrafos e bate-papo.
11 de julho, sábado - Jundiaí - Stand-Up na sede central do Clube Jundiaiense, ao lado de Marcos Aguena (o Japa) - a apresentação faz parte do projeto Clube do Riso.
30 de julho, quinta - Stand-Up Comedy em PORTO ALEGRE. Local e maiores informações - em breve
08 e 09 de agosto, sábado e domingo - Curitiba - Recitais de violão no Teatro Regina Vogue. Maiores informações - em breve... mas os ingressos JÁ ESTÃO À VENDA.
Toda terça - Me apresento no Ton Ton Jazz Moema com o grupo Stand-Up Express (SUJEITO À AGENDA DO CQC). Al. dos Pamaris, 55 - Moema - São Paulo - SP Informações: 3804-0856 / 3804-0857 / 3804-0858 / 5044-7239
Toda quinta, às 15hs - Dia em que abro espaço para meu melhor amigo na ClicTV. Trata-se do LORENO, um ser iluminado, imprevisível e sentimental. Assista ao PROGRAMA DO LORENO em www.clictv.com.br - quintas, 15hs.
Em um momento em que todo mundo lamenta a perda do artista (ainda o Michael), quero escrever hoje sobre a arte em si... sobre esse misterioso processo que leva alguém a contribuir com algo mais belo, mais sensível, mais instigante e mais inspirador que os limites quadradinhos da nossa vida administrada e burocrática.
No lugar de lamentar a partida de quem criou e encantou, acho que a gente podia consumir mais o que foi deixado de bom. Ouvir mais os discos do Michael agora, ver seus ótimos vídeos no Youtube, dançar como nunca seus hits nas baladas, é algo mais reconfortante e belo de ser feito. É melhor que lamentar mais e mais o fim, o adeus - ele não encerra uma obra.
Fazer algo em um palco é uma demonstração de que há, sim, algum tipo de entidade superiora. Aquele que alguns vão chamar de Deus, outros de Jah, e por aí vai. Independente de crenças religiosas, e do que é – ou quem é – Deus para vc, o fato é que rola alguma coisa de mágica, de poderosa, de melhor e de grande energia no ritual de pisar num palco para expressar algo sensível e de grande carga emocional.
Quero falar da minha última grande experiência nesse sentido. Foi na Feira do Livro de Ribeirão Preto, sexta retrasada, dia 19.
Muitos aqui já sabem como foi; que foi lindo ver aquele teatro Pedro II lotado até não dar mais... que fiquei boquiaberto com as mais de 1500 pessoas dentro da casa, contrastando com as outras 1500 que ficaram do lado de fora.
Eu nunca tinha tido uma experiência como essa. E confesso que achei emocionante, radiante, sensacional... e tbm fiquei com um medo que nunca tive antes.
Por um lado, aquela situação deliciosa... ver tanta, mas tanta gente com um astral tão fantástico e uma receptividade calorosa. Por outro lado, o que eu tinha preparado para apresentar envolvia algo complexo e mais íntimo. Era falar dos meus audiolivros do Machado sim, mas de posse do meu violão de cordas recém-trocadas e, pro meu desespero e tbm prazer, com músicas relativamente complexas para executar.
Eu, nas minhas fases áureas como violonista, sempre quis tocar para muita gente. Mas meus recitais tinham cerca de 35, 50 pessoas... o mais popular deles – e um dos melhores – foi na sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo, na programação do Clássicos de Domingo, em março de 2006. Tinha umas 100 pessoas. Em resumo, sempre tive platéias modestíssimas quando se tratava de tocar violão. E trocas de energia modestas tbm... E por essas razões, entre outras coisas, é que resolvi fazer teatro. Queria ter platéias maiores, convívios de grupo, interações com público e a certeza de fazer algo menos intimista.
Bom, eis que me vi no Teatro Pedro II na sexta retrasada... e soube, pela organização, que eu não teria uma casa com as cerca de 300 pessoas que previa (e esse número, para aquele tipo de apresentação que desenvolvi, já me parecia grande). Eram mais de 1500 pessoas!
Meu primeiro impulso foi o de mudar a estrutura do meu show. Eu pensava em subir ao palco e não dizer nada. Tocaria de uma vez o arranjo de Isaias Sávio para violão de “Nesta Rua”. Um tema, precedido por uma introdução que eu coloquei ali livremente, duas variações e o regresso ao tema. Algo simples no universo dos maiores violonistas... mas complexo para mim com todo o nervosismo que me assolou – e ainda mais tenso se lembrarmos que não estou mais na minha melhor fase TÉCNICA como músico.
Além dessa música, tinha o lance de tocar “Farewell”, do Sérgio Assad.
Essa é uma música tão linda e tão cheia de verdade emotiva, que não admite erros. Não admite o nervosismo encobrindo frases melódicas ou substituindo a imensa dor do compositor - tampouco todo o belo que ele soube criar tão bem.
Bom, lá estava eu pensando em entrar sem meu violão. Poderia fazer como em outras ocasiões: uma palestra breve sobre os áudiolivros, seguida de bate-papo com a platéia... e sem meu instrumento musical e a cobrança que ELE exerce sobre mim (bem como a MINHA exigência em cima dele).
Daí lembrei de uma entrevista da grande Fernanda Montenegro, a nossa maior atriz viva no Brasil. Ela disse que ainda sente um tremendo frio na barriga antes de subir no palco - ela, com mais de 50 anos de carreira. Bem, se a Fernanda Montenegro tem medo e banca o que assume - vai lá e faz -, quem sou eu pra arregar? Sou apenas um cara numa fase boa. E que tava louco pra fazer de algo como o Pedro II cheio uma realidade. Não dava pra voltar atrás ali.
Aliás, um rápido adendo: uma das coisas que mais gosto em mim é essa força que não sei de onde vem... mas que me faz engolir vivo o temor, as contradições, traumas e cansaços pra fazer a coisa acontecer de verdade. Lembro que nesse meu último enrosco amoroso, ouvi da Baixinha algo que me deixou possesso: gosto de vc e sei que vc gosta de mim. Mas tenho medo. Na hora eu lembrei que tive muito medo de topar e realizar o balé com a Thomioka... que tive receio de fazer o teste pra ator na Cia. 4 na Trilha... que me borrei todo ao pensar em fazer a Sala São Paulo com Os Saltimbancos e a orquestra e côro do Projeto Guri... que achei que não ia conseguir tocar "O Choro de Juliana", do Marco Pereira, no Teatro Santa Catarina... que achei aterrorizante passar pelos testes pra integrar o elenco do CQC... mas que, enfim, eu banquei todas essas coisas. E, se eu tivesse apenas dado vazão ao meu medo, nada dessas coisas teria rolado - e eu seria, provavelmente, mais um cara frustrado e comum, a ser dizimado no futuro por um câncer ou algo assim.
Pensando em tudo isso, não mudei uma vírgula da minha apresentação inicial. De cara limpa, e muito confiante, fui pro palco certo de algo que sei que é a mais pura verdade - e é disso que quero falar hj, abordando o tema da arte: a coisa rola pq a energia em torno da criação é boa. Os tablados teatrais respiram a força de entidades que a gente sequer desconfia da existência... mas elas amparam os artistas. Há uma bênção por parte dos anjos da guarda e emanada por espíritos de luz e um Deus, pra melhor me expressar, que pegam o jovem artista pela mão para dar conforto e segurança. Enfim, se o cara fez por merecer, é sincero e correto no que quer apresentar, há uma rede espiritual de coisas boas lhe dando suporte. E é óbvio, para mim, que isso é fruto da energia vibrante, carinhosa e receptiva das pessoas. Tudo isso é mágico e viciante.
Não sei como aconteceu, mas toquei "Nessa Rua" no Pedro II. Fez-se um silêncio e a música estava toda lá. Pode não ter sido a execução mais impecável do ponto de vista técnico, mas eu sei o que senti ali. Idem com "Farewell". E quem viu e me ajudou nisso tudo sabe tbm como foi o que fizemos juntos.
Só sei que fui embora de Ribeirão Preto com a certeza de que tenho um trabalho. E que, como artista, tenho muita sorte de viver algo intenso, verdadeiro, apaixonante e espiritual. Isso é mais forte hj do que meus medos e meu lamento pela partida de quem, como eu, tbm amava esse processo do conceber e executar a criação artística.
Não há como não se abalar com o que todos nós vimos recentemente na TV. A incredulidade toma conta de todos aqueles que ligam o rádio e ouvem as músicas dele, tocadas agora mais do que nunca, precedidas por essa informação que é dura de aceitar, mas verdadeira: Michael Jackson morreu.
À medida que o tempo passa, mais nos damos conta de que os ícones estão nos deixando com uma rapidez cruel. Os Beatles eram quatro, hoje só restam dois. Das formações originais das melhores bandas de rock de todos os tempos, permanecem poucos dos ídolos que fizeram gerações sonharem – fica o Queen sem o Freddie Mercury, The Doors sem Jim Morrison, e por aí vai. Na Música Popular Brasileira, não há mais a presença de Nara Leão, Elis Regina, Cartola, Vinícius, Baden... depois, se foi o Tom Jobim - e foi covardia. E a gente se pergunta o que vai ser de nós quando não tivermos mais o Chico Buarque e a Maria Bethânia, da mesma maneira que ninguém aqui quer que o Jimmy Page e o Robert Plant parem, ou que o Paul Mccartney deixe uma lacuna enorme no cenário da música (boa) mundial – até porque, sem essas figuras no nosso mundo, quem vai sucedê-los?
Um dos ídolos mais interessantes no mundo das artes em geral era o Michael Jackson. Esse sim: muitos de nós já pensamos como será quando soubermos que o Rei do Pop morreu. Dos mais fãs aos mais indiferentes, não há como negar que ele mexeu um pouco com cada pessoa aqui. Vc pode não gostar do som dele, mas não pode negar que já ouviu "Beat It" numa festa. Negue que vc curtiu o clipe de "Thriller" ou que já namorou alguém ao som de "Ben". Quem há de dizer que o estilo inconfundível desse grande astro, na dança, na canção, nos vídeos memoráveis e em performances sem igual, não nos roubou ao menos alguns minutos de atenção? E, obviamente, quem aqui não prestou atenção em suas manias, esquisitices, bizarrices e escândalos que, ainda que tenham tido tanta força, nunca foram maiores do que o artista e sua obra?
Michael Jackson não só não passou despercebido como virou referência de excelência em música, espetáculo e criação. Virou sinônimo de algo gigante, do ápice a que muitos tentam chegar e não conseguem, haja visto que nem todo mundo tem o seu talento inigualável. Quando estamos muito populares, numa festa cheia de amigos nos celebrando, dizemos que nos sentimos “o Michael Jackson”. Um artista com a casa cheia e depois de um show ótimo vai pensar: “hoje me senti como o Michael Jackson”. O criador de uma dança irada, de um clipe sensacional, de uma canção maravilhosa, de uma performance fantástica, vai se remeter à figura do Rei do Pop e lembrar dele como padrão – e muitas vezes como meta. Como ele dançou, como ele cantou, o que ele fez. Falem mal de sua cabeça maluca, questionem suas plásticas e o suposto vitiligo... mas não se esqueçam que ninguém fez nada parecido no século XX. Não esqueçam que a partida desse grande astro deixa uma lacuna que jamais será preenchida... e nós, que pudemos ver alguns de seus feitos em tempo real, podemos dizer a nossos filhos e netos que pertencemos a uma geração que viu o artista brilhar.
O que mais gosto na história de Michael Jackson é pensar que sua obra foi maior que sua tragédia pessoal. Não quero evocar nada acerca de todas as coisas bizarras e tristes que marcaram sua passagem por essa terra e que o transformaram, rapidamente, em uma figura solitária, infeliz e muitas vezes insana.
Entendam uma coisa: quando quem parte é o bom artista, tudo que dele fica é sua bela obra e a lembrança de todo seu grande talento.
Muita coisa boa para contar depois de uma rápida trovoada interior.
Dividi isso com vcs através do meu poema, apesar de ser contra a exposição de algo tão pessoal através de uma criação ainda mais íntima. Agradeço a quem me entendeu e ofereceu carinho, amizade e palavras acolhedoras. E garanto a todo mundo aqui: ta tudo bem. Só precisava cessar tudo com o meu rito de passagem – que, no meu caso, envolve quase sempre uma música ou um poema.
Como eu já previa, encerrar algo para mim com uma despedida pública motivou o surgir de uma série de coisas boas! E foi dessas coisas que me alimentei o dia todo.
O mais excitante: o programa do Loreno estreou! Ele e eu assistimos juntos aqui de casa. O Loreno permaneceu de olhos fechados o tempo todo. Segundo ele, mais importante que ver era sentir. E ele recomenda a todos que o assistam com o coração e o sintam com as mãos. No caso das mulheres, ainda segundo ele, é possível que cada uma de vcs, moças bonitas, o sinta com a ponta dos dedos – e de noite, debaixo de seus lençóis, em segredo e envoltas em risinhos obscenos.
Terça que vem, no mesmo horário, ele estará de volta. Com novidades – ganhou uma roupa nova e tem surpresas. E a plantinha dele está grande e cada vez mais verde. Segue uma parte do programa no Youtube :
E tem mais um pedaço aqui... mas falta um bom trecho do programa total. Vejam tudo em www.clictv.com.br!
Mais: sexta, dia 19 agora, vou participar da 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto – a segunda maior a céu aberto do Brasil. Só vai ter gente fera lá: Augusto Cury, Carlos Heitor Cony, Cristovão Tezza, Fernando Morais, Márcia Tiburi, Marcelo Rubens Paiva, Mário Prata, Marçal Aquino, Moacyr Scliar, Pedro Bandeira, Ricardo Kotscho, Rubens Ewald Filho, entre muitos outros. E, no meio desse timão, to eu lá... lançando meus audiolivros do Machado de Assis na “Sala de Idéias” (salão principal) do Theatro Pedro II.
A apresentação é gratuita. O teatro tem capacidade para 1500 lugares e as senhas são distribuídas uma hora antes. É gente pra dedéu, e duvido lotar. Mas, de todo modo, estou MUITO FELIZ de fazer parte dessa programação tão deslumbrante e de grande enriquecimento cultural...e agradeço, desde já, o convite de Ribeirão e o excelente trabalho da Marina Pereira, minha amiga, que abraçou esse projeto e me representou tão bem em todas negociações e trâmites da minha ida.
Garanto ao povo dessa cidade incrível: vou levar meu violão. Vou tocar, falar, bater papo, responder questões, tirar fotos, curtir muito e fazer vcs curtirem junto. Vai ser ducaralho!
Depois, sábado de manhã, dia 20, vou a Brasília... terei um encontro bem legal com estudantes na minha palestra envolvendo Jornalismo de Entretenimento. Vou exibir, pela primeira vez, a íntegra do meu TCC na PUC em 2004... para cerca de 500 estudantes. Vai ser no Espaço Cultural 508 Sul - É o Fórum Radcal de Mídia e Juventude - vai ser repleto de oficinas, debates, filmes e atividades culturais.
A pré-inscrição pode ser feita até o dia 18... em www.jornalradcal.com.br... E a inscrição só será confirmada no credenciamento mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. Mais informações no (61) 3322-7801
Vai ser fantástico encontrar essa galera. Quem me conhece sabe bem: de todas as repercussões que ganhei com o CQC, nada me anima mais em termos de contato com o público do que minhas palestras em Universidades. É qdo posso entender como as turmas de hj recebem a nossa profissão... e se as faculdades e professores estimulam o espaço de experimentação (que é o mais sagrado para mim dentro de uma sala de aula. É onde os jovens afloram seus talentos e enterram um pouco essas premissas fatalistas do mercado de trabalho e suas mentiras).
Que mais? A revista Criativa desse mês publicou um poema meu – “O Ninar”. Quem gostou do poema de ontem pode curtir o que ta lá.
Sim, me rendi ao Twitter. Eu e o Loreno, cada um com um perfil. E nenhum de nós sabe mexer nessa pôrra direito – ou melhor, nenhum de nós se esforçou ainda para entender como funciona ou criar maior interatividade. O Loreno fez o dele amarradão. Disse que quer plantar uma árvore por amigo. Eu fiz o meu depois de uma série de vantagens que o Danilo e o Oscar me disseram que o Twitter tem. Vamos ver...
Mais coisas legais: dia 30 de julho, quinta, tem meu primeiro recital de violão em São Paulo desde 2006, qdo me apresentei no Centro Cultural SP. Vai ser num espaço pequeno e aconchegante, apenas para poucos e queridos amigos... mas com ingressos disponíveis para venda daqui a alguns dias. Aviso mais.
E promessa é dívida: dias 08 e 09 de agosto, sábado e domingo, estarei em Curitiba. Recitais de violão na cidade. Escolhi essa apaixonante cidade cultural, onde se ouve boa música e se faz os melhores espetáculos, para estrear minha série de concertos públicos que celebram o lançamento do meu CD. Na ocasião, o CD ainda não estará disponível... mas até o fim do ano sai – se tudo der certo!
Eis aqui uma reprodução do óleo sobre tela de meu tio Guilherme de Faria, pintor e escritor... tenho pensado muito nessa obra como capa do meu disco ou como bônus no encarte.
Por fim, quero mostrar pra vcs uma versão do meu poema de ontem de madrugada... versão essa criada por uma admiradora do programa e admiradora do meu trabalho. Ela chama Gaby. E adaptou a minha despedida do amor que, nas mãos dela, passou a ser um convite para uma nova empreitada romântica. Eu adorei o que ela fez: pela sensibilidade, talento e beleza. E por saber oferecer um alento qdo a gente precisa. Valeu Gaby!
Estou aqui, no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, esperando para embarcar para Buenos Aires. Lá, gravo um comercial com o Danilo e o Oscar - e tenho certeza que, como das outras vezes, vai ser bem divertido.
Ontem gravei Fashion Rio. Bati papos interessantes com várias pessoas. Um abraço pro ator Gustavo Leão que, mais uma vez, foi bem bacana comigo. Meu irmão Léo foi seu primeiro diretor de teatro. Legal ver o cara hj tão bem e feliz.
Bom, mas o que quero dizer é: o programa do Loreno estréia semana que vem! Sim, anotem aí:
16 de junho, terça, às 15hs... na Clic TV.
Dá uma olhadinha no último vídeo do nosso amigo, aqui embaixo...
O próprio Loreno me ligou pra dar a novidade. Foi estranho, porque ele ligou às 3 da manhã. Ficou em silêncio e desligou. Depois, ligou de novo e colocou o jingle daquela publicidade do Café Seleto para eu ouvir - coisa de 1982, por aí. Disse que eu precisava aprender com aquela experiência, pois as crianças tinham que me dizer algo. Achei estranho.
Bem, mas depois ele me falou do programa... disse que vai ser um encontro semanal com vcs... que ele quer falar das coisas da natureza, das coisas do homem e tbm sobre as coisas da indústria petroquímica (essa parte eu não entendi.)
Ele quer cantar, ajudar internautas com problemas e encontrar pessoas. E, segundo ele mesmo, seu programa será um lugar para "colocar flores nas bombas, e as bombas nas patas dos pássaros... para que eles as levem para longe".
É isso... ele espera vcs na estréia... e lembra que vai precisar da colaboração de todos e todas aqui para, como ele mesmo diz, ser pólen.
Tô aqui no Rio gravando um bocado de coisas... ontem bati altos papos com o Paulo César Grande e a Mariana Ximenes numa estréia teatral... e a Mariana é uma mulher tão gente-boa, tão incrível! Loucura essa vida nova... quem diria...
Bom, mas passei rapidinho só pra dizer que dei uma palestra na faculdade Uniban de SP, alguns dias atrás... ela foi meio polêmica... e a TV Uniban vai exibir a íntegra desse papo nos seguintes dias e horários:
Hoje, domingo, dia 07 de junho, completam-se 20 anos de morte de Nara Leão – a grande cantora capixaba, de voz frágil, timidez característica, carisma longe de uma Elis Regina, mas trajetória e convicção artística na linha de um Chico Buarque de Hollanda.
Quem abrir o jornal hoje, dentro de algumas horas relativas à minha postagem desse texto, pode ou não me dar boas novas mais tarde: quero ler de vcs que vários periódicos deram destaque a essa data; que muitas – e belas – homenagens foram prestadas; que encartes generosos em suplementos dominicais, repletos de fotos, depoimentos e reverências, foram disponibilizados...
Mas tenho medo de ser verdade essa máxima que me diz, aqui dentro do meu peito, que a ocasião passará despercebida. Afinal, os assuntos da semana são mais quentes. As abordagens emotivas e escandalosas de mídia não contemplam a homenagem a quem fez história nesse país. Aliás, a história desse país se caracteriza por sofrer de amnésia crônica. Vivemos numa terra sem memória.
Num momento em que lamentamos a morte de tantas pessoas na queda trágica dessa aeronave da Air France, leio em muitos lugares uma mesma triste constatação: no mundo, centenas de vidas são encerradas sem que planos pessoais tenham sido finalizados. Pessoas morrem sem contar antes suas trajetórias. Vidas inteiras acabam de uma hora para outra, sem deixar rastro.
Dado todo o respeito pelas vítimas do vôo e suas famílias, e ainda atordoado com essa grande e brutal fatalidade, volto a pensar em Nara Leão. Ela pôde contar sua história e fazer o país todo acreditar em algo. Viveu intensamente de acordo com o que achava crível. Militou como artista e não deu o mesmo de si para os mesmos de sempre. Produziu, comunicou, apresentou e amou demais em vida. E, ao contrário das vítimas do avião, teve tempo de administrar sua hora de partida e se despedir. Em sua rota de adeus, intensificou a beleza de suas gravações e fez as pazes com o próprio passado. Retomou o intimismo de suas primeiras apresentações e gravações. Por fim, sabendo que já tinha feito sua parte como formadora de opinião, artista, brasileira, mãe e mulher, foi-se embora para outro plano espiritual.
Num momento em que se fala tanto da morte, nem é sobre a morte de Nara Leão que quero ler ou ouvir falar. Sim, completam-se hoje duas décadas exatas de seu falecimento. Mas Nara morreu deixando tanta coisa boa viva! Assim como essas pessoas que partiram com esse avião... e que deixaram seus legados para quem as amou, independente da gente saber ou não algo sobre elas.
Nara morreu, mas o que ela fez está vivo. Mas quem gosta de falar das coisas vivas como exemplo e consolo no momento da morte? Soa demagogo e não vende jornal. Ainda existe uma curiosidade mórbida por parte de todos nós em receber detalhes do fim... daquilo que a gente menos conhece, mas que é o mais certo para todos.
Nara, hoje eu vou fazer como sempre faço a cada dia 07 de junho. Vou ouvir as suas músicas, com um pouco mais de silêncio e respeito. Quero ouvir “João e Maria”, que vc gravou com o Chico... e “Flash Back”, com o Menescal . “Laranja da China” e “Amor nas Estrelas” devem me fazer cantar junto. Desculpe, eu queria deixar vc brilhar sozinha nessas duas, mas vc sempre me convida para participar do refrão. Devo escutar “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, do seu primeiro LP, para saborear “My Foolish Hearth”, de seu trabalho derradeiro em seguida. Quero, por fim, prestar atenção em “Maria Joana”, que é a sua música de que mais gosto. Talvez nessa hora eu chore, Nara. É por saber demais que eu só posso ouvir vc cantando dentro de mim. É por saber que eu não poderei te ver no teatro ou te convidar para jantar um dia. É por ter tanta saudade de quem eu nunca vi ao vivo, mas sei que faz parte do que eu sou.
Depois de tudo isso, Nara, vou me arrumar e sair para gravar o CQC. E vou orgulhoso pensando em vc. Vc ainda é a minha maior motivação e exemplo quando penso em construir minha própria história. Vc me ensinou que um artista é uma soma de emoções e atitudes voltadas ao pensamento e à construção de um ideal. Vc me ensinou, acima de tudo, que há uma beleza maior no mundo – e eu sinto isso nos seus discos. Obrigado!
Só pra avisar o seguinte: nessa sexta, 5 de junho, estarei AO VIVO no programa da Adriane Galisteu... serei jurado em um concurso que pretende lançar um novo grande humorista brasileiro (sim, eu... jurado... pode?).
Queria dizer muitas coisas legais pra vcs: de como está sendo intensa minha volta ao Brasil depois de gravar em Cannes... de como curti as matérias que fizemos lá... de como o show ontem em Moema foi bacana... de como tenho trabalhado, tocado violão e preparado com amor o CD e dois recitais em São Paulo (Curitiba não vai rolar por enquanto)... queria dizer que o Loreno está feliz com o programa dele (que já gravou o primeiro e tudo!)... que amei o filme do Simonal e estou sem a baixinha de novo...
Mas agora só penso nessas pessoas que estavam no avião da Air France. Que grande tragédia; que grande desgraça... que bosta, gente... que horror. E eu estava num avião igual umas 3 semanas atrás, indo para a mesma Paris e pela mesma companhia aérea. Podia ser comigp. Podia ser com qualquer um de nós aqui. Aliás, pode ser algo assim a qualquer momento com cada um aqui. Quando é pra ser, simplesmente é.
Que pena que foi assim. Compartilho todos meus melhores sentimentos com todas as famílias nesse momento de dor. Pra vcs, minhas preeces, meu carinho e, tbm, minha revolta. Pq isso foi acontecer?
O Festival de Cinema de Cannes: dessa vez, a comissão organizadora decidiu banir de vez os jornalistas engraçadinhos que tanto “causaram” em edições passadas – entre eles os CQC da Espanha, Chile e Argentina. Só “jornalistas sérios” (como odeio essa expressão) e especializados em cinema podiam trabalhar.
Nos credenciamos com o nome de outro programa da Band. Nas primeiras gravações, não circulamos com o cubo do CQC no microfone para não chamar a atenção. Mas, depois da coletiva de imprensa do Ang Lee e da Mônica Belucci, o Festival já sacou que a gente era o CQC. Ainda assim, nos comportamos muito bem (bem demais até para nossos padrões, hehe...) nas dependências do Festival... e só nos assumimos 100% CQC nas ruas e nos últimos dias, qdo já estava instaurada uma pequena guerra entre a produção do evento e a gente.
Logo na segunda noite, em meu primeiro Tapete Vermelho credenciado, tive um desentendimento feio com uma garota da organização. Eu estava como Assistente de Câmera. Só poderia permanecer atrás do meu cinegrafista, não ao lado dele ou na frente, como queria. Já tomei uma chamada. Tentei ao menos narrar a chegada dos artistas no meu cantinho. Tbm não podia. Uma hora, me desloquei para outro canto para ver se o carro que chegava na lateral trazia o Ang Lee. A garota ficou maluca. Veio aos gritos, dizendo que eu tinha que seguir as regras. Eu, que já invadi um Tapete Vermelho em Veneza, estava longe de fazer algo tão arriscado assim em Cannes (não sou idiota). Mas ela achou que eu queria “causar” e veio berrar comigo. Respondi com energia tbm, dizendo que ela estava de marcação. Ameacei me retirar da área de imprensa e levar o câmera comigo – ela disse que seria ótimo, mas que eu não voltaria mais ao Tapete. Nunca mais. Perguntei: vc tem poder para isso? Ela disse: sim! E eu, muito humilhado (mas sensato), pedi desculpas e disse que ficaria ali, com o rabo entre as pernas, como de fato fiquei. Odeio jogos de poder em que eu perco para alguém com autoridade. Mas, fazer o que?..
A “treta” com essa mulher foi marcante. Ainda que eu tenha depois a procurado para reiterar minhas desculpas, ela preferiu notificar a Comissão de Cannes que nossas presenças no Tapete Vermelho estavam vetadas. Mais: em pouco tempo, por causa das perguntas anteriores ao Ang Lee e Mônica Belucci, não nos passavam mais o microfone nas outras coletivas de imprensa. Na do Almodóvar, insisti muito. Estava à paisana, como vcs viram. Nem assim. Uma hora, um segurança sentou atrás de mim e me deu um tapinha no ombro dizendo: “no questions for you. Ok?”
O resto vcs viram nas matérias. Como perdemos a oportunidade de fazer a cobertura convencional do Festival, com coletivas e acesso ao Tapete Vermelho, partimos pra guerra. E ficamos dezenas de horas de plantão em portas de hotéis, baladas, restaurantes e demais locais atrás desses figurões de Hollywood.
O pior foi a hostilidade de algumas pessoas do Festival. Dizem que o pior da França são os franceses, não é? Acho isso uma tremenda estupidez. É a típica generalização desnecessária. Mas lembrei um pouco disso qdo vi aquela garota brigando comigo no Tapete Vermelho e qdo recebi o entusiasmado carinho de alguns seguranças. Vcs viram parte disso na matéria, mas não sabem de fato como foi. Uns caras muito grossos, uns tremendos cavalos. Como nos portamos muito bem dentro do Festival (causamos mesmo nas ruas e áreas externas ao prédio principal), a coisa tava mais na base da implicância do que em fatos concretos. Um dia, nosso parceiro Douglas chegou perto da Sala de Imprensa para tirar uma dúvida (ele era o único que falava francês) e um segurança começou a insultá-lo. Dizia que sabia o que a gente queria, que tínhamos de ficar espertos e que éramos uns babacas. O Douglas não agüentou e foi reclamar com a organização do Festival. Eles acabaram por pedir desculpas. Nós adoramos isso.
De fato, a organização em torno dos artistas em Cannes é exemplar. Se uma dada pessoa não quer ser vista ou amolada, não tem santo ou CQC corajoso que possa chegar nela. A Angelina Jolie foi tratada como a pessoa mais poderosa e famosa do Festival. Nem sei qtas horas gastei estudando mapas da cidade e do prédio principal para saber por onde ela e Mr. Brad Pitt poderiam entrar ou sair. Não senti nem o cheiro de “la Jolie”. Em Cannes, os caras podem se deslocar por terra - em diversas saídas e passagens até subterrâneas - ou água, saindo em iates posicionados em diversos cantos de um cais. Qdo vc se dá conta, o cara já chegou no lugar e vc nem viu. Muito foda.
Em resumo...
Buenas, mas o que vale é que a viagem rendeu muito. Fiquei bem satisfeito com as matérias que fizemos lá e que já foram exibidas. Tem mais material vindo aí, aguardem.
Não posso terminar esse relato (que nada tem de breve, eu sei) sem agradecer demais à quem fez essa matéria comigo: o produtor Marcelo Zacariotto, nosso amigo Douglas Kuruhma, o cinegrafista Fabiano Diniz (Tutu) e a galera aqui em Sampa que ralou muito pra receber as imagens e editar tudo pra vcs – o Marquinhos, nosso editor, varou algumas noites pra fazer tudo acontecer. Fora a galera da produção total e nossa direção.
Foi ducaralho!!!! Quero mais!!!
Abraços,
Rafa
P.S 1 – Meu inglês ainda vai melhorar mais. Tô estudando. Queria mostrar pra vcs uma fluência nessa língua. Mas eu não estudei em bons colégios e nunca pude fazer aulas particulares de inglês antes pq não tinha grana e nem tempo. Queria que alguns dos meus críticos de plantão pensassem nisso antes de me encher o saco – eu ralei muito pra sobreviver até chegar aqui. Não deu pra aperfeiçoar algumas coisas. Era preciso, antes de tudo, brigar para pôr comida na mesa.
Já o espanhol... bem, esse é mais difícil... a gente sempre acha, como brasileiros e latinos, que sabe falar espanhol. Bom, a gente não sabe.
P.S 2 - Tá, já que vcs querem algo sobre o famoso beijo do Almodóvar, vamos lá: vcs viram a matéria. Se ainda tem dúvidas, revejam no Youtube. Eu não beijei ninguém. Fui beijado. Eu tava lá, entrevistando o cara, e ele parou o papo no meio pra pedir um beijo. Ele é esperto, marqueteiro... e eu sabia que ia render muita mídia e audiência topar o selinho, logo... topei. Mas não se preocupem: não tenho nenhuma pretensão em me tornar um repórter beijoqueiro do programa ou seguir uma linha que remeta a outra emissora e programa. E fiquem seguros: não sou gay (e, ainda que fosse... isso faria de mim uma pessoa pior? Ah, esses preconceitos sociais..).
De volta de Cannes, um pouco mais velho, mais cansado, mais sábio, mais vivido, mais tudo.
O que vcs viram no programa semana passada e na última segunda foi a ponta de um iceberg. Toda a logística, infra-estrutura, loucura, peso e dimensão desse trabalho é algo grande demais para ser entendido. Mas a TV é uma caixinha de sonhos e a gente rala como uns condenados para fazer tudo chegar simples, gostoso e eficaz pra vcs.
Na verdade, Cannes foi tremendamente exaustiva para mim. Nunca trabalhei tanto pelo CQC como lá. Coisa de 12 a 18 horas por dia. Nunca minha convivência com a equipe foi a limites tão altos – dos paus com nosso câmera em alguns momentos, às noites de gravação e pequenos drinques bons nas festas chiques e caras da cidade. Coisa de amor e ódio em questão de dez dias de labuta pesada e sobrevivência, num lugar às vezes hostil em que não falam nossa língua e onde a caça às celebridades é uma guerra.
Cannes em si
Cannes fica em polvorosa na época do Festival. É uma infra-estrutura gigante que envolve centenas de pessoas e que rola há mais de sessenta anos. Segurança pesada, agenda puxada, um mar de gente. E essa galera usa o Festival como um pretexto para desfilar carrões, jóias, beleza, muita grana e poder durante os luxuosos dias de arte na Cote d´Azur.
Confesso que fiquei bestificado com as coisas que vi lá. Gravamos uma matéria fria (não datada, que pode entrar em qualquer momento do CQC) mostrando como o Cinema fica encoberto pelo glamour das pessoas em Cannes. Comer lagosta nas calçadas é uma coisa muito comum. Playboys desfilando em Lamborghinis, Maserattis, Porsches e Ferraris mega-caras é cena banal. Todo mundo tem carros impressionantes, e a tal F-40 da Ferrari é manjada por lá. Nas festas, vi ricaços jogando champanhe “Dom Perrignon” (coisa de algumas centenas de euros a garrafa...) uns nos outros como se fosse uma Cidra vagabunda. Ostentação a todo tempo. Bolsas Loius Vitton nas madames, peles, jeans Diesel em todo mundo, roupas caras e da moda. Muita tia exibindo os efeitos do bronzeamento artificial e muito, mas muito botox nas velhas e corpinho sarado nos manos.
Fiquei um pouco enojado com todo aquele desfile exagerado de poder e grana. Ainda sou aquele cara que trabalhou em vídeo-locadora e foi pobre de verdade na adolescência. O dinheiro ainda é uma coisa que prezo muito e que sei que me chega arduamente. Ainda me espanto qdo vejo como as pessoas se baseiam mais nele do que nas essências da vida para construir relações. E não suporte rico esbanjando tutú num mundo onde milhares de pessoas morrem de fome todos os dias. Isso em nada me seduz, muito pelo contrário. Mais: sou brasileiro. Sou realista; não sou um idiota.
Só mais uma coisa sobre os ricos em Cannes: vcs devem achar que conhecem um outro cara rico, alguém. Talvez um de vcs aqui seja, de fato, rico ou rica. Vcs podem alegar que já viram a riqueza em algum momento, mas estão se enganando. Nenhum de nós sabe o que é ser rico de verdade. Em Cannes sim, eu entendi o que é alguém ter muita, mais muita grana de verdade.
Festas do poder
Fomos em duas grandes festas em Cannes. Em ambas gravamos de montão. Vcs devem assistir uma matéria especial em breve no programa - ela mostra como os ricaços se divertem nas baladas mais concorridas da Europa nessa época do ano.
A primeira baladona foi de uma grife mundial que não lembro o nome. Entramos porque um de nossos amigos lá (o Douglas, quarto elemento da equipe, brasileiro residente na França, parceirão, competente e bem-relacionado) conhecia o “rei da noite” de Paris e o “rei da noite” de New York (muito amáveis, por sinal - sério mesmo) – e eles é que estavam cuidando dessa festinha.
Todos nós da equipe ficamos assustados com a quantidade de patricinhas e mauricinhos na pista... e como se gasta dinheiro! Como fomos bem recebidos e éramos tratados com todos os privilégios lá dentro, cada um de nós recebeu uma garrafa inteira de Dom Perignon. Os meninos da equipe do CQC não acreditaram. Eu bebi com eles, mas com uma ponta de pena pela consumação das pessoas naquele ambiente.
Nunca fui de baladas. Como violonista clássico de formação, desenvolvi uma coisa muito respeitosa (e chata, admito) com a música. Gosto de música instrumental e popular, mas sempre para ser ouvida com atenção. E baixo! Nem Public Enemy, que amo e é sonzêra, eu ouço aos brados. Logo, ambientes muito barulhentos sempre me angustiam pra caramba – ainda mais se tenho que gravar matéria. Não consigo ouvir a outra pessoa, tampouco consigo me entender.
Mais sobre baladas: sou um cara de botecos, da Vila Madalena. Programa ideal para mim é tomar chope com pessoas queridas num bom bar daqui, colocando na mesa sempre um papo muito legal. Sempre fui mais fã do material humano e do pensamento – e muito avesso às confusões, extremos e carências das baladas.
Acima de tudo, nas baladas em Cannes – e em toda Cannes de modo geral – eu me dei conta de duas coisas:
- Uma, eu envelheci. Mesmo. Não me divirto mais com algumas coisas que antes pareciam irresistíveis (bebida de graça, por exemplo). Alguns traços da minha personalidade estão tão fortes hj, e tão temperamentais com a idade, que não podem mais ser ajustados a outras realidades. De fato, não posso mais ir à baladas. De fato, não me seduzo mais com pessoas idiotas e/ou vazias – tampouco com lugares e situações parecidas. Quero, cada vez mais, ser o cara que toca violão por horas e horas seguidas, sozinho. Tenho gostado cada vez mais da minha solidão e da seletividade de algumas poucas pessoas boas na minha vida e na minha casa – tô cada vez mais propenso a ser o pai da Nara e a assumir a minha baixinha como namorada, ainda que ela tenha suas dúvidas. Isso me atrai mais que festas e poder.
- Outra, meus horizontes realmente se abriram muito! Um dia eu era o cara de 30 anos que nunca tinha tido chance e grana de ir pra Europa. De repente, lá estava eu em Cannes, e ainda ganhando pra isso! Fora que estava, muitas vezes, falando com pessoas fantásticas que antes só pertenciam ao meu mundo fantasioso. A indústria do cinema, por exemplo. Ela cria os filmes para que vc tenha a sensação de que algo mágico e inalcançável vai fazer parte da sua vida por uma questão de pouco tempo – mas que, terminado o filme, vc retorne à sua vida de sempre e nunca, nunca tenha acesso ao outro lado desse sonho. E, de repente, eu estava ali, entrevistando cineastas e atores que eu só vi nessa condição de mitos. Eles estavam reais e algumas vezes frágeis, como eu. Não só meus horizontes se abriram: eu tbm passei a humanizar diversas figuras de outrora, antes pertencentes a um patamar inalcançável da minha vida – das nossas vidas. Isso é o que mais me apaixona hj na minha vida recente com o CQC e sua projeção.
Bom, vou voltar a falar das festas. A outra festona que acompanhamos foi a de aniversário do super-estilista francês Cristian Audigier – marido da brasileira Ira Barbieri (que, por sinal, me recebeu mega-bem na balada e foi ótima a todo tempo). Ele costuma dar festas inacreditáveis. Gente como Michael Jackson aparece nessas baladas. Na desse ano, quem cantou o “parabéns” para ele no palco foi o Jean-Claude Van Damme e Paris Hilton (que eu odeio! ela é um péssimo exemplo, só esbanja grana, não produz nada de conteúdo para o mundo e propaga valores degradantes... adorei ter gritado “Paris!! We don´t love you” para ela em Cannes...).
O Cristian Audigier tbm nos recebeu muito bem e foi excelente comigo. Gravamos uma entrevista divertida e ele foi caloroso e gentil. Mas, mais uma vez, o problema estava em eu não me sentir bem mesmo em baladonas. Uma hora, na área VIP dele, tinha tanta gente vibrando e bebendo, jogando champanhe uns nos outros, que comecei a passar muito mal. Definitivamente, essas baladas não são a minha cara... e olha que sei que tem um mundo de gente que amaria estar lá no meu lugar!
Baladinhas em Cannes são assim: um dia é festa do Snoop Dogg, no outro da Paris Hilton, no outro da Madonna. Todos querem estar nesses locais – e todos querem ser vistos dentro da festa. Na porta, um mundo de gente e milhares de súplicas e negociações furadas com seguranças gigantescos. Carros cada vez mais possantes chegando e paparazzis em todo canto. Gravar dentro? Beeeem difícil. E nós conseguimos.
Dentro das baladas, não se espante se vc cruzar o rapper 50 Cent pegando um drinque. É comum. Os DJs tocam as coisas mais modernas das pistas e a galera se joga de uma maneira mais exagerada do que aqui. Há um clima de desforra no ar e, não raro, vc pode ver os maiores paus entre playboys da história. Em resumo, nada que me seduza muito. (CONTINUA...)
Saudades de escrever aqui tbm... sim, ando sumido... e tbm dei uma freada no ritmo de gravação de minhas matérias... taí pq vcs só me viram no CQTeste na última segunda.
Mas tudo isso rola pq estou me preparando para uma coisa excepcional... uma viagem incrível pelo CQC! Vem coisa quente por aí, galera... preparem-se!
Adoraria dizer exatamente para onde eu vou... mas a resposta do lugar está nesse poema-enigma que deixo pra vcs. Quem mata a charada?
Outros como eu já conferiram
Um dos sete já esteve em algo parecido
Não fui e é a primeira vez que alí me insiro
Mas vai estar lá alguém que esteve comigo
Esse alguém viu tudo confuso qdo a gente viu tudo admirado
E ele viu um mesmo troço muitas vezes apontado
Ele não conhece nenhuma pessoa daqui mas todo mundo o conhece
Foi o inverso quando morreu e uma surpresa logo que nasceu
Lá tá quente mas todo mundo conhece como frio
Tem um mundo de gente agora, mas no resto do ano é vazio
Algo do meu corpo e um dos meus bichos me lembram isso
Rafael Cortez, 32 anos, ator, jornalista e violonista.
Já foi redator de texto erótico para celular, produtor de teatro, circo e TV, assessor parlamentar de uma vereadora de São Paulo, atendente de videolocadora, organizador de mais de 60 festinhas infantis e tem DRT de Palhaço. Gosta de Nara Leão, Public Enemy, lasanha e que cocem suas costas com as unhas. Está na TV como um dos repórteres do programa CQC, da Tv Bandeirantes.
Sobre o blog
Espaço para textos reflexivos, ácidos e que busquem alguma inteligência. Local para reflexões artísticas e culturais diversas. Não, aqui você não encontrará fofocas sobre o meio das celebridades. Não, aqui você não verá piadas a todo tempo... Mas se o autor se esforçar, você poderá ler alguma coisa boa. E contribuir comentando com algo melhor...